O Portugal de Lés-a-Lés é uma aventura anual mototurística que desde 1999 concilia a resistência física à vertente turística com o objectivo de cruzar Portugal de extremo a extremo contemplando paisagens e lugares de enorme esplendor. Aquela que se tornou a maior caravana mototurística do mundo passou agora também a pontuar para o World Touring Challenge da FIM!

 
6º Portugal de Lés-a-Lés Offroad (2021)
Montalegre - Covilhã - Borba - Lagoa
De 1 a 4 de Outubro de 2021

Estão esgotadas as inscrições para o 6º Portugal de Lés-a-Lés Off Road 2021 que vai acontecer de 1 a 4 de Outubro. Se ainda não encontrou alojamento pode consultar a agência de Viagens Abreu pelo e-mail: turismoativo@abreu.pt Se necessita de um serviço de transporte de motos pode requisitar através do e-mail: nunoleotte@gmail.com

Os horários já estão disponíveis para consulta nesta página.

Qualquer dúvida estamos ao seu dispor em: Federação de Motociclismo de Portugal - Largo Vitorino Damásio, 3 C - Pavilhão 1 - 1200-872 Lisboa - Telf: 213936030 - Fax: 213971457 www.fmp.pt / geral@fmp.pt

O Lés-a-Lés Off-Road é feito à medida de todos, contudo a característica Off-Road deste tipo de aventura leva a que seja mais exigente para com o piloto e a máquina. Recomendamos por isso que os participantes tenham já alguma experiência em Off Road e noções básicas de mecânica, para desfrutarem ao máximo cada etapa desta grande aventura.

 
23º Portugal de Lés-a-Lés (2021)
De 2 a 5 de Junho de 2021

Sorrisos genuínos de participantes e populações foram prémio maior para a organização do 23.º Portugal de Lés-a-Lés

Sucesso em todas as frentes

Se 2020 assistiu à edição de resiliência e do querer, da inquebrantável vontade da organização em colocar na estrada o Portugal de Lés-a-Lés, 2021 provou a importância do evento que a Federação de Motociclismo de Portugal promove há 23 anos. O sucesso foi, mais do que nunca, medido em sorrisos, valor intangível em termos de retorno financeiro, mas que deixou todos de coração cheio. Todos! Dos elementos da eficaz máquina organizativa aos cerca de 2500 participantes, passando pelos elementos das autarquias, freguesias e clubes que apoiaram a grande maratona e, sobretudo, das populações atravessadas pela enorme e heterogénea caravana.

Foram 1027 quilómetros de descoberta e alegria, de História e boa disposição. Incapazes de resistir ao chamamento da grande aventura, atores, músicos, desportistas e outras personalidades marcaram presença na maior festa do mototurismo nacional, alinhando no 23.º Portugal de Lés-a-Lés. Uns pela primeira vez, outros com milhares de quilómetros de experiência, partilharam a estrada com mais 2500 mototuristas que, durante três dias, ligaram Chaves a Faro, com paragem em São Pedro do Sul e Abrantes. Evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal e que, pela primeira vez, assumiu um formato temático, em redor da 3.ª maior estrada do Mundo, a N2.

REPORTAGEM

Promessas de aventura x2

Em verdadeira fórmula de sucesso garantido, a Federação de Motociclismo de Portugal apresentou o 23.º Portugal de Lés-a-Lés, desvendando um percurso que oferece autêntico ‘dois-em-um’. De 2 a 5 de junho, entre Chaves e Faro, com paragens anunciadas em São Pedro do Sul e Abrantes, a grande maratona mototurística volta a atravessar o País com a novidade de, pela primeira e única vez, o fazer ao longo da cada vez mais procurada estrada Nacional 2, ajudando muitos a concretizar um duplo desejo. Novidades comunicadas durante uma sessão online onde o mote “Muito mais que a N2” foi sublinhado ao longo da minuciosa descrição de um trajeto que, sempre ao longo da antiga espinha dorsal do sistema rodoviário nacional, vai derivar muitas vezes, na descoberta de praias fluviais e miradouros, centros históricos e campos de batalha, castelos e outros monumentos.

Ou seja, para muitos que queriam cumprir os 738,5 km da 3.ª maior estrada do Mundo, a Comissão de Mototurismo da FMP juntou agora a possibilidade de o fazerem de uma forma ímpar, proporcionando ao mesmo tempo a presença num evento único como é o Lés-a-Lés. Uma travessia de Portugal Continental onde as monótonas autoestradas, as incaracterísticas SCUT ou os poucos interessantes Itinerários Principais e Secundários são preteridos em favor das mais pitorescas estradas nacionais e regionais ou mesmo de surpreendentes caminhos municipais. Ao todo, mais de 1000 quilómetros em 4 dias de puro prazer de condução e descoberta, num evento apoiado pela Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 e com os patrocínios da BMW Portugal, BP, Viagens Abreu, NEXX, Via Verde e Dunlop. E que já tem as inscrições abertas, exclusivamente no site www.les-a-les.com, prolongando-se até 15 de maio, mantendo-se o limite do pelotão nos 2000 participantes. Número que até poderá obrigar a fechar as inscrições mais cedo! E, como de costume, os primeiros a inscreverem-se, partirão na frente do grande, divertido, heterogéneo e animado pelotão.

Já está na estrada o 23.º Portugal de Lés-a-Lés e foi até à fronteira

Com um pé cá e outro lá…

É, de há cinco anos a esta parte, quando o atual formato de quatro dias substituiu o prólogo mais duas etapas, uma data diferente, marcado pelo reencontro de amizades de longa data. Ou dos amigos que se fizeram no ano passado. É dia do Passeio de Abertura do Portugal de Lés-a-Lés que, na 23.ª edição, rodará, pela primeira vez, em torno de um tema. Ou melhor ao longo dele. Da N2, essa estrada mítica que é a 3.ª mais extensa do Mundo, com 738,5 quilómetros entre Chaves e Faro. Mas o Lés-a-Lés é, sempre, diferente! E em 2021, com entusiasmo acrescido depois de meses de infindável fome de estrada, será ‘Muito Mais Que a N2’.

Claro que, para que tudo decorra na máxima segurança e respeito pelo Código da Estrada, motos e condutores passaram pelas Verificações Técnicas e Documentais, pró-forma cumprido dentro das mais estritas regras de segurança sanitária. Mas nem as máscaras ou os abraços virtuais beliscaram a animação do reencontro antes do arranque rumo a um percurso pelas serranas aldeias do concelho de Chaves, entre soutos de centenários castanheiros e rotas onde os contrabandistas ganhavam o sustento da família. Nada menos de 96 km de deslumbramento, de prazer de condução e de uma alegria em cada aldeia como há muito não se sentia.

Arranque condizente com a resiliência e majestosidade do Lés-a-Lés, bem vincada na concretização da edição 2020, marcada por inúmeras limitações e dificuldades, a passagem pela milenar Ponte de Trajano. E não é todos os dias que um veículo motorizado pode passar a ponte pedonal criada pelos romanos, tal como os muitos troços de calçada romana que por aqui vão resistindo ao passar dos séculos.

As fotos no marco Zero que vão para todo Mundo

Mas, para começar, nada como a passagem pelo marco zero da N2, com mais uns milhares de fotografias para a posteridade daquele que é um dos pontos mais fotografados pelos mototuristas portugueses e pelos muitos estrangeiros que aqui acorrem em número crescente. Só nesta edição do Lés-a-Lés, além de muitos e cada vez mais espanhóis, motociclistas que vieram desde França, Itália, Hungria, Suíça, Alemanha, Inglaterra ou Bélgica, para, logo de entrada, apreciarem a vistas desafogadas sobre o vale do Tâmega até ao lado de lá da fronteira, a partir do Miradouro de São Lourenço. Momento de deslumbre ligeiramente ensombrado pelo aberrante castelo que um americano está a construir à imagem das fortificações do Séc. XII para tornar num polo de atração turística. Mais modesta, mas bem terrena e simpática, a sede do Clube Motard de Chaves, presidido por Filipe Carvalhal, recebeu a longa e heterogénea caravana, que vai desde as pequenas Sachs V5, Casal e Zundapp XF-17 de 50 cc ou várias Honda 125 PCX até às maiores Honda Gold Wing de 1800 cc, passando por muitas BMW (a marca mais representada) num carrossel de modelos, cores e cilindradas bem diversificados.

Mas nem só de N2 vive o Homem, tão pouco o Lés-a-Lés. Mesmo sendo este um passeio temático teve, logo no primeiro dia, um toque de diversidade na bonita EN 103, que liga Viana do Castelo a Bragança, antes da passagem pelo castelo em Santo Estêvão, uma das três fortificações que existem no concelho, palco de muitas investidas das tropas castelhanas e onde o Rei D. Afonso II viveu na sua juventude. Passagem ainda pelo Castelo de Monforte de Rio Livre, epicentro do concelho e de onde se avista uma paisagem deslumbrante, que bem valeu a passagem pelos caminhos de terra batida, ou pela curiosa pedra bolideira em plena serra do Brunheiro. Um enorme bloco granítico de forma arredondada, com mais de 3 metros de altura e cerca de 10 de comprimento, que, mesmo pesando várias toneladas, é possível mover apenas com um empurrão de qualquer pessoa. E muitos o comprovaram.

Arte de um flaviense em todo o seu esplendor

Num dia de temperatura agradável para a ‘prática da modalidade’, com o sol tímido a garantir uma fresca agradável para andar de moto, deleite com pormenores de histórica beleza em aldeias como Faiões, Oucidres, Mairos ou, outras ainda, carregadas de estórias transfronteiriças, Vilarinho da Raia, Vilarelho, Cambedo e Soutelinho da Raia. Onde bombardeamentos das tropas franquistas, aventuras de contrabandistas ou povoações onde se fala uma espécie de dialeto luso-galaico foram alvo de toda a atenção

Regresso a Chaves, com passagem pelo Forte de S. Francisco e, num registo mais artístico, a possibilidade de visitar o Museu Nadir Afonso, o flaviense nascido em finais de 1920 e que faleceu poucos dias depois de completar 93 anos. Foi arquiteto e filósofo, mas foi a pintura que o tornou mais conhecido, estando agora toda a riquíssima obra bem exposta, beneficiando da riqueza da luz natural em ambiente ímpar criado por Siza Vieira. E houve, também, quem optasse por descobrir os vestígios medievais da Igreja Matriz ou, os mais preguiçosos, dados a outras descobertas, pelas famosos e originais Pastéis de Chaves Produto de pastelaria com Indicação Geográfica Protegida (IGP) a nível nacional desde 2012, e pela União Europeia desde 27 de maio de 2015.

Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, realça importância do Portugal de Lés-a-Lés em ano de pandemia

Descansar nas termas como reis

Os tesouros mais ou menos escondidos de Portugal, ou, simplesmente, quase ignorados por muitos portugueses são, afinal, uma das receitas para ultrapassar a crise económica instalada por força da situação pandémica que ensombrou o Mundo no último ano e meio. À diversidade e beleza natural da maioria das regiões do País, juntam-se atrativos de peso para a promoção do turismo seja de origem nacional ou internacional. Na sua 23.ª edição, o Portugal de Lés-a-Lés juntou ainda mais trunfos para contribuir na dinamização do interior, criando a primeira edição temática da grande maratona mototuristíca, a maior do género em toda a Europa.

Em conjunto com a Associação de Municípios da Rota da estrada Nacional 2 (AMREN2) e com autarquias atravessadas, renovou o desafio da travessia do mapa continental, de Chaves a Faro, utilizando exatamente essa via estruturante, a terceira maior do Mundo em termos de extensão. Mas juntou outros atributos a este passeio motociclístico, a começar pela divulgação das regiões termais. Na primeira etapa do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal, a ligação entre Chaves e S. Pedro do Sul tocou nada menos que cinco locais onde brotam essas nascentes de águas medicinais. Em dia de carvalhais e bosques seculares, das estradas mais recortadas em redor da N2, de aldeias graníticas e vales encantados, a longa e heterogénea caravana atravessou Vidago e Pedras Salgadas, logo à saída de Chaves, passando ainda em Carvalhal, já no distrito de Viseu, pouco antes da chegada às milenares águas curativas que atraem cerca de 16 mil aquistas por ano.

As curas pelas águas e… pelas motos

A ‘jogar em casa’ esteve o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto que ao chegar a casa, ao seu distrito, «a um concelho vizinho de Viseu e que tão bem conheço», não deixou de manifestar grande satisfação por sentir o impacto imediato deste evento motociclístico em que, enquanto membro do executivo, participa desde 2017». João Paulo Rebelo confirmou junto do presidente da autarquia que «a capacidade hoteleira de S. Pedro do Sul – e que é bem significativa – estava completamente esgotada. Até porque», acrescentou, «é importante ir animando a economia, algo que é bem necessário para mais rapidamente conseguirmos ultrapassar estes momentos menos bons».

Um dia de termas e de serras antes da passagem para as planícies alentejanas que contou com 245 quilómetros repletos de motivos de interesse, que levaram os aventureiros a fazer-se à estrada bem cedo, com os primeiros participantes a arrancarem às 6 horas de Chaves. Partida madrugadora que conferiu outra mística aos primeiros bosques atravessados e sublinhou a imponência arquitetónica do Palace Hotel de Vidago, em tempos tido como o mais luxuoso de toda a Península Ibérica, ou do Hotel Avelames, em Pedras Salgadas, frequentado pelo Rei D. Carlos que se ali hospedava quando ia a banhos. Saída pela fresquinha que ajudou também a que as pequenas cinquentinhas do animado grupo de Santo Estevão que há muitos anos participam no Lés-a-Lés não aquecessem em demasia. E por lá foram, no seu inconfundível zumbido, galgando quilómetros rumo ao centro do País.

Com um pelotão cuja passagem leva cerca de seis horas, aqueles que partiram mais tarde escaparam à frescura matinal num dia marcado pelo verde de tom forte, pintalgado pelo amarelo-limão das flores das giestas (Cytisus striatus) mais conhecidas como maias, em contraste com a limpidez de um céu azul bem claro onde surgiam, aqui e ali, algumas nuvens que mais pareciam algodão bem fofo. Um dia fabuloso para andar de moto, com inúmeras saídas e regressos à N2, sempre por estradinhas não menos agradáveis e ainda mais surpreendentes.

Prazeres em todos os sentidos

Dia variado em termos de gastronomia, com destaque para o doce de castanha e a empada de cogumelos, em Vila Pouca de Aguiar, ou o famoso bolo podre de Castro Daire, onde todos os sentidos foram premiados. Além do paladar, oportunidade única para usufruir de um aroma único de primavera ou da visão prazenteira da descida rumo a Pontido, onde está sedeada a mais antiga banda de Música do País, criada em 1765. Vila Real foi a paragem seguinte, com um olhar sobre as emblemáticas bancadas do antigo circuito de velocidade, que tantas corridas de carros e motos acolheu, e as ruínas do castelo que serviu de berço à cidade, num promontório cujas escarpas deixam ver o encontro entre o rio Cabril e o Corgo. Por descobrir (ou revisitar) ficaram os não menos famosos covilhetes ou as cristas de galo… num dia de descobertas de verdadeiros oásis no meio das serranias como a praia fluvial de Fornelos, no rio Aguilhão. Onde o ex nadador olímpico Nuno Laurentino (1996, Atlanta e 2000, Sidney) só não parou para mergulhar porque estava demasiado entusiasmado com o percurso. Encartado desde 2017 «propositadamente para fazer o Lés-a-Lés» volta a cada ano para «perfurar o País como não é possível fazer de outra forma». O nadador que chegou a ter em simultâneo, mais de metade dos recordes lusitanos e que conta com mais de uma centena de títulos nacionais, reconhece que «o maior prazer é encontrado nas estradinhas interiores, estreitas, mas muito recurvadas, praticamente sem trânsito». Como aquelas que levaram a passar pela Nossa Senhora do Viso ou por Fontes, terra do Xassos Urban Cup, essas alucinantes corridas de motorizadas onde só os mais intrépidos vencem.

Menos intimista, a descida para a Régua, com paisagens de deslumbramento absoluto a cada curva, seguindo-se a subida até à monumental cidade de Lamego, palco ideal para arredondar os pneus. Mais tranquila a passagem pela Senhora dos Remédios ou pelo Rio Balsemão, um dos 13 referenciados na edição especial do Passaporte que serve como comprovativo do cumprimento da totalidade do percurso, recolhendo carimbos em cada um dos 35 concelhos atravessados. Tempo ainda para uma agradável e muito interessante visita ao Centro de Interpretação da Máscara Ibérica, em Lazarim, onde estão expostos muitos exemplares de máscaras talhadas em madeira de amieiro, antes da passagem por Castro Daire rumo à Serra de Montemuro. Das aldeias mais altas de Portugal Continental, superando mesmo os 1120 metros do Sabugueiro (Gralheira está a 1130 metros de altitude) desceu a caravana, longa de 2250 motos e mais de 2500 motociclistas, até São Pedro do Sul, ainda a tempo de aproveitar a oferta de uma experiência em termas que contam mais de dois mil anos de existência e reconhecimento, e que, então apodadas de Caldas Lafonenses na Vila do Banho, recebiam amiúde D. Afonso Henriques para recuperar das mazelas de muitas batalhas. E onde os motociclistas repousaram no final da 1.ª etapa, plena de emoções, preparando-se para regressar à estrada em viagem longa de 299 quilómetros até Abrantes, ponto terminal da 2.ª jornada do 23.º Portugal de Lés-a-Lés.

Das serras às planícies, com passagem pelo Centro de todos os encantos

Como é variado o nosso Portugal

Um dia diversificado, com subidas a miradouros e descidas a praias fluviais, com palácios centenários e fortalezas milenares. Assim foi a 2.ª etapa do 23.º Portugal de Lés-a-Lés, com 299 quilómetros na ligação de São Pedro do Sul a Abrantes. Transição da rude paisagem serrana a norte para as douradas planícies alentejanas, deixando para trás bosques e carvalhais e penetrando no reino do eucaliptal.

Retomada a aventura onde havia ficado na véspera, saiu a caravana da Capital do Termalismo fazendo a devida vénia à passagem pelo nobre Palácio do Marquês de Reriz, onde a Rainha D. Amélia e o Rei D. Carlos I mais os Príncipes Reais, Luís Filipe de Bragança, Maria Ana de Bragança e Manuel II de Portugal, pernoitavam quando vinham a banhos, em finais do século XIX. A arquitetura barroca deste palácio de longa fachada e linhas sóbrias passou quase despercebida ao rapidíssimo grupo das cinquentinhas de Benavente e St.º Estevão. É que as Famel XF-17, Sachs V5, Sachs Fuego e Sachs Motozax de Telmo Costa, Carlos Cachulo, Tiago Francisco e Vítor Ferreira passaram por ali ainda a noite estava, parcimoniosamente, a ceder o seu lugar ao dia.

Dealbar de uma etapa que haveria de prosseguir por Viseu, com tempo para espreitar a imponência dos muros de terra batida da cava do Viriato ou a majestosidade da Sé Catedral, paragem em estreia absoluta na aventura organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal. E que, desde logo, deixou em muitos participantes a vontade de voltar, quanto mais não fosse para descobrir essa fortaleza com 2 quilómetros de taludes em terra batida, rodeados de um fosso defensivo, com uma forma de octógono perfeito – dos quais seis lados continuam em condições de ser visitados – e que terá sido criado como acampamento militar na época romana, nos Séculos II ou I A.C.

Deixando para trás as muitas rotundas viseenses, passagem dos carvalhais para o reino do eucalipto, entre Tondela e Vila de Rei, onde as divertidas curvas da N2 ajudam a disfarçar tão desinteressante paisagem, minimizada pelo bem tratado centro de Santa Comba Dão. Onde o grande ajuntamento de motos levou grande parte da caravana a seguir o conselho para degustar o reforço alimentar ali oferecido, mais adiante, na Barragem da Aguieira, a comemorar os 40 anos de entrada ao serviço. Obra imponente inserida numa localização privilegiada, com cerca de 90 metros de altura, retendo as águas do Mondego para criar uma albufeira que se estende por mais de 2000 hectares abrangendo os concelhos de Carregal do Sal, Mortágua, Penacova, Santa Comba Dão, Tábua e Tondela. E se, inicialmente, a água aqui travada de destinava essencialmente ao abastecimento das populações, à irrigação agrícola, à regulação do próprio caudal do rio e, claro, também à produção de energia elétrica, hoje oferece ainda condições de eleição para as mais diversas atividades aquáticas, de lazer ou desporto.

Da grandeza do Mondego ao paraíso do Alva

Dimensão imponente do maior rio de curso inteiramente em Portugal em contraste absoluto com o pequeno e bucólico paraíso encontrado na praia fluvial do Vimieiro, nas margens do rio Alva que, nascido na Serra da Estrela, atravessa paraísos como a carismática Ponte das Três Entradas ou as belíssimas aldeias de xisto, antes de desaguar no Mondego. Ali, num cenário ímpar, tempo para uma água (de Penacova, pois claro) e um delicioso pastel de Lorvão, doce conventual à base de amêndoa e ovos, nascido pelas mãos das freiras do Mosteiro de Santa Maria de Lorvão, e que deliciou os 2500 participantes neste 23.º Portugal de Lés-a-Lés como outrora conquistou o General Wellington que por aqui andou aquando da sua defesa dos interesses portugueses na Guerra Peninsular.

Seguindo ao longo do Mondego, tempo para apreciar a monumental Livraria do Mondego, obra que foi esculpida pela natureza desde há mais 400 milhões de anos, cientificamente falando assentadas de quartzíticos do Ordovícico dispostos quase verticalmente, como se de livros numa estante se tratasse. Sem tempo ou vontade para grandes leituras, seguiu a caravana rio abaixo, rumo a Vila Nova de Poiares e passagem pelo alto da Sr.ª da Candosa antes da paragem em Góis. Claro que era impensável passar por terra tão acolhedora, simpática vila com mais de 800 anos de história, sem visitar a sede o Moto Clube de Góis e o relaxante Parque do Cerejal. Onde, aproveitando a frescura do rio Ceira, se podia piquenicar (e que deliciosas estavam as Gamelinhas de Góis, com equilibrada mescla de paladares entre o mel, castanha, noz e canela!) ao mesmo que era possível descobrir as novidades da coleção 2021 dos capacetes NEXX. Para aqueles que não estavam ainda com apetite suficiente, surgia a possibilidade de paragem mais adiante, nas praias fluviais em Tulhas da Cabreira, no Colmeal ou em Alvares, onde às águas cristalinas se juntam a uma paisagem única e a curiosidades arquitetónicas como lagares de azeite, moinhos de água, pontes seculares (caso da do Soito, onde outrora passava a N2) ou as tulhas, pequenas construções em xisto, onde antigamente se guardavam as azeitonas.

Rumo ao Tejo… mas sem o atravessar

Seguia assim, rumo a sul, o internacional pelotão, onde os motociclistas portugueses eram acompanhados por matrículas de todo o Mundo, da vizinha Espanha às mais afastadas ilhas britânicas, mas também do Luxemburgo, França, Suíça, Alemanha ou Itália. Além de amigos de Cuba, Brasil ou Angola numa das mais internacionais caravanas de sempre, deleitada com paisagens como as oferecidas no miradouro da Sr.ª dos Milagres, por onde passava a N2 antes de descer pelos ganchos em calçada escorregadia até à Ponte Filipina. Ancestral travessia do Zêzere – inesquecível para os participantes do 18.º Lés-a-Lés! – antes da construção da Barragem do Cabril, iniciada em 1950, agora utilizada na viagem com a Sertã como destino. Nome nascido de uma lenda com toques gastronómicos já que tal se deveria ao utensílio que a jovem princesa Celinda defendeu o castelo do assalto das tropas romanas, primeiro com o azeite que fervia para cozinhas os ovos e depois com a própria sertã quase brasa. Estória que parece ter aberto o apetite para o lanche desfrutado nas margens da Ribeira da Sertã, com direito a travessia da ponte da Carvalha, construída no Séc. XVII em plena Dinastia Filipina.

Com o tempo a aquecer, a passagem por Vila de Rei e a obrigatória subida ao Centro Geodésico de Portugal, marco inesquecível das duas primeiras edições do Portugal de Lés-a-Lés que por aqui passaram à meia-noite, exatamente a meio das 24 horas gastas na ligação entre os dois extremos do mapa Continental. Um ponto determinado há mais de dois séculos (em 1802), com equipamentos escassos e de precisão infinitamente menor que atualmente mas que, só muito recentemente, levantou alguma dúvida com um estudo matemático a determinar o centro geométrico do País ligeiramente ao lado, no concelho de Mação. Polémicas à parte sobre o umbigo de Portugal, a verdade é que no alto do Picoto da Milriça, mesmo ao lado do Museu da Geodesia, está a coordenada zero em termos cartográficos, sendo a partir daquele ponto que são feitas as medições da cartografia nacional. Está, pois, localizado no concelho de Vila de Rei, o mesmo que ofereceu não só um apetitoso lanche como locais espetaculares para o degustar. Da aldeia de xisto de Água Formosa, aos miradouros das Fragas do Rabadão, com vistas sobre o Zêzere, ou no miradouro e praia do Penedo Furado, verdadeiros ex-libris do concelho

Já com o dia longo, teve a caravana direito a brinde especial à passagem do Sardoal, com inesquecível festa da população à passagem da heterogénea e colorida caravana, com indicações em todas as viragens dentro da pequena e lindíssima povoação. Ficaram assim os motociclistas mais à vontade para retribuir aos acenos e aplausos da população, com destaque para as muitas crianças que, em alegre algazarra, acolhiam os aventureiros da maior maratona mototurística da Europa. Uma última paragem para a fotografia no oásis com vista so montados, antes do final em Abrantes, na margem direita (ou norte..) do Tejo, preparando a mudança na paisagem e na viagem, guardada para a última tirada deste 23.º Portugal de Lés, com destino a Faro.

Maior maratona mototurística da Europa saldou-se por sucesso absoluto

Das longas retas às curvas de enorme prazer

Foi um dia quente, muito quente, com temperaturas acima dos 30.º centígrados durante a maior parte da 3.ª e última etapa do 23.º Portugal de Lés-a-Lés, aquela que levou o pelotão com quase 2500 motociclistas de Abrantes até Faro. Uma jornada, longa de 387 quilómetros, que começou com o a passagem pela charneca antes das longas retas alentejanas, entrecortadas por escapadinhas à descoberta de surpreendentes tesouros de paisagens e monumentos pouco conhecidos. Porque, esta edição, a primeira de cariz temático, garantia “Muito mais Que a N2” mesmo se, qual cereja no topo do bolo, terminou com 56 km de absoluto prazer de condução ao longo das curvas da Estrada Património, autêntico paraíso para milhares de motociclistas que anualmente aqui vêm arredondar os pneus.

Um dia de enorme diversão para os mais experientes, como Hélder Alves que vai na nona participação, sempre aos comandos de uma Jawa 250 fabricada em 1952, “e que voltou a terminar sem qualquer problema», como dos estreantes, mesmo sendo ex-pilotos. Como Luís Filipe Santos que, depois de deixar as pistas de motocrosse em 2012, e os trilhos de enduro em 2014 adorou «uma experiência realmente diferente, com um ambiente muito salutar e onde é visível o prazer em andar de moto, mas também em estar com os amigos, e assim comungar da paixão mototurística de uma forma ímpar».

Com Abrantes pelas costas, a travessia do Tejo foi, para muitos, o despertar para uma etapa de vistas largas, de paisagens com longínquo fio de horizonte e retas a perder de vista. E muitas surpresas, sim, porque há sempre surpresas nos eventos delineados pela Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal, como a passagem pela modernaça ponte pedonal de Ponte de Sor ou a travessia na Ribeira do Andreu que deu para mais do que simplesmente arrefecer motores. Muitos houve que também ficaram com os pés frios depois de molhados nas gélidas águas matinais de um dos afluentes da Ribeira de Sor.

Fortunas e contas de outras letras

Manhã fresca antes de uma tarde que haveria de ser abrasadora, através de um Alentejo que parecia aguardar a passagem da caravana para transformar em amarelo seco, o verde dos cereais, com colheita adiada por força das chuvas tardias. E continuaram as surpresas, seguindo com a fortuna da freguesia de Galveias, uma das mais ricas do País graças à herança deixada há 50 anos pelo comendador José Godinho de Campos Marques, e que tem no escritor José Luís Peixoto, um dos galveenses mais ilustres, e, logo a seguir, a extrema simpatia de Aldeia Velha que viveu o maior engarrafamento da história. Bem menor a confusão na passagem por Ciborro, única localidade na N2 que tem um marco miriamétrico das centenas. E logo do km 500, sendo o único em mármore, principal fonte de sustento da região.

Montemor-o-Novo e o altaneiro castelo, a passagem por um troço da original N2, com direito a cruzamento com uma linha de água que, em invernos normais, torna impraticável a estrada por inundação, foram as notas seguintes de um road-book que até poderia ter uma página inteira dedicada á Gruta do Escoural. Não fosse dar-se o caso desta ser uma caravana de dimensões recordistas, inviabilizando qualquer possibilidade de visita ao espaço. Menos limitações no jardim central de Alcáçovas, onde a doçaria regional fez as delícias de todos. Tal como aliás o Museu dos Chocalhos, instalado no Paço dos Henriques, onde foi selado o acordo em que Portugal e Castelo dividiram o Mundo na horizontal com linha logo abaixo das Canárias.

Histórias que abriram o apetite para o lanche oferecido no Oásis Honda, na Barragem de Odivelas, construída em 1972 com água represada da ribeira de Odivelas, usada principalmente para a irrigação, tem um paredão com 500 metros de comprimento e 55 metros de altura, com depois desaguar no rio Sado depois de cumprir os 70 km desde a nascente. Imponente também as minas de Aljustrel, terras esventradas desde o tempo dos romanos, com centenas de quilómetros de túneis ramificados ao longo de extensa área. Uma zona que guarda outras memórias de tempos ancestrais, como a sangrenta batalha de 1139, quando D. Afonso Henriques venceu exército muito mais numerosos dos reis mouros de Sevilha Badajoz, Elvas, Évora e Beja. Mural de S. Pedro das Cabeças, recordada no Mural de S. Pedro das Cabeças. Batalha de Ourique que, pelo significado que encerra e pelas características simbólicas a que está associada, é a principal lenda épica da história portuguesa: a gesta de D. Afonso Henriques que, sob a proteção divina, dá corpo ao ato heroico e audaz de pelejar e derrotar o inimigo mourisco, lançado os alicerces que sustentam a identidade nacional. Claro que depois ia curar-se para as Termas de S. Pedro do Sul…

Painel bem diferente, muito mais pacífico, à entrada de Almodôvar, com a representação mototuristas no adeus às planícies deste Lés-a-Lés, entrando na Estrada Património, pouco mais de meia centena de quilómetros (56 km para ser rigoroso tem o troço classificado em 2003), de absoluto prazer de condução até S. Brás de Alportel. Localidade onde a Casa da Memória da N2 guardava o penúltimo carimbo, começando a deixar, desde logo, saudades de mais um Portugal de Lés-a-Lés. Que, desta feita, terminou em Faro onde 35 carimbos em passaporte exclusivo substituíram os tradicionais controlos com os alicates sendo certo que, em 2022, a apital algarvia será palco de partida para mais uma edição da grande aventura.

 
5º Portugal de Lés-a-Lés Offroad (2019)
Vila Pouca de Aguiar - Pampilhosa da Serra - Coruche - Praia de Faro
De 2 a 5 de Outubro de 2019

Apontado pelos mais experientes como o mais exigente dos cinco Portugal de Lés-a-Lés realizados, a edição de 2019 teve o condão de transformar em sorrisos toda a dureza encontrada ao longo dos quase 1000 quilómetros de ligação entre Vila Pouca de Aguiar e a ilha de Faro, com passagem pela Pampilhosa da Serra e Coruche. Bem avisados, desde o primeiro momento, pelo presidente da Comissão de Mototurismo, António Manuel Francisco, «das dificuldades do percurso, exponenciadas pela escassez de chuva nos últimos meses e pelas elevadas temperaturas, contribuindo para tornar os pisos mais escorregadios e poeirentos, diminuindo a visibilidade e trazendo à tona muitas pedras». Dureza que conferiu valor acrescentado ao diploma entregue a todos os finalistas do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road e aumentou desejos de regressar em 2020.

REPORTAGEM

Caravana do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road ajuda na reflorestação

Festa começa em Vila Pouca de Aguiar

Sol e temperatura amena, animação e muita simpatia na receção em Vila Pouca de Aguiar aos mais de 350 motociclistas que, de quinta-feira a sábado, cumprem a 5.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal com percurso – maioritariamente em todo-o-terreno – na ligação até Faro, com passagem na Pampilhosa da Serra e Coruche. Maratona aventureira na descoberta de um País diferente, raro aos olhos da maior parte dos portugueses, com o compromisso maior de contribuir para a reflorestação das serranias lusitanas, fortemente afetadas pelos incêndios dos últimos anos.

Por isso, em dia de verificações técnicas e documentais, em pleno coração da vila transmontana, tempo para a ‘primeira etapa’ da 3.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, aposta forte do universo motociclístico na ‘educação’ das populações para a importância da plantação de árvores autóctones. Como a maior resistência a pragas e doenças face às espécies introduzidas bem como às chuvas intensas ou longos períodos de seca, regulando o ciclo da água e a sua qualidade. Árvores que ajudam a manter a fertilidade do espaço rural e o equilíbrio ecológico das paisagens, sendo local de abrigo, alimento e reprodução de grande número de espécies animais da fauna portuguesa, algumas delas em vias de extinção. Vantagens explicadas aos quase 300 alunos do Primeiro Ciclo do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar, que ajudaram à plantação de um freixo (Fraxinus angustifolia) em pleno recreio. E, no meio da normal agitação dos mais petizes, a promessa de regressar no final de novembro, próximo do dia 23, Dia Nacional da Árvore Autóctone, aproveitando as condições climatéricas mais adequadas para entregar árvores a todos os alunos, professores e funcionários da escola para cada um plantar nos seus quintais e jardins.

Com ajuda do presidente da edilidade aguiarense, Alberto Machado, e da vice-presidente Ana Dias, foi dada aos miúdos uma interessante aula sobre a adaptação das árvores autóctones, falando do contributo para a redução do efeito de estufa, a maior resistência aos incêndios florestais complementada com a entrega de uma banda desenhada produzida especificamente para esta ocasião e contendo alguma informação mais ‘científica’ sobre as nossas espécies autóctones. ‘Aula’ com dupla repetição na quinta-feira, começando na Escola Básica D. Eurico Dias Nogueira, em Dornelas do Zêzere, às 11 horas e continuando, durante a tarde (15 h.), na Escola Básica Escalada (Escola Sede), ambas na Pampilhosa da Serra, onde serão plantados dois sobreiros (Quercus suber).

Etapas de importância maior na grande aventura mototurística que, no primeiro dia, vai levar a longa e heterogénea caravana até à Pampilhosa da Serra, ao longo de 350 quilómetros que terão na passagem pela desativada Linha do Corgo da CP, após Vila Real, na travessia do Douro Vinhateiro e na vista das imponentes paisagens da serra da Estrela alguns dos (muitos) pontos altos do dia. Pelotão recordista marcado pela forte internacionalização com 34 espanhóis – quase 10% do total de participantes – mas também com franceses, britânicos, italianos, alemães, austríacos, suíços, belgas, russos e ucranianos.

Da fria madrugada transmontana à dureza das serranias beirãs

Emoções para todos os gostos

Na primeira etapa da longa ligação que é o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, tempo para experimentar algumas das sensações prometidas pela Federação de Motociclismo de Portugal no mais aventureiro dos eventos mototurísticos em território nacional. Tempo para sentir as frias madrugadas outonais em terras transmontanas, da saída de Vila Pouca de Aguiar até às belíssimas paisagens escarpadas do rio Corgo, aproveitando a antiga linha de CP, agora desativada; ocasião também para transpirar nas difíceis subidas logo após a passagem do Douro, na Régua, cuja exigência impediu apreciar os vinhedos durienses, ou na Serra das Meadas, em Lamego; bem como para sentir a dureza acrescida pelo acelerada transformação do solo, com muita pedra solta que revela, ao longo de dezenas de quilómetros, as chagas causada pelos incêndios e pela plantação massiva de eucaliptais na zona centro.

Pelo caminho os mais de 350 participantes tiveram outras ‘surpresas’, do pequeno ribeiro, com fio de água que é reflexo fiel do período de chuva escassa mas com pedra escorregadia a exigir atenção redobrada, sobretudo para os condutores das motos maiores, até aos oásis criados pela FMP, em Moura Morta, e pela Jomoto, no Caramulo. Locais onde era possível matar a sede, comer fruta ou bem recheadas sandes, além de contar as primeiras peripécias da aventura que vai levar a grande caravana internacional até Faro. Ocasião ainda para relaxar um pouco e apreciar paisagens deslumbrantes, com passagem literalmente acima das nuvens nos longos estradões nos parques eólicos. Pistas onde José Gama pode apreciar a eficácia da Kawasaki ZX130 R, a scooter que é a mais pequena moto da 5.ª edição da longa travessia, em pelotão onde se misturam as grandes maxi-trails e as leves e ágeis enduristas: «um verdadeiro trator, com tração em todos os locais graças à embraiagem semiautomática e ao baixo peso, e que está aqui para demonstrar que esta é uma grande aventura para motos de todo o tamanho».

Aventura para todo o tipo de motos e de condutores, homens como mulheres. E que as algarvias Marta Sancho e Clara Andrade fazem questão de cumprir, «a um ritmo que permite apreciar as paisagens e ter grande diversão na condução em todo-o-terreno», como aconteceu nos belíssimos troços de Arganil e Góis. Mais à vontade nos técnicos troços das serras de Monchique e do Caldeirão, prometem «aproveitar cada quilómetro da aventura em prol de grande diversão e companheirismo», sobretudo na segunda etapa, entre Pampilhosa da Serra e Coruche, onde surgirão trajetos mais rápidos e menos massacrantes para as mecânicas como para o físico. Mas, para tratar destas maleitas, lá estão, no final de cada etapa, os mecânicos da Motoval e as terapeutas do Instituto de Medicina Tradicional, capazes de minorar as dores dos motociclistas, com massagens e outras técnicas de relaxamento e ‘reparação’ muscular.

Tanto mais que a viagem até terras algarvias ainda é longa, sendo sempre acompanhada pela 3.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, empenho da FMP e de todos os motociclistas na chamada de atenção para a importância da plantação de árvores autóctones. Depois do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar, logo no dia das Verificações Técnicas e Documentais, foi a vez da Escola Básica D. Eurico Dias Nogueira, em Dornelas do Zêzere, e a Escola Básica Escalada (Escola Sede), ambas na Pampilhosa da Serra, onde foram plantados dois sobreiros (Quercus suber). Primeiro passo antes do anunciado regresso em finais do mês de novembro, quando, aproveitando as condições climatéricas mais adequadas para plantar árvores autóctones, serão oferecidos exemplares de espécies locais a todos os alunos, professores e funcionários das escolas para cada um plantar nos seus quintais e jardins.

Travessia de Portugal em todo-o-terreno desvendou grande variedade de paisagens

Caravana a caminho do sol algarvio

Paisagens diversificadas, entre os verdejantes e frescos trilhos à saída da Pampilhosa da Serra com passagens junto ao rio Zêzere, aos troços de areia em pleno Ribatejo, mesmo antes da chegada a Coruche, passando pelos poeirentos e pedregosos caminhos da zona de Pedrogão Grande e Vila de Rei, massacrada pelos incêndios, marcaram a segunda etapa do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road. Com exigência ampliada pelas temperaturas nada outonais, antes de um bom dia de verão, foram constantes os sorrisos dos mais de 350 participantes que aceitaram o desafio lançado pela Federação de Motociclismo de Portugal. E, sempre com a mítica N2 por perto, tempo para variar entre os trilhos de todo-o-terreno e as deliciosas curvas da Estrada Património, a mais longa de Europa. Que o diga Rita Vieira, que, ainda com a participação no Trial das Nações bem viva na memória «não podia deixar de aceitar o convite da Yamaha para marcar presença num evento aliciante, sem qualquer tipo de competição e onde o maior desafio é mesmo apreciar as paisagens de um Portugal tão variado e diferente do que estamos habituados a ver quando viajamos apenas pelas autoestradas». Aos comandos da novíssima Yamaha Ténéré 700, a campeã nacional de trial e de enduro e bicampeã mundial de Bajas (2014 e 2015) estranhou, «apenas um pouco, a diferença de peso para a WR250 F» que utiliza no Nacional de Enduro, «numa moto que tem um motor fantástico, muito dócil e fácil de utilizar, encaixado numa ciclística que parece ter sido feita mesmo à medida deste evento».

Bem ao contrário da surpreendente Harley-Davidson «criada a partir do modelo 883 de 2001» e modificada por Saul Rodrigues «apenas com recurso peças originais da marca». Máquina que, contra muitas expetativas, «ultrapassou sem dificuldades de maior todos os obstáculos, do piso bastante massacrante ao longo de muitos quilómetros como da areia na parte final do dia». Vá lá que os ‘Oásis’ instalados pela FMP em Vila de Rei e pela Honda, em Ponte de Sor, ajudaram os mototuristas a recuperar forças e lutar contra o calor, seguindo viagem de forma rejuvenescida.

Paralelamente ao evento turístico que percorre o País de norte a sul, a 3.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés voltou a marcar presença junto dos mais jovens alunos das cidades e vilas visitadas pela caravana internacional. Agora foi a vez da Escola Básica e Jardim de Infância da Erra, em Coruche, onde meia centena de alunos ajudou na plantação simbólica de um pinheiro-manso (Pinus pinea), reforçando ‘estatuto’ Eco-Escolas, com uma participação bastante ativa em ações de reflorestação.

Com final marcado para amanhã, sábado, na Praia de Faro, o 5.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road vai render sentida homenagem ao malogrado motociclista Fernando Almeida, grande apaixonado pelo mototurismo e forte dinamizador do motociclismo em terras algarvias, a cuja família e amigos a Federação de Motociclismo de Portugal endereça as mais sentidas condolências.

Maior aventura do TT nacional terminou em Faro

Sorrisos em resposta às dificuldades

Apontado pelos mais experientes como o mais exigente dos cinco Portugal de Lés-a-Lés realizados, a edição de 2019 teve o condão de transformar em sorrisos toda a dureza encontrada ao longo dos quase 1000 quilómetros de ligação entre Vila Pouca de Aguiar e a ilha de Faro, com passagem pela Pampilhosa da Serra e Coruche. Depois das íngremes subidas em terras transmontanas e durienses e do calor que ampliou as dificuldades dos pedregosos pisos beirões no segundo dia, a 3.ª etapa do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal ofereceu percurso mais rolante e menos massacrante em termos físicos.

Mesmo se os longos e rápidos estradões alentejanos foram enquadrados por algumas passagens em areias ribatejanas, ainda na parte inicial, e pela tecnicamente exigente mas sempre divertida serra algarvia, já nos derradeiros quilómetros. Dia que começou bem cedo em madrugada muito fresca, com a mistura entre pó e nevoeiro a esconder paisagens bem bonitas e a criar acrescidas dificuldades na condução até Viana do Alentejo, dissimulando ainda algumas das armadilhas escondidas nos pisos arenosos, motivo de umas quantas quedas.

Ponto de paragem, o primeiro do dia, onde a Yamaha ajudou os resistentes aventureiros a recuperar as forças, antes do verdadeiro Alentejo onde vacas, ovelhas e outros animais se mostraram pouco incomodados pelo som dos motores de todo o tipo de motos. Como a improvável Triumph Street Scrambler, nunca antes vista nestas andanças, com que o lisboeta Paulo Mainha Cruz decidiu cumprir «a estreia absoluta em todo-o-terreno, bem como a navegar, com resultado surpreendente, chegando ao final sem problemas de maior». E se, «nas subidas do primeiro dia ou nos longos troços de areia da 2.ª etapa custou um bocadinho», já na derradeira tirada «tudo correu muito melhor, sobretudo na serra algarvia, mais técnica em termos de condução e bem entremeada com ligações em asfalto que permitiam descansar os braços». Juntamente com o ‘compagnon de route’ Pedro Verde, na pequena Mash 125, chegou sorridente a Faro mesmo se bem necessitado do apoio terapêutico das técnicas do IMT – Instituto de Medicina Tradicional. Que, depois de três dias de tamanha solicitação, muitos sorrisos devolveram às mais de três centenas de participantes que completaram esta maratona mototurística, ganhando motivação acrescida pelo final bem junto à praia, em dia de temperaturas não muito longe de veraneantes 30 graus centígrados.

Prémio mais que merecido para todos os que aceitaram o desafio da FMP, bem avisados, desde o primeiro momento, pelo presidente da Comissão de Mototurismo, António Manuel Francisco, «das dificuldades do percurso, exponenciadas pela escassez de chuva nos últimos meses e pelas elevadas temperaturas, contribuindo para tornar os pisos mais escorregadios e poeirentos, diminuindo a visibilidade e trazendo à tona muitas pedras». Dureza que conferiu valor acrescentado ao diploma entregue a todos os finalistas do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road e aumentou desejos de regressar em 2020.