O Portugal de Lés-a-Lés é uma aventura anual mototurística que desde 1999 concilia a resistência física à vertente turística com o objectivo de cruzar Portugal de extremo a extremo contemplando paisagens e lugares de enorme esplendor. Aquela que se tornou a maior caravana mototurística do mundo passou agora também a pontuar para o World Touring Challenge da FIM!

26º Portugal de Lés-a-Lés (2024)
De 6 a 9 de Junho de 2024
 

Apresentação Oficial revelou percurso inovador, para motociclistas rijos

Aí está um Lés-a-Lés à moda antiga!

Num entusiasmante arranque oficial do 26.º Portugal de Lés-a-Lés, as centenas de motociclistas que se deslocaram à Figueira da Foz descobriram novidades que reforçaram a expetativa de uma aventura à moda antiga. Um percurso bem rijinho, pelas mais desertas estradas raianas, incluindo uma passagem de fronteira até território espanhol. E com a garantia das mais intensas paisagens, num caleidoscópio de emoções fortes entre Portimão e Penafiel, com paragens em Évora e Covilhã.

REPORTAGEM

Apresentação Oficial revelou percurso inovador, para motociclistas rijos

Aí está um Lés-a-Lés à moda antiga!

Num entusiasmante arranque oficial do 26.º Portugal de Lés-a-Lés, as centenas de motociclistas que se deslocaram à Figueira da Foz descobriram novidades que reforçaram a expetativa de uma aventura à moda antiga. Um percurso bem rijinho, pelas mais desertas estradas raianas, incluindo uma passagem de fronteira até território espanhol. E com a garantia das mais intensas paisagens, num caleidoscópio de emoções fortes entre Portimão e Penafiel, com paragens em Évora e Covilhã.

Na Apresentação Oficial, no Malibu Foz Hotel, os sussurros de espanto sucederam-se à medida que o percurso ia sendo desvendado, com início natural pelo Passeio de Aventura, no dia 6 de junho. Que levará os participantes a descobrir (ou revisitar) as belezas do concelho portimonense, incluindo as praias da Rocha, do Vau e do Alvor. Arranque tranquilo, num dia que incluirá as indispensáveis Verificações Documentais e Técnicas, antes da madrugadora partida rumo a Évora. Será a primeira etapa, em cenários de beleza ímpar através da serra algarvia, cruzada de Oeste para Este e com um promissor regresso ao vale do Vascão. Repositório de tantas memórias aventureiras ao longo de um quarto de século da maior maratona motociclística da Europa.

Entre o bucolismo e o regresso à História

Desenhado através das zonas mais remotas de Portugal Continental, a grande e heterogénea caravana do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal viverá um momento alto em Mértola, com uma receção em grande festa. Momento mais bucólico no cais do Pomarão, onde o antigo local de embarque do minério oriundo das Minas de São Domingos a caminho das siderurgias servirá de palco a um inédito e surpreendente Oásis. Sítios de peso histórico também nesta edição 2024 do Portugal de Lés-a-Lés serão os regressos ao Pulo do Lobo e a Barrancos.

Tempo de matar saudades com animada paragem numa terra com um dialeto próprio e tradições muito próprias devido ao isolamento histórico. Depois de recordar a vila onde a caravana vibrou com a vitória da Seleção de Portugal por dois golos, de Deco e Cristiano Ronaldo, frente ao Irão, em jogo da fase de grupos do Mundial de Futebol de 2006, o ‘road-book’ oferecerá a possibilidade de visitar o Castelo de Noudar. Uma opção para os mais radicais, numa ligação em terra batida para visitar o Monumento Nacional que domina nas margens do rio Ardila, curso de água que acompanhará os motociclistas até Moura, apontando depois às margens do Alqueva e daí até ao centro histórico de Évora, com passagem por Reguengos de Monsaraz.

Internacionalização com música e porco no espeto

Bem no coração da cidade reconhecida pela UNESCO como Património Mundial partirá a segunda etapa, a menos dura e mais rolante ao longo de 460 quilómetros, através do Alto Alentejo, com passagem pelo Crato até Vila Velha de Rodão. Onde o renovado espaço envolvente da Torre do Rei Vamba permitirá desfrutar de espetaculares e ímpares vistas sobre as Portas do Rodão. Desta escarpa sobranceira ao Tejo e de grande importância estratégica desde o Séc. XII, há que arrepiar caminho até Tinalhas, no concelho de Castelo Branco, onde o Moto Clube local faz questão de dar a conhecer o busto que homenageia o Padre José Fernando. E que estará ao lado de outras peças em pedra, ligadas ao motociclismo, incluindo o Arcanjo São Rafael, protetor e padroeiro de todos os motociclistas, ou a homenagem ao Moto Clube de Faro.

Que deverá proteger o colorido pelotão na incursão em terras espanholas através da fronteira de Monfortinho sobre o rio Erges, para nova visita às instalações da Motoval em Valverde del Fresno. Depois de cumprimentar o representante da Dunlop que há vários anos apoia o Lés-a-Lés e onde sempre existe música e porco no espeto, o regresso a Portugal será feito por Penamacor. E com direito a receção no renovado espaço do centro histórico e no castelo.

Paragem para respirar um pouco e ganhar fôlego antes de atacar os últimos quilómetros até à Covilhã, cidade amiga dos motociclistas e que é privilegiada porta de entrada na Serra da Estrela. Na Capital dos Lanifícios, a proposta é de aproveitar o final de tarde e início da noite para apreciar a arte urbana na cidade com mais murais por metro quadrado.

Mais dureza a encerrar

Mas nada de distrações com as horas porque a terceira e última etapa do 26.º Portugal de Lés-a-Lés, mesmo sendo a mais curta com cerca de 370 quilómetros, será a mais exigente, obrigando a mais horas de condução.

Desde a saída da Covilhã até Penafiel praticamente não existe uma reta, começando por abordar as curvas que levarão até aos 1500 metros de altitude da Nave de Santo António antes da descida a Manteigas, entrando num dos concelhos com a floresta mais bem preservada em Portugal. Com o Norte no horizonte, regresso a uma estrada utilizada há 20 anos, no 5.º Lés-a-Lés, até Gouveia, desfrutando das belezas da Serra da Estrela antes da entrada no planalto beirão via Fornos de Algodres.

Com a grande aventura a aproximar-se do final, tempo para novas serranias, com passagem pelo vale do rio Távora, a descida ao Pinhão – que detém o recorde de temperatura máxima em território nacional – subida a Sabrosa, passagem por Vila Real, serra do Alvão, Lamas de Olo e Vale do Poio em direção Cabeceiras de Basto. Desta terra que sempre recebe tão bem os motociclistas, sobe-se no mapa até ao extremo norte desde Lés-a-Lés, com visita ao fabuloso parque de atividades radicais DiverLanhoso. E daí até Vizela onde o tradicional bolinhol poderá ser apreciado no jardim do Parque das Termas, criado entre 1884 e 1886 e que possui uma quantidade de árvores gigantes como nenhum outro parque ou jardim português. Verdadeiro pulmão de Vizela onde começa a ser feito o balanço de mais uma presença no Portugal de Lés-a-Lés, pensando na chegada a Penafiel depois de fazer tantas horas de condução como aquelas que nos levariam até à capital Dinamarca, Copenhaga. E, com a bênção da Senhora do Sameiro, atravessar o palanque de chegada numa edição que se antevê durinha, para motociclistas aventureiros e rijos, independentemente da máquina utilizada. É que o Lés-a-Lés volta a ser uma aventura para todas as motos, mas não para todos os motociclistas…

E se os primeiros corajosos aproveitaram a presença na Figueira da Foz para concretizar a inscrição que os colocará nos primeiros lugares da caravana, os restantes podem fazê-lo a partir do dia 26 de março e até 19 de maio, no site da Federação de Motociclismo de Portugal.

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

8º Portugal de Lés-a-Lés Offroad (2023)
Penafiel - Figueira da Foz - Estremoz - Portimão
De 1 a 4 de Outubro de 2023

Final em festa do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road

Pelo prazer de superar desafios

De Penafiel a Portimão foram 906,5 quilómetros de aventura e camaradagem, de descoberta e superação, de prazer de condução e boa disposição. Vivências que tornam cada final do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road num momento de sensações fortes e sentimentos contraditórios. A chegada ao panque final, no término da grande aventura gizada pela Federação de Motociclismo de Portugal é, para todos, um instante de festa. Que, passados poucos minutos, se transforma numa sensação de estranho vazio, sabendo que ainda falta um ano até à próxima edição. É assim desde há 8 anos e, em 2023, repetiu-se o filme, com protagonistas que enfrentaram calor e pó, algum frio matinal e até umas quantas gotas de chuva, os pisos de pedra nas serras do norte e centro do País e os mais rápidos troços arenosos do Ribatejo, até ao emaranhado de caminhos da serra algarvia.

REPORTAGEM

Portugal de Lés-a-Lés Off-Road arranca amanhã em defesa da floresta

O passeio de todos os campeões

São dezenas de títulos nacionais nas mais diversas modalidades e muitas as vitórias em palcos mundiais que ressaltam na recheada lista de participantes no 8.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road. Que longe de ser uma competição é, tão somente, um passeio mototurístico que vai ligar, até dia 4, quarta-feira, Penafiel a Portimão, com paragens na Figueira da Foz e Estremoz. Cerca de 900 quilómetros por alguns dos mais bonitos trilhos em fora de estrada, entre vinhas e olivais, soutos e carvalhais, por serras e vales. Ex-pilotos que não resistem, a cada ano, ao desafio lançado pela Federação de Portugal de Motociclismo para juntarem-se a centenas de outros motociclistas num evento turístico que oferece uma oportunidade única de descobrir o nosso País fora dos trajetos convencionais.

E essa é mesmo a grande motivação de ‘Kees’ van der Ven, um neerlandês que foi uma das grandes figuras do motocross mundial nas décadas de 1980 e ’90. Nascido em Bakel, uma pequena vila no sul dos Países Baixos, a poucos quilómetros de Eindhoven, van der Ven, mudou-se em 2015 para Louriçal, uma vila no concelho de Pombal com dimensão semelhante à sua terra natal. “Poder andar de moto no monte com mais facilidade foi um dos principais motivos da mudança, além de Portugal ter bom tempo, boa comida e muito sol”. Mas para o senhor Cornelius Egidius Maria van der Ven esta será, aos 66 anos, uma oportunidade única para conhecer o País de uma forma diferente.

Com 17 triunfos em provas do Mundial de Motocrosse de 125, 250 e 500 cc, terminou por 6 vezes entre os três primeiros do Campeonato do Mundo das três classes e ganhou em cinco ocasiões a mais mítica corrida em pisos de areia, o Enduro de Le Touquet. Tamanho palmarés que, para lá da experiência de condução, de pouco contará para o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road. “O primeiro objetivo é mesmo a diversão com um grupo de amigos, incluindo o Gilberto (Jordão) que deu a conhecer este evento e desafiou-me para estar presente. Quanto ao resto, do percurso ou paisagens não sei o que esperar”.

Muita água na bagagem e árvores para reflorestar Portugal

Claro que poderia sempre pedir umas dicas aos laureados Paulo Marques, Miguel Farrajota, António Oliveira ou Bernardo Villar, participantes assíduos da grande travessia do mapa nacional por estradões de terra batida, travessias a vau e alguns caminhos de cabras. Pilotos de renome, todos com muitos títulos nacionais, que marcaram presença nas Verificações Técnicas, no Pavilhão de Feiras e Exposições de Penafiel, espaço habituado a receber grandes eventos como é o caso da Agrival, uma das maiores e mais importantes feiras agrícolas do País. E de onde, amanhã bem cedo, começarão a partir as mais de 300 motos, organização incluída, rumo à Figueira da Foz, num dia que se prevê extremamente quente, com pisos duros e muito pó, com a Organização aconselhar os participantes à ingestão de muita água.

Primeira etapa que vai terminar na marginal figueirense (Av. de Espanha) mesmo junto ao Forte de Santa Catarina, a partir do meio da tarde. Antes disso, porém, por voltas das 11.30 h., tempo para dar continuidade à 5.ª campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, com a plantação de dois carvalhos na Escola EB 1 das Abadias, em cerimónia que contará com o apoio de mais de 70 alunos do 3.º e 4.º ciclos. Iniciativa que visa alertar para a necessidade de revitalização da floresta portuguesa, extremamente flagelada pelos fogos nos últimos anos. Ação de sensibilização que se diferencia pela aposta em reabilitar a floresta da forma mais correta e equilibrada, oferecendo espécies autóctones às populações dos locais por onde passa a caravana dos aventureiros mototuristas.

Solidariedade de Portugal até à Gâmbia

Mas houve outro campeão que deu nas vistas em Penafiel, enquadrado pela exposição comemorativa dos 40 anos de um nome mítico do todo-o-terreno: a Yamaha Ténéré. Pol Tarrés é piloto de trial e hard-enduro, famoso pela participação em competições por esse mundo fora aos comandos de uma ‘big-trail’, incluindo alguns dos mais duros eventos mundiais. Com fama redobrada pelos inúmeros vídeos onde mostra como ‘brincar’ com uma máquina de enduro de 200 kg, o sobrinho do mítico Jordi Tarrés, sete vezes campeão do Mundo de Trial, está no evento da Federação de Motociclismo de Portugal, a convite da Yamaha Motor Portugal. E se no dia das Verificações Técnicas limitou-se a assinar autógrafos, tirar fotografias e conversar com os muitos fãs, maior responsabilidade terá na terça-feira, no Oásis da Yamaha em Tomar, onde assinará e procederá à entrega de uma moto muito especial.

Trata-se de uma exclusiva Yamaha Ténéré 700 World Rally, recheada de acessórios, cuja receita do leilão reverte integralmente a favor do programa Riders for Health Gâmbia. Máquina decorada como a primeira moto utilizada em competição pelo espanhol e, além da assinatura personalizada do piloto, conta com saída de escape Akrapovic, assento plano de 2 peças tipo rali, proteções das carenagens laterais em borracha, guarda-lamas elevado, apropriado para utilização fora de estrada, proteções de radiador, cárter e corrente. Ação solidária que apoia a manutenção da frota de motos utilizada para distribuir artigos de prevenção essenciais, tais como redes mosquiteiras para a prevenção da malária, além de permitirem a abertura regular de clínicas de vacinação contra várias doenças

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

Paisagens soberbas, dureza e bastante calor marcaram 1.º dia do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road

Por serras nunca dantes navegadas

A oportunidade é única e muitos são os que procuram novas paisagens e caminhos desconhecidos em cada Portugal de Lés-a-Lés Off-Road. De Penafiel à Figueira da Foz, na primeira etapa da 8.ª edição do aventureiro passeio organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal tempo para descobrir, entre muitos outros pontos, as serras da Freita e do Caramulo. Novidades num percurso bem exigente, que começou bem cedo, por caminhos mais estreitos entre veredas, atravessando zonas rurais até atingir o rio Douro, passando então a oferecer espaços desafogados, daqueles de perder o olhar até ao horizonte. Estradões mais rolantes após o primeiro Oásis, organizado pela Jomotos na Senhora da Mó mesmo às portas de Arouca, que davam passagem pelo maciço da Gralheira, atravessando as serras da Freita, São Macário e Arada, incluindo a espetacular passagem pelo Portal do Inferno. E onde nem o calor, então bem intenso, nem o pó limitaram a imponente visão de um local de grande misticismo.

Já com o rumo a sul mais bem definido, abordagem à sempre vistosa serra do Caramulo para depois ‘descer’ junto às margens do rio Criz, apreciando ainda o rio Dão até desaguar no rio Mondego, ajudando a encher a barragem da Aguieira. Com o calor a apertar um pouco mais e o apetite já bem aberto, altura ideal para o Oásis da FMP onde um ‘serviço de luxo’ esperava os mais de 300 participantes. Motociclistas mais ou menos experientes, com motos de maior ou menor cilindrada, irmanados na vontade de descobrir novos sítios e de desfrutar do prazer de condução em todo-o-terreno.

Entre eles, António Oliveira, pluricampeão de motocrosse, supercrosse e enduro, um ‘habitué’ do Lés-a-Lés que não perde a oportunidade para “andar de moto com os amigos, relaxar um pouco e recarregar baterias, num evento onde a diversão é o prato principal”. Algo que encontrou “em dose razoável nesta primeira etapa, apesar de ligações algo extensas em alcatrão, mas que iam permitindo algum descanso para os menos experientes face ao cansaço acumulado nas zonas mais duras”.

Com o percurso a virar definitivamente para oeste, mudança de paisagem com os campos de milho e plantações de arroz entre Coimbra e a Figueira da Foz a tomarem o lugar dos trilhos mais pedregosos habituais do norte de Portugal. E, ao fim de 307 quilómetros, tempo para desfrutar do grande areal figueirense, apreciando o mar numa das muitas esplanadas junto ao Forte de Santa Catarina. O que muito agradou aos mais de 90 estrangeiros oriundos de Espanha, França, Itália, Alemanha, Países Baixos, Inglaterra ou Estados Unidos que vão descobrindo o nosso País de uma forma diferente.

Aventura que segue ‘dentro de momentos’ com a segunda etapa a levar a caravana até Estremoz, após 284 quilómetros pela Beira Litoral, Ribatejo e Alto Alentejo. Onde, ainda antes da chegada dos participantes, chegarão elementos da Comissão de Mototurismo da FMP para explicar aos mais jovens as vantagens das árvores autóctones na revitalização da floresta lusitana. Depois de na véspera a 5.ª campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés ter contribuído com a plantação de dois carvalhos na Escola EB 1 das Abadias, voltará a marcar presença nas Escolas Básicas do Caldeiro e da Mata. Onde deixará centenas de árvores para os alunos, professores e pessoal auxiliar, reforçando a aposta na reabilitação da floresta da forma mais correta e equilibrada, juntamente com a banda desenhada criada especificamente para esta situação, mostrando aos jovens petizes todas as vantagens da defesa do meio ambiente.

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

Menos dificuldades e maior prazer de condução na 2.º etapa do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road

Diversão em bom ritmo

Os sorrisos de boa disposição na chegada a Estremoz revelavam, de forma inequívoca, o estado de espírito da caravana do 8.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, depois da divertida ligação desde a Figueira da Foz. Cerca de 284 quilómetros cumpridos a bom ritmo, sem grandes preocupações com o calor ou com o pó, que ofereceram uma grande diversidade de paisagens e excelentes momentos de condução.

Um bom exemplo dos momentos vividos no evento da Federação de Motociclismo de Portugal foi Miguel Farrajota para quem “o segundo dia foi muito divertido, sobretudo depois de uma primeira etapa com pisos massacrantes no meio de eucaliptais e bastante pó”. Contrariando a força da gravidade que dificulta as mais madrugadoras saídas da cama, o algarvio fez-se à estrada mais cedo, “apanhando os caminhos menos revolvidos e ainda com alguma humidade o que evitou o pó nestes troços mais rolantes e muito divertidos”. E, assim, “deu para fazer mais quilómetros pela manhã e depois estar mais tempo nos Oásis, porque isto de andar de moto é muito bom, mas o convívio com amigos de longa data e outros bem mais recentes é o mais agradável deste evento”.

As temperaturas mais frescas às primeiras horas do dia e até uma amostras de chuva miudinha ajudaram a rolar de forma mais descontraída, nos trilhos mais enduristas. E onde não faltou alguns bocadinhos de lama para apicantar o passeio que, apesar de maioritariamente entre paisagens verdejantes, ainda deu para recordar os incêndios de anos idos, na travessia de locais onde só agora o verde começa a sobrepor-se ao negrume deixado pelas chamas.

Solidariedade em terra de templários

Numa jornada de transição rumo às amplas paisagens alentejanas, foi próximo de Tomar, afamada ao longo da História pelos Templários, que aconteceu um dos momentos do dia. Na Coudelaria Leonardo Franco, a BlueMotor montou um Oásis que, por pouco, não arruinava a continuidade do Lés-a-Lés Off-Road. Uma receção organizada ao pormenor pelo concessionário Yamaha em Santarém e onde além de muitos petiscos foi possível apreciar vários cavalos, incluindo alguns espécimes da famosa raça Puro Sangue Lusitano, e que levou muitos dos participantes a quererem ficar mesmo por ali. Momento de relaxe absoluto que serviu de palco de eleição da entrega da Yamaha Ténéré 700 World Rally, cujo leilão reverte a favor do programa Riders for Health Gâmbia, devidamente enquadrada pela não menos espetacular exposição dos 40 anos da Ténéré. Máquina autografada e entregue pelo piloto Pol Tarrés no âmbito da ação solidária que apoia a manutenção da frota de motos utilizada para distribuir artigos de prevenção essenciais, tais como redes mosquiteiras para a prevenção da malária, além de permitirem a abertura regular de clínicas de vacinação contra várias doenças.

A partir daí e com a paisagem a ganhar contornos cada vez mais ‘alentejanos’ condizente com a subida gradual da temperatura, o percurso foi tudo menos monótono, com alguns pequenos troços de areia ou pedra solta, mas sempre muito rolante e sem apresentar grandes dificuldades técnicas. Pelo menos assim comentavam portugueses e estrangeiros entre uma bifana e uma sande de ovo no Oásis da FMP montado em Ponte de Sor.

Mais árvores para reflorestar Portugal de Lés-a-Lés

Reforço alimentar que foi alento para os derradeiros quilómetros, cumpridos por todos os mais de 300 mototuristas ainda o sol ia bem alto, com chegada a Estremoz desde o meio da tarde. Ainda a tempo de acompanhar a entrega de quase igual número de medronheiros, distribuídos entre os alunos, professores e pessoal não docente das Escolas Básicas do Caldeiro e da Mata. Foi a terceira etapa da 5.ª campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, campanha que visa explicar aos mais jovens as vantagens das árvores autóctones na revitalização da floresta lusitana.

E que continuará amanhã, em Portimão, juntos dos mais pequenos alunos da Escola Básica da Coca Maravilhas, que, depois de ajudarem na plantação de um pinheiro-manso, terão direito a uma banda desenhada exclusiva e uma divertida explicação sobre a importância desta campanha. Ponto final também para os motociclistas que cumprirão os derradeiros 314 quilómetros até à chegada às margens do rio Arade, a poucos metros do Atlântico, ponto final de uma aventura que começou em Penafiel.

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

Final em festa do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road

Pelo prazer de superar desafios

De Penafiel a Portimão foram 906,5 quilómetros de aventura e camaradagem, de descoberta e superação, de prazer de condução e boa disposição. Vivências que tornam cada final do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road num momento de sensações fortes e sentimentos contraditórios. A chegada ao panque final, no término da grande aventura gizada pela Federação de Motociclismo de Portugal é, para todos, um instante de festa. Que, passados poucos minutos, se transforma numa sensação de estranho vazio, sabendo que ainda falta um ano até à próxima edição. É assim desde há 8 anos e, em 2023, repetiu-se o filme, com protagonistas que enfrentaram calor e pó, algum frio matinal e até umas quantas gotas de chuva, os pisos de pedra nas serras do norte e centro do País e os mais rápidos troços arenosos do Ribatejo, até ao emaranhado de caminhos da serra algarvia.

Um desafio à medida da experiência de condução, do espírito, da idade e da máquina utilizada. Que, recorde-se, havia-as de todos os tamanhos e cilindradas, cores e feitios. Das maiores e mais modernas trail do mercado às improváveis scooters, passando por alguns modelos de pequena cilindrada que deixaram marcas na história no motociclismo nacional. A Yamaha DT50 LC é, seguramente, uma delas, bem conhecida de milhares e milhares de portugueses que com ela se estrearam nas lides das duas rodas. Não foi o caso de Rodolfo Sampaio que, depois de fazer o Lés-a-Lés ‘de estrada’ com uma nada apropriada Honda Z50 com montagem tipo ‘chopper’ decidiu manter a fasquia bem elevada e estrear uma DT50 na variante Off-Road. “Uma moto completamente desconhecida, que nunca tinha conduzido antes, para uma aventura super divertida e que não ofereceu o mínimo problema. Foi só meter gasolina, adicionar óleo ao autolube e… já está”.

Uma saudável loucura para o ex-piloto de enduro e raides cuja única preocupação foi “cortar um pouco de gás nas zonas mais degradadas para não estragar a suspensão da motinha. É que sempre eram 110 quilos aos saltos em cima dela. Eram, à partida! Porque agora, com as vezes que tive que dar ao pé nas maiores subidas, devo ter perdido algum peso”. Preocupado em descobrir o paradeiro da equipa de terapeutas que acompanha o evento, “para tentar disfarçar as mossas num corpinho de 61 anos”, garantiu que “a Yamaha DT50 LC está pronta para ir a rodar até casa, mas… o piloto vai deixá-la descansar”

Ondas de sorrisos à beira-mar

Sentimento unânime de excelente disposição que reforçou o ambiente de festa criado na marginal portimonense, ali onde o rio Arade cumpre os últimos metros antes de mergulhar no oceano Atlântico. A derradeira etapa, desde Estremoz, ofereceu 314 quilómetros de belíssimas paisagens, das intermináveis planícies alentejanas, com pistas rápidas entre sobreiros e muitos olivais de cultura intensiva, à variedade de caminhos na serra algarvia, dos trilhos mais enduristas aos mais largos estradões. Palcos de grande diversão para os mais de 300 motociclistas cuja boa disposição nem era abalada por alguns problemas técnicos, como furos ou correntes partidas.

Incidentes que eram, acima de tudo, mais um motivo de conversa nas paragens nos oásis onde as bolas de Berlim, o café ou as águas, servidas com muita simpatia pelo staff da Honda num belíssimo spot nas margens da albufeira da barragem de Odivelas, ou os ovos mexidos, bifanas, fruta e sopa de agrião no Oásis da FMP, iam ajudando a repor as energias. Que bem precisas era para alguns participantes, menos habituados a tamanhas exigências físicas.

Foi o caso de Madalena Casanova, a mais jovem participante, que, aos 18 anos, cumpriu o sonho de fazer o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road depois de, em julho, ter-se estrado com sucesso na variante asfáltica da aventureira travessia. O sorriso esfuziante confirmava o sentimento de quem adorou “este Lés-a-Lés, mais duro que o de estrada, é certo, mas que também dá muito mais gozo em termos de superação, em termos de conquista”. Aos comandos de uma Yamaha DT125 LC, que ‘nasceu’ antes dela, Madalena só lamenta “não ter feito uma melhor preparação, tanto física como da moto, que permitiria rolar mais solta e com maior diversão. Mas o importante foi mesmo acabar com a moto direitinha. Bem… mais ou menos! É que foi preciso reapertar algumas peças sobretudo depois de algumas pequenas quedas, a uma média de duas por dia, e todas para o lado direito. Pelo menos os estragos ficaram concentrados”. E, entre sorrisos, confirmou que a DT ficou em condições de cumprir o resto do percurso, a rolar por estrada até Lisboa, depois de ter cumprido a ligação até Penafiel.

Motivo para sentidos abraços de uma aventureira ‘de mão cheia’, numa festa em jeito de despedida, animada pelos risos de alguns dos petizes que, umas horas antes, tinham descoberto que os motociclistas são amigos do ambiente. Crianças da Escola Básica da Coca Maravilhas que plantaram um pinheiro-manso no espaço de recreio e aprenderam como tratar de uma árvore que aporta grandes vantagens à floresta lusitana. Uma ‘aula’ dada por elementos da Comissão de Mototurismo da FMP com o apoio de docentes, membros da Câmara Municipal de Portimão e do Moto Clube de Portimão, integrada no âmbito da 5.ª campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés. E que, de forma simples e apoiada numa banda desenhada criada exclusivamente para o efeito, explicou a importância das espécies autóctones na revitalização da floresta.

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

25º Portugal de Lés-a-Lés (2023)
De 7 a 10 de Junho de 2023

"Casa cheia" nas Bodas de Prata do Portugal de Lés-a-Lés

Dois milhões e meio de quilómetros para descobrir Portugal

Uma vez mais a lista de entusiastas que não querem perder a maior maratona mototurística da Europa fez transbordar a lista de inscritos para o Portugal de Lés-a-Lés cuja 25.ª edição vai para a estrada de 7 a 10 de junho. Uma ligação de 1144 quilómetros entre Bragança e Vila do Bispo, com passagem por Ourém e Viseu, que será cumprida por 2185 motociclistas, totalizando, imagine-se, um total de 2.499.640 quilómetros. E isto sem contar com os quilómetros desde casa ou com a equipa organizativa e vários convidados, entre artistas e atores, pilotos e políticos, desportistas e até 'chefs' de renome internacional.

Um entusiasmo enorme em redor da edição das Bodas de Prata do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal, que começou em 1999 pela mão de cinco motoclubes. Agora, um quarto de século depois, e além de vários elementos da organização presentes desde o primeiro momento, há apenas quatro participantes totalistas que contam, só no Portugal de Lés-a-Lés, com mais de 30 mil quilómetros pelas mais recônditas estradas nacionais, regionais e municipais de um País desconhecido de muitos.

Para aqueles que gostam de descobrir novos recantos, as mais imponentes paisagens, os mais significativos monumentos da História de Portugal ou simplesmente conduzir nas mais deliciosas estradinhas, esta é uma oportunidade realmente única de descoberta. Mas, para aqueles que não se inscreveram até às 00.00 horas do dia 15 de maio, bom, para esses a aventura terá que ficar para 2024!

REPORTAGEM

Centenas de motociclistas na apresentação do 25.º Portugal de Lés-a-Lés

Aí estão as novidades da grande aventura!

Começou a mais desejada aventura do ano! A Apresentação Oficial do 25.º Portugal de Lés-a-Lés, perante centenas de entusiastas na Figueira da Foz, marcou o arranque da grande maratona mototurística organizada desde 1999 pela Federação de Motociclismo de Portugal. Para 2023, o objetivo passa por festejar as Bodas de Prata com uma festa ímpar, num percurso evocativo da ‘saudável loucura’ levada a cabo por 100 motociclistas ao ligar Bragança a Sagres em 24 horas de aventura ‘non-stop’. Agora serão 1110 quilómetros, para cumprir entre os dias 7 e 10 de junho, através de paisagens ímpares, passando por serras, vales e planícies, rios, lagos e barragens, numa oportunidade única para uma descoberta diferente de um Portugal pouco conhecido.

Numa sala transbordante de expetativa e animação, foi apresentado o percurso que, mantendo alguns pontos coincidentes com a 1.ª edição, mostrará muitas novidades ao longo de 4 dias. Um trajeto que, já se sabia, parte de Bragança, concelho que acolhe também o já tradicional Passeio de Abertura, daí seguindo para Viseu e Ourém, palco do final das etapas seguintes, antes da grande festa montada em Sagres.

Numa cerimónia que contou com a presença de Pedro Santana Lopes, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz (que fez questão de deslocar-se de moto até ao Malibu Foz Hotel), coube ao presidente da autarquia de Bragança, Hernâni Dias, agradecer a visita para a partida da edição de 2023 do Portugal de Lés-a-Lés. Que, pela primeira vez, vai passar na aldeia que dá nome ao Parque Natural de Montesinho, recordando ainda o ponto de arranque de 1999, Rio de Onor. Isto num Passeio de Abertura com pouco mais de uma centena de quilómetros que terminará no Centro Histórico de Bragança, com visita ao castelo e à Sé, perto do local onde serão efetuadas as Verificações Técnicas e Documentais.

Aperitivo de luxo para um manjar de paisagens

Aperitivo para a primeira etapa que levará a caravana de Bragança a Viseu, ao longo de 310 quilómetros de estradas inéditas no Lés-a-Lés e outros locais já conhecidos. Como Podence onde os tradicionais caretos podem sempre ‘fazer das suas’.

Numa tirada panorâmica, tempo para desfrutar da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, rio que será atravessado a vau em Vale da Porca, antes de conhecer a nova barragem do Sabor, entre Alfandega da Fé e Torre de Moncorvo. Já a sul do rio Douro, visita ao Castelo Velho de Freixo de Numão, atravessando o troço final da estrada nacional 222, rumo a Moreira de Rei, outra novidade, já no concelho de Trancoso.

Celorico da Beira que tão bem acolheu a caravana na 1.ª edição do Lés-a-Lés volta a receber os participantes que, aqui, infletem para Oeste, bordejando o rio Mondego até Viseu. Em terras de Viriato, um final de dia carregado de história, passagem pela Sé Catedral e Museu Grão Vasco, numa descoberta do centro histórico que terminará no palanque junto aos Paços do Concelho.

Tal como a etapa da véspera, também a do 2.ª dia será exigente em termos de condução, com ‘apenas’ 280 quilómetros, mas muitas descobertas por locais nunca antes espreitados pelo pelotão do Lés-a-Lés. Do megalitismo de Carregal do Sal, através de vários dólmens ou orcas, às cascatas do rio Cavalos, em Sevilha, no concelho de Tábua. Depois da ida a França no Passeio de Abertura, esta visita à homónima da capital da Andaluzia, reforça o toque internacional do 25.º Portugal de Lés-a-Lés que, para entrar na fase montanhosa, passará por Arganil e Góis. Locais com garantia de forte ‘calor motociclístico’ e onde não faltará mesmo uma ‘apetitosa’ feira gastronómica.

Tempo para paisagens soberbas e enormes surpresas até Castanheira de Pera, com direito a Oásis na Praia das Rocas, onde será servido mais um aperitivo. Que a fome e a sede são sempre maus companheiros de viagem e há que arrepiar caminho até Dornes, uma das grandes novidades deste Lés-a-Lés e que marca a entrada no distrito de Santarém. Um dia que termina em Ourém, ainda a tempo para uma visita ao centro histórico, nomeadamente ao castelo em fase de recuperação e dinamização.

Homenagem mais que merecida

Para finalizar a maior maratona mototurística da Europa, uma tirada longa de 410 quilómetros entre Ourém e Vila do Bispo. Algo que não assusta os experientes Luís Santos, Paulo Mendes, Ângelo Moura e Luís Simão, os quatro totalistas das edições do Portugal de Lés-a-Lés e que foram homenageados na Figueira da Foz. Juntamente com o Moto Clube do Porto, único clube presente ao longo dos 25 anos, e a Lidergraf, empresa que mantém o nome ligado ao evento desde 1999. Bem como os moto clubes de Albufeira, Guimarães e Motards do Ocidente, os que mais se distinguiram pela animação proporcionada em 2022.

Uma etapa longa, mas bastante rolante, que começa no Ribatejo, desfrutando da tranquilidade das zonas campestres do Vale do Tejo, com paragens em Azinhaga do Ribatejo, terra natal de José Saramago, e na Golegã, outras estreias no Lés-a-Lés. Depois, e deixando Santarém para trás, sem muito tempo a perder em algumas belas estradas na zona de Coruche ou Montemor-o-Novo (boa desculpa para voltar outra vez…), segue a viagem por Viana do Alentejo, Ferreira do Alentejo e Aljustrel. Altura de nova inflexão no trajeto, rumo ao sudoeste alentejano, por estradas pouco conhecidas, muito panorâmicas e bem asfaltadas em direção a Monchique.

Com os aromas da maresia a despertar os sentidos dos mais de 2000 motociclistas, a passagem por Marmelete marca a descida rumo à costa, seguindo sempre por perto de imponentes falésias até ao cabo de São Vicente. Onde, tal como há 25 anos, à porta da fortaleza de Sagres, termina a grande aventura gizada pela Comissão de Mototurismo da FMP, através de estradas nacionais, regionais, municipais e até alguns caminhos de terra batida, mas sem pisar autoestradas ou vias rápidas.

Viagem de sonho numa travessia ímpar, através de um percurso inovador, divertido e desafiante, recuperando o espírito da edição inaugural em 1999, mas agora com muitos mais participantes e uma animação redobrada. Sobretudo nas partidas e chegadas onde a música, a dança e outros atrativos serão pontos de relevo na cuidada produção de um evento apoiado pela Agência Abreu, BMW, BP, Dunlop, NEXX e Via Verde. E cujas ‘vantagens’ se começaram a fazer sentir logo no dia da apresentação, com o sorteio de um jogo de pneus Dunlop, de um capacete NEXX, juntamente com uma inscrição para o Lés-a-Lés

Evento que, logo após a apresentação oficial, ganhou os primeiros inscritos, que partirão bem cedo para as etapas, às 6 horas, na frente de um pelotão de 2000 motos. Quanto aos restantes, poderão inscrever-se a partir do dia 27 de março, no site www.les-a-les.com.

Todos os caminhos vão dar a Bragança

Por estes dias, Bragança é a "Meca" de todos os motociclistas. De todo o País e de muitos pontos da Europa, mais de 2500 são esperados a partir de hoje para o início do 25º Portugal de Lés-a-Lés. A edição das Bodas de Prata do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal volta a bater recordes e promete ser uma festa grandiosa até Sagres, onde termina no dia 10 de junho.

Pelo caminho, 1085 quilómetros de descoberta e aventura, na maior maratona mototurística da Europa, ao longo de algumas das mais belas estradas nacionais, municipais e regionais. As autoestradas e outros sinais de modernidade rodoviária ficam, quando muito, para as viagens de ida e regresso a casa. Porque há muito para ver e descobrir, num trajeto descrito ao longo das 60 páginas do "road-book" entregue pela organização a todos os participantes.

Uma descoberta que começa na manhã do dia 7 de junho, com o arranque das Verificações Técnicas e Documentais aos 2185 participantes, entre as 9h e as 14h no Parque do Eixo Atlântico. Local onde estará montado o palanque de partida e chegada do Passeio de Abertura que, a partir das 10h verá os motociclistas arrancarem à descoberta do Parque Natural de Montesinho. Um aperitivo de 116 quilómetros, que cada um pode degustar ao ritmo que mais aprouver, desfrutando de paisagens ímpares no primeiro momento de homenagem à edição inaugural de 1999. A passagem por Rio de Onor, onde há 25 anos foi dada a partida para o Portugal de Lés-a-Lés será ponto alto, com fotografias para recordar... daqui a 25 anos!

Um passeio de enorme beleza natural antes do regresso ao Parque do Eixo Atlântico para o jantar de boas-vindas, no Pavilhão Gimnodesportivo do Clube Académico de Bragança. Ali mesmo ao lado do local onde, na quinta-feira, dia 8 de junho, será dada a madrugadora partida (às 6h) rumo a Viseu, final da primeira etapa. De Viseu a Ourém terá lugar a segunda tirada de um evento que termina em Sagres, após cerca de 28 horas e 50 minutos de condução previstas.

Nem a chuva diluiu entusiasmo no arranque para o Portugal de Lés-a-Lés

Óscar, a visita que ninguém convidou

Ninguém a conhecia mesmo se alguns já tinham ouvido falar dela. Óscar é o nome da depressão atmosférica que atingiu fortemente o arquipélago da Madeira e que, por estes dias, vai influenciar o clima na região nordestina do continente. Bragança está mesmo sob aviso amarelo, devido à previsão de aguaceiros fortes, possibilidade de queda de granizo e trovoadas, mas nem isso arrefeceu os ânimos dos milhares de participantes que, durante toda a manhã e início da tarde, se deslocaram para o arranque do 25º Portugal de Lés-a-Lés.

Chuva que obrigou a alterações de última hora e comprovou toda a experiência da equipa organizativa, obrigado a trabalhos dobrados para concretizar todas as mudanças necessárias. Inicialmente previstas para o Parque do Eixo Atlântico, local verdejante e bastante aprazível no centro da cidade brigantina, as Verificações Técnicas e Documentais foram transferidas para o pavilhão do NERBA - Associação Empresarial do Distrito de Bragança.

Momento em que são conferidos os documentos das máquinas e dos participantes, bem como o estado geral das motos, em prol de maior segurança na estrada. E que são bem diferentes do que aconteceu há 25 anos, com "um simples olhar de relance para as luzes, piscas e pneus, mesmo antes do arranque já sobre a ponte de Rio de Onor" como recordou José Valença, um dos 3 elementos que está na organização desde o primeiro momento. Agora, as inusitadas verificações indoor, garantiram maior conforto para os participantes antes do arranque para a festiva edição das Bodas de Prata, com Passeio de Abertura pelo Parque Natural de Montesinho, com total de 116 quilómetros e passagem por local emblemático do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal.

Partida molhada, edição abençoada

Foi, há 25 anos, o local de partida de uma ideia maluca de 5 motoclubes, ligados pela aventura e pela paixão mototurística. Elementos do MC Porto, Estarreja, Centro, Lisboa e Ocidente, sonharam, idealizaram e concretizaram a ligação entre dois extremos do mapa continental, ao longo de 24 horas "non-stop". Nascia o Portugal de Lés-a-Lés que, partindo da emblemática ponte de Rio de Onor, haveria de levar 120 motociclistas numa centena de motos até ao cabo de S. Vicente.

Palco singelo, mas de tamanho significado para uma maratona que, rapidamente, ganhou inusitada dimensão. Nacional e internacional. Para ter noção da escala de grandeza basta olhar para o total de quilómetros percorridos durante as 24 edições: 24 546! E isto apenas durante o percurso efetuado pelos 27 551 participantes inscritos, sem contar com as viagens de ida e regresso a casa.

Milhares de portugueses e portuguesas, como muitos espanhóis, franceses, italianos, ingleses, escoceses, alemães, belgas, estado-unidenses, canadianos, brasileiros, venezuelanos, peruanos, sul-africanos, angolanos, austríacos, neerlandeses, romenos, ucranianos, polacos, húngaros, neozelandeses marcaram presença, por uma vez que fosse, na grande maratona. Mas foram apenas 4 os que, estando à partida de Rio de Onor, às 12 horas do dia 11 de junho de 1999, repetiram a dose nos anos seguintes. Em todos! Desde as 4 seções de 6 horas cada que marcaram a edição estreante, com paragens em Celorico da Beira, Picoto da Melriça, Viana do Alentejo e Cabo de S. Vicente, em formato que foi mantido em mais três edições, com perguntas e surpresas para manter a animação e os participantes bem acordados.

Inspiração nos moto-ralis que então davam também os primeiros passos que foi sofrendo modificações ao longo dos anos. Adaptações em nome da segurança e do número crescente de entusiastas. Em 2003, Chaves acolhia novo formato, com duas etapas de 12 horas que levaria a caravana até Albufeira, para, em 2007, ser criado um prólogo antes das duas tiradas. Forma de dar a conhecer o concelho de partida e de entreter os participantes no dia das verificações.

Configuração que se manteve durante uma década para, em 2017, ganhar mais uma etapa. Três dias de aventura a que se juntava um Passeio de Abertura, em fórmula que consolidou a maior aventura mototurística da Europa. Em participantes como no total de quilómetros percorridos. Que, em 2023, na edição das Bodas de Prata da maior aventura mototurística de que há registo, fica marcada pelo regresso a Rio de Onor, aproveitando para respirar o ar puro do Parque Natural de Montesinho.

Chuva acentuou beleza natural do Parque de Montesinho

A sorte protege os audazes

Se é verdade que a sorte protege os audazes, não menos verdade parece ser a adaptação livre de outra máxima do exército: "chuva civil não molha motard". O lema do Corpo de Comandos, adaptação do verso do poeta latino Virgílio, no poema épico Eneida, encaixa na perfeição aos participantes do 25º Portugal de Lés-a-Lés que desafiaram os elementos e, sem medo à chuva, partiram à descoberta do Parque Natural de Montesinho.

A forte intempérie, prometida pela depressão atmosférica Óscar não demoveu os cerca de 2500 motociclistas a fazerem-se à estrada para o Passeio de Abertura da edição das Bodas de Prata do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal. E por bem empregue deram a ousadia já que a chuva, sob a forma de esparsos e leves aguaceiros, não incomodou quem na estrada passeava. Antes teve o condão de sublinhar os tons de verde e castanho de paisagens de encantar. Uma passeata a dois tempos, com início mais revirado até Montesinho, a aldeia que dá o nome ao parque e que foi visitada pela primeira vez pela longa e heterogénea caravana, e com paisagens imponentes e mais desafogadas no regresso a Bragança com passagem em Rio de Onor.

Foram 116 quilómetros, por entre soutos de enormes castanheiros e centenários carvalhais, visitando aldeias de gentes rijas e afáveis, que sabem receber como poucos. Foi o caso de Donai, onde poucos resistiram a fotografar as vetustas varandas de madeira, ou Vilarinho, onde era dada a descobrir a história dos "pica-burros". Aqueles aldeãos que iam até Bragança vender carvão, picando aqueles animais para que se despachassem... Bem precisavam de despachar alguns participantes, que não resistiram a provar o mel da Apimonte e descobrir mais sobre a região, fortemente dinamizada pelo apicultor local Luís Correia.

Santuário bem preservado

Comecemos pelos soutos, cuja sucessão dos portentosos castanheiros está já assegurada com a plantação de jovens árvores Castanea sativa. Frondosos, proporcionariam boas sombras e uma frescura que se agradeceria nesta altura do ano. Isso em condições normais, porque assim, com tempo farrusco e algumas gotas de chuva, ofereciam um cenário místico, para apreciar com tranquilidade. E, dessa forma serena, poder encontrar veados ou corços, javalis ou águias-reais, cegonhas-negras ou até um lobo-ibérico! Afinal, nos 75 mil hectares do Parque Natural de Montesinho habitam 80% das raças de mamíferos conhecidas em Portugal e mais de 160 espécies de aves. O que é constantemente recordado com pinturas em paragens de autocarros e outras paredes, evocando motivos da fauna e flora locais ou, simplesmente, temas da vida transmontana.

Ora entre bosques, ora por entre lameiros, aproveitando a agradável estrada nacional 308, sempre com a fronteira espanhola por perto, lá foi a caravana até Meixedo, seguindo depois, lado a lado com o rio Sabor, até França e o seu casario típico. Depois, a subida a Montesinho, aldeia de granito e lousa, materiais mais resistentes ao calor e ao gelo, para fazer frente aos nove meses de inverno e três de inferno que cada ano traz.

As ruelas estreitas e inclinadas anteciparam a conversa de café onde, entre anedotas e curiosidades, ia-se descobrindo a dureza da vida destas gentes. Curtidas pelo isolamento e pelo frio de uma serra cujo pico mais alto, na Lombada Grande chega aos 1486 metros de altitude. É a 4ª mais alta de Portugal, depois da Estrela, Gerês e Larouco, e se pensarmos que do lado espanhol (Sierra de la Parada) existe um pico que se eleva aos 1735 metros seria apenas ultrapassada pelo Alto da Torre.

Os caretos e uma língua que une povos

Descendo novamente ao vale do Sabor, rio que é companhia omnipresente nos dois primeiros dias da grande aventura mototurística, Aveleda e Varge, duas das 92 aldeias englobadas no Parque, mostraram mais animação, com os seus caretos, antes da entrada na segunda parte deste Passeio de Abertura. Com estradas panorâmicas no topo das serras, rumo a Rio de Onor. A famosa aldeia que pertence a dois países, com metade da população a viver em cada lado da fronteira e onde a língua é só uma. O rionorês é o dialeto local que todos, portugueses e espanhóis, entendem e que alguns dos aventureiros do Lés-a-Lés quiseram aprender. Nem sempre com os melhores resultados.

Após a marcante passagem na ponte que corta as águas do rio de Onor, onde teve início a grande aventura, em junho de 1999, iniciava-se o regresso a Bragança. Com passagem por Guadramil, onde o abandono a que tem sido votada esta aldeia reforça o misticismo, e Gimonde, cada vez mais conhecida pela famosa posta de vitela mirandesa. Que, atendendo à hora a que alguns participantes cumpriram o Passeio de Abertura, serviu na perfeição para o jantar. E se não fosse a posta, havia sempre a oportunidade de experimentar a rica gastronomia nordestina, do cordeiro bragançano ao cabrito de Montesinho, das alheiras de caça aos enchidos de porco bísaro. Ou das trutas, em escabeche ou assadas, saídas das águas frias dos límpidos ribeiros locais, ao fumeiro, desde as tradicionais alheiras ao menos conhecido butelo, acompanhado por casulos (cascas de feijão secas).

Houve quem logo ali jantasse, com apetite que esquecer o repasto de boas-vindas a todos os participantes, e houve quem seguisse o "road-book" até à bem preservada Cidadela de Bragança. No casario envolvente a um dos mais bem preservados castelos portugueses, quase mil anos de história foram mostrados em detalhes de inesquecível riqueza. Como a Domus Municipalis, Monumento Nacional desde 1910 e um exemplar único da arquitetura civil de estilo Românico na Península Ibérica. Edifício que teve a dupla função de cisterna, de perfil abobadado e subterrânea que permitia o abastecimento de água da cidade, e sede das reuniões municipais de "homens-bons".

Construída por volta do Séc. XII ou XIII, com planta em forma e pentágono irregular, é em alvenaria de pedra, razão da excelente conservação até à atualidade. Isto porque este tipo de edifícios era habitualmente feito de madeira, uma vez que nem o poder municipal nem o Estado tinham meios para financiar obras civis deste género.

Curiosidade rodeou também o pelourinho apoiado numa tosca estátua zoomórfica proto-histórica: um "berrão". Semelhante a outras figuras conhecidas na região transmontana, como em Murça ou Torre de Dona Chama, há quem a veja como a "porca da vila" da Idade do Ferro, sendo neste caso, muito mais antiga do que o próprio pelourinho. Terá sido esculpida, em granito, cerca de 200 ou 300 anos antes do nascimento de Cristo, e a designação deriva do termo popular usado para os porcos não castrados. No entanto há autores que defendam que este "berrão" possa representar um urso...

A pensar na espécie animal que terá dado origem ao "berrão", foram os participantes até à sede do Moto Clube Cruzeiro, brindar a um Passeio de Abertura de deliciosas paisagens, antecâmara de uma etapa que, a partir das 6 horas da madrugada, levará os cerca de 2500 motociclistas, organização incluída, até Viseu. No programa, 304 km com passagem por Macedo de cavaleiros, Alfandega da Fé, Torre de Moncorvo, Pocinho, Meda ou Celorico da Beira, antes da chegada a Viseu, a partir das 15.30h.

Nem a intempérie entre Bragança e Viseu arrefeceu o entusiasmo

Sorrisos entre os pingos da chuva

A chuva da véspera, durante o Passeio de Abertura, e as ameaçadoras previsões de inclemência meteorológica tiveram o condão de alertar os 2250 participantes no 25º Portugal de Lés-a-Lés para uma etapa que poderia ter dose extra de aventura. De Bragança a Viseu, foram 304 quilómetros de estradas panorâmicas, muitas delas inéditas nos mapas da maratona mototurística organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal. Que todos desfrutaram mesmo se, em algum momento do dia, ninguém conseguiu escapar às fortes bátegas de água. Chuva por vezes muito forte e céu sempre em tons de cinza carregado que não ensombraram os semblantes sorridentes com o desafio acrescido.

Em dia de trautear a canção tradicional portuguesa, associada a uma dança de roda, "Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu", a partida foi madrugadora, com os primeiros a lançarem-se à estrada, noite cerrada, ainda batiam as 6 horas no relógio da Catedral de Bragança, a primeira a ser inaugurada em Portugal no século XXI. As serpenteantes estradas da serra de Nogueira, completamente desertas numa manhã de feriado, acordaram com a passagem de mais de 2000 motos. A chuva caída durante a noite levou muita terra e detritos para a estrada, exigindo cautelas redobradas, mas sem roubar a oportunidade para apreciar os densos bosques de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) naquela que é maior mancha europeia de uma espécie bem-adaptada à altitude.

Os Conquistadores, Marcelo e Ronaldo

Soutos de monumentais castanheiros ajudavam a tranquilidade que estava prestes a ser "perturbada" em Celas, onde os Conquistadores de Guimarães protagonizavam a primeira traquinice do dia, oferecida juntamente com um café bem quente. Foi o "clero" em peso até à estrada, com direito a bênção do bispo com água mundana como a chuva que caía, e aos furos na tarjeta que atesta o bom cumprimento do percurso, a cargo das freiras. Incluindo uma irmã prestes a ter "uma boa horinha"...

Ainda mais animada seguiu a caravana, sempre com sorrisos que nem a chuva conseguia afogar, continuando a desfrutar paisagens soberbas num dia que foi de "verdadeiro Lés-a-Lés". Podence, terra de caretos, ficava no caminho e houve quem não desperdiçasse oportunidade de tirar uma "selfie" com o presidente Marcelo ou com o craque Ronaldo. Paisagens que eram verdadeiro conforto para a alma, mas que pediam algo mais para o estômago. Aconchego que estava à espera no Oásis em Macedo de Cavaleiros, no preciso local onde começou o 7º Lés-a-Lés em 2005, antes da passagem bem próxima do "umbigo do Mundo". O quê?, perguntarão. E o Lés-a-Lés, que se quer um evento de descoberta explica.

Morais, aldeia do concelho mogadourense, revela de forma única a dinâmica geológica dos continentes, sendo o local exato onde, há mais de 400 milhões de anos, muito antes de surgirem os dinossauros, se deu a colisão de massas que originou uma cadeia de montanhas, designada pelos cientistas por sutura do Orógeno Varisco.

Existem apenas cinco lugares com características semelhantes a este, mas, em Morais, as sequências estão contidas num espaço menor e os testemunhos são mais percetíveis. Testemunho da colisão dos dois continentes então existentes, Laurússia (América do Norte, Europa e Ásia do Norte) e Gondwana (África, Madagáscar, Índia, Austrália e Antárctida), e do único oceano, o Rheic, que terá estado na origem do Oceano Atlântico. O choque fechou o oceano criando um supercontinente, dando início à reorganização que, milhões de anos mais tarde, deu origem à cartografia do Mundo, dividido em cinco continentes. Morais oferece, pois, uma viagem aos primórdios da Terra enquanto planeta, concentrando em poucos quilómetros aquilo que, normalmente, só se vê em milhares de quilómetros de extensão.

Cultura geral e um padre... bêbado

Conhecimento que fará com que muitos dos participantes voltem, cumprindo assim uma das motivações da equipa organizativa da Federação de Motociclismo de Portugal. Mostrar um País que muitos desconhecem, deixando o desejo de regressar para mais descobertas.

Com o tempo a variar entre algumas abertas e monumentais cargas d'água, tempo para alguns contratempos, como os travões de tambor de algumas cinquentinhas que iam perdendo eficácia. Ou a vela de ignição isolada na Jawa 250 de Hélder Alves, obrigando "a uma mecânica básica, para, em menos de cinco minutos, voltar à estrada. Afinal, trata-se de uma máquina de 1952, que cumpre o Lés-a-Lés pela 9ª vez e que nunca deixou ficar mal o proprietário". Incluindo as viagens entre Santa Maria da Feira e os locais de partida e chegada.

Mas a chuva, com presença forte a espaços, como que a brincar com os participantes, não roubou espetacularidade à passagem pelo vale do Sabor e do seu afluente, o Azibo, cuja albufeira reforça os argumentos desta região enquanto excelente destino turístico. Incluindo o belíssimo parque de merendas de Vale da Porca, onde os mais corajosos, lançaram-se na travessia a vau do ainda pequeno caudal do Azibo.

E seria também o local da primeira passagem pela terra, 600 curtos metros que revelam a essência da maior maratona mototurística da Europa, não fosse a chuva ter desaconselhado este desvio, mantendo a caravana em estrada firme.

Estradinhas de deliciosas curvinhas, com passagem por Chacim e pelo Real Filatório (fábrica do fio de seda mandada erigir pela Rainha D. Maria, em 1788, com amoreiras para alimentar os bichos-da-seda), até Alfandega da Fé. Onde foi possível provar as cerejas cultivadas nas faldas da serra de Bornes. Fruto a que se juntariam as famosas amêndoas de Torre de Moncorvo, não sem que antes passasse o pelotão em Eucísia.

Uma pequena aldeia que encerra uma lenda curiosa sobre um sacerdote do arcebispado de Braga que, incumbido de verificar se tudo corria bem na paróquia, ali jantou e dormiu. Como era pouco resistente aos pecados mundanos da comida e da bebida, terá abusado da boa pinga e, a meio da noite, para satisfazer as necessidades fisiológicas, dirigiu-se às cavalariças onde, embalado pelo sono ou pela bebida, deixou-se adormecer. Manhã bem cedo, quando a população o viu em tais preparos, justificou-se que havia ali sido colocado pelas bruxas. E, assim, Eucísia ficou conhecida como a terra das feiticeiras...

Bifanas acompanhadas de Barca Velha

Bem mais reais são as alterações ao rio Sabor entre Alfândega da Fé e Moncorvo, causadas pela construção da barragem que todos puderam apreciar antes de provar deliciosas amêndoas caramelizadas. Pitéu oferecido por "nobres" do Moto Clube do Porto trajados a rigor, muito perto da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, que é, desde janeiro do ano passado, por decreto assinado pelo Papa Francisco, Basílica Menor de Torre de Moncorvo. Começou a ser construída no século XVI, no tempo do Infante de Sagres, e ergue-se no local onde existiu um templo paroquial primitivo da Idade Média.

Deixando a História e voltando à estrada, degustando as amêndoas na descida até ao Pocinho, tempo para desfrutar da estrada nacional 220 e atravessar o Douro na barragem inaugurada em 1982. No fim da qual estavam os minhotos do Moto Clube de Prado, com deliciosas bifanas para aquecer os estômagos mais protestantes, enquanto se apreciavam as quintas da D. Antónia, onde é produzido o Barca Velha.

Entrando no distrito da Guarda por Vila Nova de Foz Côa, foi a caravana apreciando a mudança de paisagem onde, apesar da chuva, se vê que é notoriamente mais seca! Mas há sempre belezas para apreciar na grande aventura mototurística, como foi o caso Freixo de Numão, antiga sede de concelho, ou a muito panorâmica estrada até Mêda, em região onde abundam fortificações então mais importantes que a agora sede de concelho. Era o caso de Longroiva, Ranhados ou Casteição, bem como da pequena, mas muito interessante, Marialva, com castelo e pelourinho, cruzeiro, igrejas e capelas, solares, cisternas e postigos.

Claro que não podíamos esquecer a importância arqueológica em Moreira de Rei, aldeia onde, em 2018, foi descoberta a maior necrópole de sepulturas antropomórficas da Europa, com 600 sepulturas de adultos e crianças em redor da igreja de Santa Marinha (Séc. XII). As obras desaconselharam a visita, mas houve curiosos que não resistiram, como também quiseram sentir o ambiente do palco da Batalha de Trancoso que, a 29 de maio de 1385, marcou a reviravolta na luta contra o invasor castelhano.

A corte de Barcelos desceu a Trancoso

Na monumental vila de Trancoso, palco para a aparição da corte dos Moto Galos de Barcelos, que não quiseram perder oportunidade de "armar cavaleiros" enquanto picavam as tarjetas, enquanto logo a seguir foi tempo de parar em Celorico da Beira. Na terra que viu nascer Sacadura Cabral, que em fez a primeira travessia do Atlântico Sul com Gago Coutinho, uma surpresa de boa disposição e petiscos, com o queijo da serra de que esta vila se intitula "capital" juntamente com doces e tostas com azeite e boa companhia musical.

No local onde, há 25 anos, o MC Porto passou o testemunho ao MC Estarreja e Mototurismo do Centro, que haveriam de guiar a caravana no 2º setor, até ao pico da Melriça, tempo para um inesperado encontro. Afinal, entre os milhares de anónimos do pelotão, surgiu um campeão nacional de todo-o-terreno. Que, por sinal, faz a sua estreia no Lés-a-Lés e logo da forma mais ousada.

Rodolfo Sampaio, com vários títulos de Enduro e TT, aceitou o desafio do grupo de amigos de Santo Estevão que juntaram 25 cinquentinhas, e decidiu participar aos comandos de uma raríssima Honda tipo "chopper". Máquina com uma curiosa história, tratando-se de um modelo criado em exclusivo para os Estados Unidos, que foi comprada, já em Hong Kong, por um amigo seu que, por sua vez, vendeu-lha há quase 20 anos. E depois de uma paragem que durou os últimos 10 anos, voltou à estrada diretamente para o Portugal de Lés-a-Lés.

Viseu à vista

Seguindo a N16, com a companhia do rio Mondego, atravessado para entrar no distrito de Viseu, momento importante na história da indústria automóvel em Portugal, com a passagem por Mangualde. Sede do primeiro centro de produção automóvel no nosso País, inaugurado em 1962, e lembrada por um Citroën DS colocado numa rotunda.

Desde 1964 fabricou mais de 1,5 milhões de viaturas, a começar pelo mítico 2 Cavalos e, em 2025, será a primeira fábrica em Portugal a produzir furgões totalmente elétricos (Citröen e-Berlingo, Fiat e-Dobló, Opel Combo-e e Peugeot e-Partner) nas versões de comerciais ligeiros e de passageiros.

Bem diferentes as joias e as histórias encontradas após cruzar o rio Dão, rumo ao centro da cidade de Viseu para descobrir o centro histórico, a Sé Catedral (Séc. XII), começada a erigir no reinado de D. Afonso Henriques, e o Museu Grão Vasco. Isto mesmo antes da subida ao palanque, à porta dos Paços do Concelho, na melhor sala de visitas viseense, após nove horas e meia de condução. E antes de um dia que levará a caravana até Ourém, após 240km muito exigentes em termos de condução.

Neve juntou-se à muita chuva na 2ª etapa do Portugal de Lés-a-Lés

Dilúvio de emoções fortes

Com as lembranças do calor da edição de 2022 ainda a causar suores a muitos participantes, o 25º Portugal de Lés-a-Lés está a ser marcado por uma chuva intensa. De água e de emoções! Quase paradoxalmente, as condições meteorológicas adversas parecem proporcionar uma alegria maior na caravana dos 2500 motociclistas que, por estes dias, ligam Bragança a Sagres. Com "apenas" 240 quilómetros de extensão, a segunda tirada, entre Viseu e Ourém, voltou a mostrar essa boa disposição, associada ao desejo de superação e muito companheirismo, num dia em que até a neve fez a sua aparição. Uma jornada muito trabalhosa e exigente, apesar da curta distância a cumprir, com 9 horas para ligar as duas cidades.

De Viseu, começou a sair caravana ainda noite escura e, desde logo, com fortes aguaceiros que tornaram alguns pequenos troços de terra mais complicados. Mas ninguém deu por mal empregue o primeiro esforço do dia, para visitar duas das antas que existem no Circuito Pré-Histórico Fiais/Azenha, parte do importante roteiro megalítico de Carregal do Sal. E logo na primeira, a bem conservada Lapa da Orca apesar de ter mais de 5500 anos, uma enorme surpresa com a descoberta de que os nobres que na véspera "picavam o ponto" em Torre de Moncorvo tinham regredido à pré-história transformando-se em aguerridos, mas simpáticos Cro-Magnon. É a história dos Moto Clubes, neste caso o do Porto, que são, desde o primeiro momento, a alma e o corpo por detrás da grande aventura organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal.

Mais um troço de terra, facílimo depois de ter sido alisado pela autarquia tabuense, para descobrir as surpreendentes cascatas de Sevilha, formadas pelo pequeno rio Cavalos, afluente do Mondego, recuperando das primeiras emoções em Tábua. Onde o MK Makinas foi... uma verdadeira máquina, distribuindo fruta, água, sandes e sumos junto à curiosa Capela do Sr. dos Milagres, de planta octogonal.

O herói do holocausto que marca presença no Lés-a-Lés

Mas, claro que entre Viseu e Tábua houve lugar a outras descobertas, bastando atravessar o rio Dão para encontrar estradas com envolvente de maior verdura e lugares de um passado marcante, como a nobre Santar, com os seus solares e as curiosas aldeias de Póvoa Dão e Beijós. Algo que só as etapas mais curtas permitem, descobrindo detalhes nunca antes espreitados no Lés-a-Lés. Ou Cabanas de Viriato, onde pontifica a casa do herói nacional Aristides de Sousa Mendes. Tendo salvo mais de 30 mil judeus condenados à morte pelo regime nazi, o Cônsul de Bordéus morreu na miséria depois de renegado por Salazar, numa história cinematograficamente interpretada por Vítor Norte. Que continua a marcar presença assídua na maior maratona motociclística da Europa, sempre acompanhado pela sua fiel Gina, a Yamaha Virago que nunca quer largar...

Também o sempre simpático ator reparou na placa de Venda da Esperança, onde muitos foram os pensaram numa rápida paragem para comprar um pouco de esperança para o bom tempo que tardava. Mas como as lojas deviam estar fechadas, talvez fazendo "ponte" entre o feriado do Corpo de Deus e o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, seguiram pelo belíssimo tapete da estrada nacional 17 rumo a Lourosa. Não a mais conhecida, de Santa Maria da Feira, mas a de Oliveira do Hospital. Que, apesar de ter 14 vezes menos habitantes, tem quase o triplo da área! E tem também uma Feira Moçárabe, a 12 e 13 de agosto, que merecer honras especiais de divulgação. É que, ao lado de jovens odaliscas, que iam brindando os participantes com água, pão com chouriço e fruta, os presidentes da autarquia oliveirense, José Francisco Rolo, e da Junta de Freguesia de Lourosa, José Carlos Marques, trajavam a rigor de sarracenos. Uma aldeia em festa em redor da Igreja Moçárabe, com 1111 anos, cujos arcos interiores apresentam inconfundível arquitetura árabe, a que se juntam outros motivos de interesse, como os túmulos exteriores ou a torre do relógio.

Inusitada queda de neve na pista do combate a incêndios

Sempre com a chuva no horizonte, desmotivando os motociclistas a despirem os impermeáveis, passagem pela Vila de Coja e Arganil, antes da chegada a Góis. Onde, depois de tantas e tão boas curvas, há sempre a garantia de uma receção calorosa a todos os motociclistas. Nas margens do rio Ceira, no mesmo local onde foi servido o jantar numa das primeiras edições, surgiu um reforço alimentar que viria a revelar-se extremamente útil.

É que, os corajosos que optaram por seguir o itinerário principal traçado pelos elementos da Comissão de Mototurismo da FMP, gastaram todas as calorias para controlar a moto na degradada e lamacenta subida até ao aeródromo de Coentral, onde o Moto Clube de Góis registava a chegada dos mais "loucos". Subida que fez muitos rogarem pragas à organização e que parecia mais própria da versão Off-Road do Portugal de Lés-a-Lés, sobretudo na parte final, onde o muito nevoeiro acrescentava dificuldade ao piso muito estragado. Esforço recompensado pela possibilidade de assistir a um nevão na muito inclinada pista de combates a incêndios no segundo topo da serra da Lousã. Bom, na verdade era neve artificial, mas com o nevoeiro e a descida da temperatura que se fez sentir a 1184 metros de altitude, parecia mesmo verdadeira...

Bem mais simples e com enorme beleza paisagística, a descida para Castanheira de Pera compensou em dobro todo o esforço feito a subir, com estradinhas deliciosas, por Coentral Grande, Sarnada e Pera, rodeadas de árvores autóctones e com muros "decorados" por musgos centenários. A que a chuva e o nevoeiro conferiam um aspeto místico, fazendo recordar tempos de antanho, num momento único que foi perdido pelos que optaram pela alternativa. Que ia diretamente à Praia das Rocas, local que fez pensar do bem que se estaria aqui se fosse um dia de sol e temperaturas mais condizentes com a época do ano.

Perderam ainda a possibilidade de ver a Pena, belíssima aldeia de xisto, ou os poços de neve, junto à igreja de Santo António da Neve, pois claro. No inverno eram estes poços cheios com neve para depois, no verão, serem cortados os cubos de gelo que eram transportados, embrulhados em palha e às costas de jumentos, até ao Zêzere e daí para a capital.

Quando o tamanho não conta para a diversão...

Uma subida que não assustou Rui Rodrigues que trocou as mais adaptadas Africa Twin (uma XRV650 da primeira série de 1988, e uma CRF1000 edição especial do 30º aniversário, de 2018) por uma pequeníssima Honda Monkey de 125cc. Fã incondicional da marca japonesa, decidiu comemorar de forma diferente a edição das Bodas de Prata do Portugal de Lés-a-Lés alinhando com a 25ª Honda que comprou! "Se era mais fácil com a Africa Twin? Talvez, mas, depois de 5 presenças com a AT, perdia toda a piada" contou entusiasmado o motociclista que viajou desde S. Pedro de Moel a Bragança e que, depois do Lés-a-Lés, voltará a casa pelos próprios meios. "Claro! É que nem outra hipótese colocava. E a diversão das passagens em terra, nomeadamente da subida ao aeródromo, são impagáveis. A potência que por vezes pode faltar é colmatada pelo baixo peso e a facilidade em apoiar os pés caso fosse necessário". O que, garante, "não aconteceu na subida, nem na descida ".

Menos sorte tiveram outros participantes que deram trabalho à equipa da Moto Medic, com as 8 motos no terreno a prestarem apoio imediato a partir de um centro de comando móvel e com modernos meios de rastreamento. Presente desde a 7ª edição do Lés-a-Lés, a equipa de Luís Isqueiro teve "mais dificuldades devido à chuva e ao mau tempo, mas apenas por causa das comunicações. Chuva que não aumentou assim tanto os incidentes e o número de assistências pedidas, antes mudou o perfil das lesões, com vários motociclistas a sofrerem quedas a pequenas velocidades ou mesmo parados, com muitos traumatismos e contusões. Aliás, entre os 17 casos do primeiro dia o mais grave foi uma entorse num tornozelo".

E note-se que o pelotão conta ainda com a presença dos osteopadas e massoterapeutas Inês, Miguel, Edgar, Rui, Mauro e Adriana, sempre prontos a recuperar os motociclistas para a etapa seguinte. Todos profissionais formados no Instituto de Medicina Tradicional e que desde 2018 marcam presença.

O campeão trouxe a família

Quem também se divertiu à grande nos pisos de terra foi o pluricampeão nacional de Enduro e Todo-o-Terreno, Paulo Marques, que, pela primeira vez trouxe toda a família. À esposa Elisa, que já alinhava há uma década, juntaram-se os filhos Gil, Francisca (à pendura do namorado Pedro) e a mais jovem Joana. Que sempre juntos e muito divertidos são a prova mais evidente de que este é, sempre e cada vez mais, um evento familiar. E é notório um número crescente de participantes com os filhos à pendura ou mesmo noutras motos.

Todos unidos no prazer do mototurismo como da proteção da natureza, sublinhada na passagem por Adega, Pedrógão Grande, onde em 2017, após a enorme vaga de incêndios foram plantados um carvalho e um sobreiro. Ação incluída no âmbito da campanha de reflorestação da FMP, em que foram distribuídos milhares de árvores autóctones pelos concelhos mais atingidos pelo fogo. Além da natureza há também as descobertas históricas, como nas passagens em Cernache do Bonjardim, terra de Nuno Álvares Pereira, ou em Dornes, uma das grandes estreias deste LaL. Terra de mística templária, ostenta uma curiosa torre pentagonal, numa aldeia que, devido à subida das águas do Zêzere, ficou transformada numa península.

Tudo num dia que, apesar de fustigado por grandes chuvadas, acabou com bom tempo em Ourém, permitindo uma visita opcional ao grande e muito fotogénico castelo. E muitos foram os que, chegando cedo, subiram ao interior das muralhas, em fase de recuperação e dinamização com centro de interpretação, enquanto outros, talvez mais fatigados ou menos afoitos nestas descobertas, estacionaram numa das muitas esplanadas antes do animado jantar Centro Municipal de Exposições.

E bem cedo foram descansar porque a última etapa do 25º Portugal de Lés-a-Lés prevê-se muito exigente. Uma tirada maratona entre Ourém e Sagres, com 425 quilómetros para cumprir em 10 horas e 20 minutos! Vá lá que a meteorologia parece mostrar alguma clemência para o último dia da aventura...

Rei-Sol entregou prémios aos mais resistentes motociclistas do 25º Portugal de Lés-a-Lés

Maratona de aventura até fim do mundo

"Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe" diz a sabedoria popular. Um adágio perfeito para o cenário climatérico que envolveu a especialíssima edição das Bodas de Prata do Portugal de Lés-a-Lés. No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o Rei-Sol prestou homenagem aos aventureiros descobridores das maravilhas deste "jardim à beira-mar plantado", no final de uma maratona da ponta nordeste do mapa continental até ao local "onde a Terra acaba e o mar começa".

Com a desagradável chuva intensa dos três primeiros como um pesadelo que parecia ficar para trás, a longa (muito longa, mesmo!) terceira e última etapa revelou um epílogo digno de filme galardoado no retrato da ligação entre Bragança e Sagres, com paragens em Viseu e Ourém. Foram 425 quilómetros, é certo, mas que se anteviam "mais curtos" que os 240km da véspera, percorridos debaixo de condições climatéricas particularmente exigentes.

Mesmo assim, foram mais de 10 horas em cima das motos, desde a saída, madrugadora, através do pouco explorado Ribatejo, onde foi "investido" mais tempo para descobrir segredos, seguindo depois a planície alentejana em ritmo certinho para ganhar tempo. Que seria bem aproveitado na parte final, num rendilhando mototurístico pela serra de Monchique, as falésias e praias quase desertas do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, para terminar em grande festa com o Atlântico como pano de fundo.

Sol brindou os resistentes e "Saramago" não deu autógrafos

Num dia em que as temperaturas andaram entre os 20 e os quase 30 graus, com algumas nuvens no céu a proteger os aventureiros da inclemência do sol, havia que gerir esforços. Por isso, as verdejantes estradas encontradas para sair de Ourém fugindo a descaracterizados centros urbanos foram perfeitas.

Condições de excelência para atravessar a lezíria ribatejana, sem ver nenhum dos famosos fenómenos no Entroncamento para os encontrar, isso sim, um pouco mais adiante, na centenária Quinta da Cardiga. Imponente imóvel de história registada desde o tempo de D. Afonso Henriques, começando pelo castelo construído em 1169, e que foi local excelente para o Oásis da BMW, que, desde há vários anos, é um dos principais suportes do Portugal de Lés-a-Lés. Pequena pausa para esticar as pernas e tomar um café antes da entrada triunfal na Golegã, pela imponente Porta de Fernão Lourenço, assinalando nova estreia na maior aventura mototurística da Europa. Na vila onde o cavalo é rei, tempo para apreciar a Igreja Matriz, com magnifico portal manuelino e contemporânea do Infante de Sagres, ou a irreverente casa-estúdio do fotógrafo oitocentista Carlos Relvas.

Com as menções ao eventual pó de alguns pequenos troços de terra batida completamente desajustadas depois das chuvas dos últimos dias, a caravana teria o seu momento cultural um pouco mais adiante. Em Azinhaga, era um "renascido" José Saramago – e com um ar muito saudável, diga-se de passagem! – que esperava os motociclistas, de alicate em punho. Porque era mais importante picar a tarjeta do que levar um autógrafo! Na terra natal do Prémio Nobel da Literatura, o enquadramento foi proporcionado pelos tradicionais campinos da região ribatejana sendo que, só por acaso, vieram de Guimarães, fazer jus ao nome de Conquistadores para arrebatar o coração dos maratonistas com quadros animados e extremamente bem conseguidos.

Mas havia que virar mais uma das 60 páginas do "road-book", rumando a Santarém via Pombalinho, terra de cheias sempre que o Tejo extravasa as margens, mas que nunca tinha vivido tamanha enchente... de motos. Já na "capital" do Ribatejo e depois de uma entrada muito interessante, longe das chegadas tradicionais, toda a monumentalidade foi apreciada em andamento. Já se sabia que o dia era longo pelo que a visita à Igreja de Santa Maria da Graça, um dos mais belos exemplos da arquitetura religiosa do gótico flamejante ou a descoberta do quartel de onde saiu a Revolução dos Cravos ficaria para outra ocasião.

Mas se a alma pode esperar pelas descobertas dos tesouros da nossa História, já o corpo, mundano, pede alimento com mais frequência. Por isso foi fácil aceitar o convite para a pré-estreia do enorme espaço da Bluemotor, representante local da Yamaha. E que sublinha o entusiasmo crescente das marcas, sendo praticamente unânime o entendimento da importância de marcar presença no evento mototuristico que mais motociclistas movimenta em Portugal. E que, além da BMW, o maior suporte desde há vários anos, também a Yamaha, Honda, Suzuki ou Indian se tenham juntado a esta edição.

O "comboio" que fez parar a ponte

Saindo da área urbana escalabitana através de inusitados caminhos rurais até ao Cartaxo, mais uma estreia com a travessia do Tejo através da surpreendente Ponte Rainha D. Amélia. Construída em 1904, a pensar nas necessidades ferroviárias foi adaptada, no início do milénio, à circulação rodoviária após a construção da nova ponte para o comboio. Com 840m de travessia sobre grade, estreita e com semáforos porque apenas passa um automóvel de cada vez, criou natural constrangimento com a passagem das mais de 2000 motos, dando tempo a condutores e passageiros para se prepararem para a mudança de cenário.

Pela frente o extenso Alentejo, de retas intermináveis uma seca para todos, mas, sobretudo para os que conduzem motos mais pequenas, de menor cilindrada. Foi o caso do grupo das "cinquentinhas" de Santo Estevão, com direito a enorme festa familiar à passagem por Coruche, ou de Madalena Casanova. Que numa Yamaha DTR125, partiu sozinha à aventura, aos 18 anos, e quase "empurrada" pela mãe! Tendo descoberto as vantagens das duas rodas "aos 14 anos, para poder criar os próprios horários e ter independência nas deslocações", foi cimentando uma relação forte com as motos. Mesmo se não tem exemplos na família! O "bichinho" foi entrando e "este ano queria fazer uma viagem grande, sozinha, pela costa sul portuguesa e espanhola". Mas a mãe, quiçá preocupada por imaginar a filha em modo solitário na estrada, falou no Lés-a-Lés que havia descoberto, há uns anos, à pendura.

"Acho que, pelo olhar logo depois de ter falado, se arrependeu de imediato". Mas há três coisas que não voltam atrás. A pedra atirada, a palavra dita e a oportunidade perdida. Por isso, sem muitas preocupações com o refrão da música "Para Ti Maria" dos Xutos & Pontapés, saiu de Lisboa rumo a Bragança, sem medo das "nove horas de viagem".

Em Trás-os-Montes a condutora mais jovem deste 25º Portugal de Lés-a-Lés começou a descobrir "um ambiente único, com pessoas excelentes, algo que já imaginava pelo que ia lendo e ouvindo". E no final de "uma excelente e adorável primeira experiência em termos de grandes viagens", garantiu que vai voltar, aproveitando até "a enorme experiência ganha na condução à chuva, algo que fez sentir pouca confiança no início, sobretudo com uns pneus de piso misto, mais próprios para andar na terra". Além disso, a mãe da Madalena que se prepare, é que o convite para a presença no 8º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road no início de Outubro já foi feito e, imagine-se, aceite pela própria!

Os insetos que cortaram a estrada

Sem chuva e sem pó, embalada pela modorra alentejana, foi, porém, a carava surpreendida já no concelho de Évora por uma inusitada manifestação. Os insetos decidiram pronunciar-se contra o extermínio causado pelas motos e motociclistas, cortando a estrada em Valverde. Reclamavam contra os atentados de que são alvo devido à velocidade, esborrachando-se nas viseiras dos capacetes e carenagens das motos. Uma ideia genial dos sempre criativos elementos dos Motards do Ocidente, que teve o condão de todos animar, motivo de todas as conversas no Oásis da Indian, à sombra e com vista sobre o lindo castelo de Alvito transformado em Pousada, e que se prolongou ainda na barragem da ribeira de Odivelas, no concelho de Ferreira do Alentejo. Na represa do afluente do Sado, de enorme importância para a irrigação, permitindo a cultura do arroz, tomate e melão, a Honda tratou da sobremesa, com deliciosas bolas de Berlim e fruta para acompanhar o café, depois das sandes de carne servidas em Alvito. Um luxo!

Com as temperaturas normalmente mais quentes nas intermináveis retas alentejanas, os espíritos iam sendo despertos pelas notas do "road-book", como as que indicavam o caminho para Anta do Livramento ou de S. Brissos. Monumento megalítico, com mais de 5000 anos de existência e transformado em capela, tal como a Anta de Pavia, no concelho de Mora, que a caravana do Lés-a-Lés já visitou por mais de uma vez. Desvio que podia ser aconselhado às dezenas de Mazda MX5 ultrapassados pelo pelotão de duas rodas, já que fica perto da N2 que desciam em caravana de Chaves a Faro.

A beleza do sudoeste alentejano e a homenagem ao campeão

Depois de Viana do Alentejo, Ferreira do Alentejo e Aljustrel, fletindo para sudoeste, por estradas desconhecidas, panorâmicas e bem asfaltadas, começava a 3ª fase da etapa, entre medronheiros, sobreiros e azinheiras. Mas antes de virar para Monchique e daí, por Marmelete, descer rumo à costa, o Oásis BP montado em amplo espaço nas margens do rio Mira, em Santa-Clara-a-Velha, tempo para duas ou três notas. Primeiro: a presença de elementos do MC Porto, sempre prontos a "picar", mesmo tão longe de casa; Segundo: a coincidência com as festas da vila que impediu a travessia do pequeno pontão que já serviu em outras ocasiões, obrigando a uma volta maior; Terceiro: a saída, numa íngreme e curta subida em terra batida assustou os menos experientes, com motivos de receio que se revelaram infundados.

Continuando por estradas de serra recheadas de deliciosas curvinhas até à Fóia, onde a temperatura fez jus aos 902 metros do ponto mais alto do Algarve, tempo para uma fotografia junto à estátua que celebra o triunfo de Remco Evenepoeel, o atual campeão do Mundo de ciclismo, na Volta ao Algarve de 2020 e 2022. Tempo também para apreciar a ampla vista sobre o horizonte, abarcando o Atlântico, ganhando alento para a ponta final e despertando para as maravilhas que aí vinham. E, aconselhados pelos animados elementos do MC Albufeira naquele que era o último controlo em estrada, lá foram os motociclistas até Aljezur, Vila do Bispo e Sagres, onde a terra acaba e o mar começa.

Descida belíssima em direção a praias fabulosas, com falésias e paisagens de cortar a respiração e uma tranquilidade que não se encontra nas superlotadas praias voltadas a sul. Em aconselhada visita opcional, os mais regulares participantes tiveram tempo para pensar nas férias verão, passando pelas praias da Bordeira e do Amado, a meca do surf, ou o Pontal da Carrapateira. E outras, praticamente desertas como Cordoama ou Castelejo, antes de subir ao palanque que marcava o ponto final de 1085 quilómetros de descoberta e aventura. Foi a 25ª edição da maior maratona mototurística da Europa, ao longo de algumas das mais belas estradas nacionais, municipais e regionais. As autoestradas e vias rápidas, essas ficaram para o regresso a casa dos 2500 motociclistas extremamente satisfeitos e de alma cheia depois de mais um extremamente elogiado Portugal de Lés-a-Lés.

Manuel Marinheiro muito orgulhoso no balanço do 25º Portugal de Lés-a-Lés

"Chuva reforçou espírito motociclista"

Visivelmente satisfeito, com um semblante que mesclava o prazer de mais um enorme desafio superado com o desgaste igual ao de todos os participantes do 25º Portugal de Lés-a-Lés, Manuel Marinheiro chegou a Sagres com a certeza de dever cumprido. Tarefa muito exigente desde Bragança, "onde a chuva forte obrigou a mudanças de última hora em toda a logística das verificações e receção aos motociclistas". Foi, apenas, o primeiro de vários desafios surgidos, inesperadamente, ao longo de quatro dias e superados de tal forma que o presidente da Federação de Motociclismo de Portugal deixa bem claro "o enorme orgulho em toda a equipa que montou e conseguiu levar a bom porto este Lés-a-Lés".

Situações de dificuldade exponenciada pelo número de participantes, obrigando a uma gestão de recursos só conseguida graças à grande experiência acumulada ao longo de um quarto de século. "Depois de um Lés-a-Lés um pouco difícil e com alguns problemas devido ao calor excessivo, este ano avizinhava-se uma prova de fogo. Tanto mais que se tratava da 25ª edição, uma data que tínhamos de assinalar com uma grande festa" referiu Manuel Marinheiro, logo exibindo um largo sorriso para rematar: "E penso que foi o que aconteceu, mesmo com a chuva!"

Para o responsável máximo da organização, os comentários de todos foram a prova do acerto das mudanças e da capacidade de reação dos elementos da Comissão de Mototurismo da FMP. "Todos com quem falei o longo dos dias estavam satisfeitos e, no final, muitos foram a dar os parabéns de viva-voz a esta organização. Depois de 3 dias marcados pela chuva e uma última etapa com um tempo fantástico, com uma receção plena de sol no Algarve, a satisfação geral era bem percetível. Aliás, de um ponto de vista global, todos os dias foram muito bons, com um percurso ótimo e os Oásis a um nível muito elevado. Só espero que todos, mas mesmo todos, tenham gostado tanto deste Lés-a-Lés como eu!"

"A chuva é toda uma nova experiência"

Sensação curiosa sentida por toda a ampla equipa organizativa foi a de que os 2250 participantes estiveram muito contentes nos primeiros dias, apesar das condições climatéricas desfavoráveis. Uma perceção partilhada por Manuel Marinheiro, reconhecendo que "talvez pelo facto de, para muitos dos participantes, ser um grande desafio e uma aprendizagem. Até porque, a menos que seja feita uma utilização diária da moto, normalmente as pessoas só vão passear quando está sol. Por isso tiveram aqui uma experiência nova e esse é também, o espírito do Portugal de Lés-a-Lés. De resiliência de superação, de aprender a andar em todas as condições, incluindo conduzir à chuva. Tudo correu bem e todos os motociclistas aprenderam algo que os ajudará a ser condutores ainda mais seguros".

Perante um céu quase sempre carregado, de um impenetrável cinzento-escuro, descarregando quantidades bíblicas de água, uma nota particularmente importante para quem dá horas e horas de grande esforço em prol da camaradagem, da solidariedade e da... diversão. "Os motoclubes são essenciais para o LaL", sublinhou o presidente da Federação de Motociclismo de Portugal, acrescentando que "são peças imprescindíveis na engrenagem, ajudando a controlar a caravana e garantindo uma animação constante ao longo de todo o percurso. Estiveram, uma vez mais ao seu nível, simplesmente fantásticos, e em nome de todos os motociclistas deixo, também a eles, o meu muito obrigado! Voltamos a ver-nos em 2024"