O Lés-a-Lés Classic pretende levar a passear motos clássicas que marcaram gerações, convidando-as a sair das garagens e dos museus para que nos possam encantar novamente com todo o seu esplendor e estilos próprios, proporcionando-nos uma experiência multissensorial que não está ao alcance de museus.
Ao longo dos últimos anos tem-se assistido a uma necessidade cada vez maior de manter e preservar motos que deixaram um forte vínculo emocional nos sonhos e na vida de várias gerações de motociclistas. A evolução notável que as motos sofreram nas últimas décadas, em todas as suas vertentes, trouxe novas experiências mas acabou com outras não menos especiais. São precisamente essas experiências místicas, que desapareceram com a evolução tecnologica, que procuramos reviver nesta grande exibição dinâmica de motos clássicas que é o Portugal de Lés-a-Lés Classic.
Está aberta a 2ª e última fase de inscrições para o 2º Portugal de Lés-a-Lés Classic! Uma oportunidade de participar numa festa única dedicada ao mototurismo e às motos clássicas que nos irá contemplar com rotas e paisagens só acessíveis, através de alguns dos mais belos recônditos e desconhecidos cantos de Portugal!
As inscrições podem ser feitas através deste site clicando em "INSCRIÇÃO", até ao dia 12 de abril para o 2º Portugal de Lés-a-Lés Classic e até ao dia 17 maio para o 28.º Portugal de Lés-a-Lés, embora, à imagem do que aconteceu em anos anteriores, as inscrições possam encerrar mais cedo depois de esgotadas as vagas disponíveis, por isso não percam esta oportunidade!
A Primeira Grande Exibição Dinâmica de Motos Clássicas em Portugal
Ao longo dos últimos anos tem-se assistido a uma constante necessidade de manter e preservar motos que deixaram um forte vínculo emocional nos sonhos e na vida de várias gerações de motociclistas. A evolução notável que as motos sofreram nas últimas décadas, em todas as suas vertentes, trouxe novas experiências mas acabou com outras não menos especiais. São precisamente essas experiências místicas que desapareceram com a evolução dos tempos que procuramos reviver no Lés-a-Lés Classic.
O 1º Lés-a-Lés Classic pretende levar a passear motos clássicas que marcaram gerações convidando-as a sair das garagens e dos museus para que nos possam encantar novamente com todo o seu esplendor e estilos próprios, proporcionando-nos uma experiência multissensorial que não está ao alcance de museus.
Festa do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic começou em Bragança
Aventuras mesmo antes do arranque… da aventura
Novidade absoluta no mundo das duas rodas, o Portugal de Lés-a-Lés Classic reuniu em Bragança mais de uma centena de motos antigas e clássicas para a edição de estreia da nova aventura criada pela Federação de Motociclismo de Portugal. Que, na primeira etapa do evento, vai levar uma caravana de motos fabricadas entre 1928, a mais antiga, e 1995, ano limite para as máquinas presentes, de Bragança até Chaves.
Reunindo motociclistas portugueses e muitos espanhóis entre os 18 e os 80 anos, Beatriz Mendes é a mais jovem entusiasta no pelotão do 1º Portugal de Lés-a-Lés Classic, estreando-se nestas andanças à pendura do pai Pedro, numa Honda NSR 125 de 1992. “Super contente com a presença e com grandes expetativas sobre tudo o que vai rodear este passeio”, Beatriz reconhece que não foi difícil convencer o pai. Que, por seu turno, confessa que só reparou que a filha “ia faltar à escola já depois de fazer a inscrição. Caso contrário… vinha à mesma, de tão entusiasmada que estava”.
Uma aventura com 177 quilómetros de extensão no primeiro dia que, saindo do Castelo de Bragança, de onde partiu o 1.º Lés-a-Lés, em 1999, e também o 1.º Lés-a-Lés Off-road, em 2015, atravessará o Parque Natural de Montesinho, sempre pela zona raiana até Rio de Onor, usufruindo de estradas desertas, bosques mágicos e aldeias perdidas no esquecimento. Daí a Moimenta será um saltinho para o almoço, servido ao ar livre num local de enorme carga histórica, bem próximo do marco que dividia os reinos de Portugal, Leão e Galiza. E sempre com muitas curvas em estradas de bom piso e belíssimo enquadramento paisagístico, vai o pelotão até à romana Aquae Flaviae, com direito a exposição das verdadeiras relíquias sobre rodas no Jardim das termas.
Ponto final de uma jornada que conta com algumas das máquinas que estiveram presentes na estreia da maratona mototurística criada pela FMP em 1999 e outras que repetem a experiência. Como a Indian Scout de 1928, que Luís Pinto tinha já levado a terras brigantinas “para a partida do 10.º Lés-a-Lés, em 2008, rumo a Sagres. Se na altura não teve qualquer problema, agora, a caminho de fazer um século, está ainda mais preparada para estas aventuras”.
Mas, aventura verdadeira, bem à moda antiga, viveu Daniel Paixão que demorou quase 8 horas para a viagem entre Coimbra e Bragança. “E a moto não teve culpa, bem pelo contrário, aguentou tudo e mais alguma coisa. O problema são as modernices como o GPS que teimava em indicar o caminho pela autoestrada e IP’s onde a Macal M70 não podia andar. O resultado é que, entre outros desvios, não houve hipótese de evitar a passagem pelo meio das vinhas na zona do Douro, em percursos todo-o-terreno”.
Algo que não estava previsto para a pequena cinquentinha fabricada em 1988. Que chegou sem problemas à partida para o 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic. E que estará, seguramente, à chegada a Lamego, no domingo, depois das passagens por Chaves e Vila Nova de Famalicão, naquela que é uma oportunidade única de fazer regressar à estrada motos antigas e clássicas e com uma envolvência bem diferente do habitual.
O Gabinete de Imprensa
1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic
Chuva não roubou brilho à estreia do Lés-a-Lés Classic!
Nordeste foi palco de ode ao mototurismo
Um céu carregado de nuvens negras onde o sol apenas conseguiu mostrar-se fugazmente e de forma tímida, alguns aguaceiros intimidatórios, nevoeiro q.b. e uma temperatura que desaconselhava retirar os agasalhos não roubaram o brilho à 1ª etapa do Portugal Lés-a-Lés Classic. Tão pouco impediram os sorrisos bem abertos no rosto dos participantes na chegada a Chaves, depois de 199 km do mais prazenteiro mototurismo desde Bragança. A torre de menagem de um dos castelos fundamentais na História Nacional serviu de excelente pano de fundo às motos clássicas e antigas que dali partiram para a mais recente aventura criada pela Federação de Motociclismo de Portugal.
Forma de reviver e honrar o arranque do 1.º Portugal de Lés-a-Lés no já longínquo ano de 1999, a estreante edição Classic começou bem no coração de Bragança, com os primeiros mototuristas a saírem para a estrada debaixo de um tempo invernoso, com chuva e um céu tão escuro que só os mais otimistas conseguiam vislumbrar sinais de melhorias climatéricas. Mesmo assim ninguém se acanhou, até porque os adeptos das motos com mais anos de vida são malta de rija têmpera. Que não ficaram nada atrapalhados quando, alguns, tiveram de começar o dia com sessões forçadas de mecânica…
Foi o caso de Luís Pinto, o dono da moto mais antiga do pelotão, a Indian Scout de 1928 que fez birra depois de passar a noite à chuva, obrigando a limpar o magneto que teimava em não dar sinais de vida mesmo antes da partida. Ou a Yamaha XT600 de Bernardo Rego com o motor a falhar depois da água isolar a vela daquela que, curiosamente, era a moto mais recente do grupo (1986). E que só voltou à estrada depois da intervenção do experiente e precavido Francisco Sanchez, que trazia toda a ferramenta necessária na sua Triumph 3T de 1948. Menos sorte (ou, pelo menos, mais trabalho) teve Jorge Teixeira que, graças a um problema no carreto de uma roda teve de deixar pelo caminho o side-car da Vespa Sprint V 150. Mas conseguiu seguir viagem ainda que apenas em duas rodas…
Mas se o nevoeiro e a chuva não deixaram desfrutar de uma natureza frondosa a verdade é que criaram um ambiente único, com misticismo que quase fazia adivinhar o aparecimento de um personagem medieval após cada curva. Também por isso, o percurso foi feito com cuidados acrescidos porque estas motos, fabricadas entre 1928 e 1995, são, na sua elegância histórica, quase todas desprovidas de ABS, controlo de tração ou outras ajudas eletrónicas à condução, normais nas máquinas mais recentes.
Algo sensível no empedrado à saída do castelo de Bragança, na ponte romana de Gimonde ou em algumas das 92 aldeias espalhadas pelos cerca de 75 mil hectares do Parque Natural de Montesinho. Da quase deserta Guadramil até Rio de Onor, aldeia dividida a meias entre o concelho de Bragança e o município espanhol de Pedralba de la Pradería, pertencente à província de Zamora. De onde, sublinhe-se, partiu o original Lés-a-Lés em 1999, e onde Ângelo Moura esteve presente com a mesma Yamaha TDM 850, de 1991, que alinha agora no Classic.
No verdadeiro santuário da natureza, com autênticos bosques encantados em plena Terra Fria Transmontana tempo para apreciar verdadeiros tesouros paisagísticos derivando para a parte final da EN 308, os mais belos quilómetros desta estrada que pode proporcionar uma entusiasmante viagem de mais de 300 quilómetros até Darque (Viana do Castelo). Com o grego Zeus, o romano Júpiter ou o nórdico Thor, deuses venerados pelas respetivas civilizações quando a questão é o clima, divertidos a brincar com os participantes, o tempo ia dando umas tréguas, para, a espaços, melhor desfrutar da envolvente paisagística das excelentes estradas como a municipal M501 até França ou da surpreendente N103-7 até Meixedo, e depois o regresso à N308, rumo a Moimenta, local do já aguardado almoço.
Antes, e entre as nuvens ameaçadoras no horizonte e alguns promissores raios de sol, paragem em Vilarinho, onde o apicultor Luís Correia carrega o fardo de revitalizar a aldeia, com boa ajuda das abelhas das suas 900 colmeias. O mel e outras delícias locais foram o mote para a paragem na Apimel, funcionando como um aperitivo para o repasto que seria servido uns quilómetros adiante. E que, por força da instabilidade do tempo, trocou o aprazível parque de merendas junto à histórica Fraga dos Três Reinos (que marcava os limites de Portugal, Galiza e Leão) pela sede da Associação Cultural e Recreativa de Moimenta da Beira, onde, com a ajuda dos prestáveis elementos junta de freguesia, se criou um ambiente mais acolhedor e menos… molhado.
A festa à espera em Chaves
Mas, contrariando o dito popular de “merenda comida, companhia desfeita”, continuou a caravana rumo à romana Aquae Flaviae, com o sol a permitir que, pelos menos alguns motociclistas, tirassem o melhor partido de um ambiente que pouco tem a ver com o Lés-a-Lés original. Ambiente bem mais sereno, com condutores maduros, mais interessados em desfrutar das paisagens e das próprias motos do que comerem quilómetros… só porque sim.
Por isso, nada melhor que aproveitar as curvas da larga e bem desenhada N103, atravessando os lugares de Salgueiros, Zido, Sobreiró de Baixo, Curopos, Rebordel, antes da travessia do curioso rio Rabaçal que não tem nascente nem foz. É criado pela união das águas de vários regatos galegos e, ao juntar-se ao Tuela, ganha o nome de de rio Tua. Travessia ainda de Lebução, Bolideira (que alguns aproveitaram para descobrir a curiosidade geológica com o nome do local, uma pedra de várias toneladas que é possível fazer balançar com um dedo apenas…), Águas Frias e Faiões antes chegada triunfal ao Jardim das Termas. Onde, depois da amizade do Moto Cruzeiro de Bragança, na véspera, foi a vez do Grupo Motard de Chaves fazer as honras da casa, com uma receção como só os transmontanos sabem proporcionar.
Tempo de confraternização (com o sol a agraciar todos os participantes do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic depois de um dia ‘temperamental’) com os ‘obrigatórios’ Pastéis de Chaves acompanhados por umas cervejas e conversas à volta as motos estacionadas na Alameda do Tabolado. De onde partirão, na manhã de sábado, para a segunda etapa, com 165 quilómetros de estradas entre o pitoresco dos carvalhais do Barroso e das aldeias de terras de Basto e a ponta final no industrializado do Vale do Ave. Pelo meio, duas visitas de sonho a coleções particulares de motos antigas, pontos altos de um dia que promete mais uma dose soberba de mototurismo.
O Gabinete de Imprensa
1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic
Chuva, museus e estradas fabulosas no Lés-a-Lés Classic!
Dia de grandes paixões clássicas
Se os motociclistas são pessoas especiais, aqueles que professam a paixão pelas motos clássicas e antigas são realmente únicos. Não fraquejam perante as mais inclementes condições climatéricas, tão pouco desistem quando surgem problemas mecânicos. E mais: andam sempre com um enorme sorriso no rosto! Mesmo perante chuva, saraiva, chuvinha, nevoeiro, aguaceiros ou granizo como o que caiu durante a ligação entre Chaves e Vila Nova de Famalicão, percurso da 2.ª etapa do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic.
E são muitos os testemunhos entre aqueles que saíram do flaviense Jardim das Caldas desafiando as ameaças de mau tempo, seguindo pela M507 em direção à fronteira luso-espanhola, com passagem por Soutelinho da Raia e Mexide, antes da visita a Vilar de Perdizes. Sempre por deliciosas estradinhas de forte pendor mototurístico, chegou a caravana a uma terra de fé e de crendices, de feitiços e feiticeiros, rodeada de gravuras rupestres e símbolos pagãos que ajudaram a cimentar o reconhecimento na História da Medicina Popular. Em boa parte, graças ao Padre Fontes, que todos os anos atrai milhares de visitantes a esta aldeia, completamente deserta à hora da passagem dos madrugadores aventureiros
Daí a Montalegre é, normalmente, um saltinho, pela agradável M508 passando por Meixedo, mas, desta vez, a viagem demorou bastante mais. A ‘culpa’ foi do apaixonado colecionador José Costa que abriu as portas do seu Armazém de Memórias aos participantes na aventura mototurística da Federação de Motociclismo de Portugal. Com um acervo que “conta com mais de 600 motos e motorizadas, metade em fase de restauro, espalhadas por Barcelos, Paços de Ferreira, Marco de Canavezes e outros locais” este antigo empresário da construção civil coleciona veículos de duas e quatro rodas, mas também relógios de parede, rádios, telefones e porcelanas, há mais de 40 anos. “Criar um museu? Com tanta burocracia necessária é mais fácil e gratificante ter um espaço aberto para aqueles que realmente gostam do tema”. Pragmatismo de quem ganhou o vício “ao recomprar o Peugeot 403 do pai, o que tem maior valor sentimental, tendo depois comprado outros automóveis, como o Buick de 8 cilindros em linha, aquele que é o mais entusiasmante, em que, se pudesse, andaria todos os dias”.
Mas são as motos que despertam maiores paixões “tendo cerca de 300 modelos em exposição nos 1300 metros quadrados, que serão reposicionados quando terminar o patamar superior com mais 650 m2. Reconhecendo que “é muito difícil escolher a moto mais significativa entre tantos e tão bonitos modelos”, José Costa garante que “a coleção vai continuar a crescer, procurando sempre as mais raras que foram fabricadas em Portugal”.
Joias que se vão juntar à Motobecane de 1919, a mais antiga em exposição (curiosamente do mesmo ano do Ford T que está do outro lado do grande pavilhão), e que têm o futuro garantido. É que os dois filhos e os quatro netos gostam do Armazém de Memórias, conhecendo bem a história de alguns modelos raros como uma Famel Victoria ou a Aprilia que não é… italiana. Chama-se Luxe Modelo e foi montada em território nacional na década de 60 do século passado, destacando-se pelos dois pares de amortecedores na traseira e um relógio montado de série!
Surpresa enorme para muitos dos participantes no 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic como foi o caso de Francisco Sande e Castro, ex-pilotos de motos e automóveis, espantando porque nunca pensou que “houvesse tantas marcas portuguesas de motorizadas”. Lamentando ter de seguir viagem “sem poder desfrutar de tantas máquinas bonitas, curiosas e muito bem recuperadas”, voltou aos comandos da Yamaha Ténéré que comprou há 35 anos e sempre manteve, para cumprir a estreia no Lés-a-Lés. Mesmo se reconhece que evita andar em grupo, “encontrando maior prazer em viajar a solo”, tendo mesmo dado já a volta ao mundo.
Com alguma dificuldade em deixar o ‘Armazém’ de José Costa, lá seguiu a caravana com a ajuda do chamariz que é sempre o almoço, confecionado pela equipa da Comissão de Mototurismo da FMP e servido em Salto, já em terras de Basto. Para trás ficaram troços mais rápidos sempre com paisagens verdejantes das nacionais 308 e 103, entremeados pelas passagens surpreendentes em algumas estradas municipais, bordejando a albufeira do Alto Rabagão até ao almoço e depois continuando por um dos mais bonitos momentos do dia. Instantes em que nem a chuva intensa diluiu um sentimento único ao passar pelos centenários bosques de Torrinheiras, Travassô, Moinhos de Rei, Bucos e Rossas, terminando na mais larga, mas não menos espetacular N205. Mais momentos de intenso prazer mototurístico, por entre carvalhos e robles, numa estrada protegido por rails de madeira.
Estrada mais ‘macia’ para o sofrimento da BMW R26 (1959) de João Paulo Dias, com o quadro partido na véspera fixo por reparação de fortuna, com um sistema “feito a partir de peças metálicas existentes em qualquer casa de ferragens” e que surpreenderia qualquer engenheiro. No entanto, a boa disposição, do condutor e de todos os amigos do grupo, continuou intacta, tal como a de Vasco Barbosa que voltou a contar com o side-car da Vespa 150 Sprint V que tivera de desmontar na véspera com problemas mecânicos, fazendo o resto da etapa apenas em duas rodas.
Com voltas e voltinhas para fugir ao trânsito e locais menos interessante graças à forte pressão habitacional e industrial do Vale do Ave, chegavam os mototuristas, ainda molhados mas felizes, a Vila Nova de Famalicão. E enquanto o Moto Clube Escorpiões se preparava para receber os visitantes bem no centro da cidade e já com contributo do sol, ainda havia outra paragem antes do palanque final. A coleção privada de José Artur Campos Costa, vice-presidente da Federação de Motociclismo de Portugal e apaixonado pelas motos de competição.
Uma coleção começada pelo tio, António Augusto Carvalho nos anos 1950, “considerado o primeiro verdadeiro colecionador de automóveis em Portugal, e que não ligava assim tanto a motos, mas que acabou por ficar com algumas que eram oferecidas quando comprava alguns carros”. Assim teve início o espólio que Campos Costa “começou a aumentar depois de regressar da Alemanha, na década de ’80, juntando por exemplo a primeira moto grande pessoal, a Honda CB750 de 1970, curiosamente também a primeira CB Four a ser matriculada em Portugal”. Máquina que partilha o espaço com uma FN Four de 1910, com motor de quatro cilindros em linha, a Indian Hendee Special, de 1914, com bloco V2 de 1000 cc e muitas motos de corrida.
Algumas curiosidades dos tesouros desta verdadeira gruta de Ali Babá: A Suzuki XR34, pilotada no Mundial de 500 cc em 1980 por Graziano Rossi, que deu o nome ao filho Valentino; a Yamaha OW F2 com que Wayne Rainey foi Campeão do Mundo de 500 cc em 1982; a Honda Fireblade com que Michael Rutter ganhou o Grande Prémio de Macau em 2012; ou a Suzuki GSX-R 750R da equipa portuguesa Suzuki/Shell vencedora das 24 Horas de Spa-Francorchamps em 1999.
Frutos de uma paixão intensa, pelas motos clássicas e de competição, que quase deixou o coração de Campos Costa dividido. “Se não fosse esta visita dos participantes do Portugal de Lés-a-Lés Classic, estaria no Grande Prémio de França, com a exposição do Spirit of Speed. Mas é um gosto tão especial mostrar estes modelos a verdadeiros aficionados que nem sequer houve dúvida…”.
Os participantes agradeceram o cuidado e, já com sol na chegada, começaram a pensar na terceira e última etapa do evento que, no domingo, levará a caravana de V.N. Famalicão a Lamego, ponto final de uma aventura que vai deixar saudades.
O Gabinete de Imprensa
1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic
Terminou em grande o 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic
O dia de todas as joias
Ponto final de um evento histórico, a festiva chegada a Lamego marcou o encerramento do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic, com muitos sorrisos na hora da despedida da aventura organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal. E que, ao longo de três dias e pouco mais de 500 quilómetros, levou uma caravana muito heterogénea de Bragança a Chaves, seguindo para Vila Nova de Famalicão de onde rumou à até ao centro da cidade lamecense, com o palanque montado em frente à escadaria da Senhora dos Remédios. Onde os condutores (e alguns passageiros) de motos fabricadas entre 1928 e 1995 chegaram felizes, ao fim de 159 quilómetros, esquecendo a intempérie que marcou presença constante e agradecendo a receção do Clube Automóvel de Lamego.
Chuva que parecia afastada do horizonte na saída de Famalicão por quelhos e veredas, por vezes com pisos bastante irregulares, mal necessário para fugir ou pelo menos minimizar a passagem por zonas de elevada densidade populacional e industrial. Quilómetros iniciais com passagem em Ceide, onde Camilo Castelo Branco viveu e morreu no ano em que são comemorados dois séculos do nascimento do genial escritor. Outro ponto de interessante paragem seria Roriz, onde o Mosteiro de São Bento de Singeverga alberga os monges beneditinos que possuem o segredo do famoso licor. Mas também ainda era cedo para beber pelo que o melhor mesmo foi arrepiar caminho.
Paisagens menos interessantes que, naturalmente, interferem com o bem-estar de qualquer condutor e que só melhoraram a partir de Paços de Ferreira e, sobretudo, da visita ao Museu da Mota Antiga de José Pereira. Onde mesmo os motociclistas com maior experiência de vida e até alguns colecionadores pareciam autênticos miúdos em loja de brinquedos. A descoberta desta verdadeira caverna de Ali Bábá criou enorme surpresa em quem nunca a tinha visitado e mesmo aqueles que conheciam esta exposição, voltaram a abrir a boca de espanto. Afinal é impossível, numa ou duas ou até em três visitas, conhecer minimamente um acervo de mais de 1500 motos, motorizadas, ciclomotores e scooters. Sempre bem enquadrados por toneladas de memorabilia, num museu que está, seguramente, ao nível dos melhores do Mundo, com coleção supercompleta de todas as montagens com motor Pachancho. Um simples exemplo a que se poderiam acrescentar muitas dezenas de modelos raros, como a Moto Guzzi Mulo Meccanico 3×3, um triciclo de três rodas motrizes e utilizou pela primeira vez o agora inconfundível motor V2 transversal. Ou exemplares de praticamente todas as Famel EFS produzidas na Borralha, em Águeda, bem como a francesa Griffon, de 1901, a mais antiga em exposição. Ponto alto do dia, que só por si, valeria bem a viagem!
Mais pérolas depois de almoço
Verdadeiro aperitivo antes do almoço servido em Celorico de Basto, onde esperava uma reconfortante jardineira, lembrando a célebre edição do Portugal de Lés-a-Lés de 2010. Repasto tanto mais apreciado por marcar o final do sofrimento causado pelo péssimo estado da estrada nacional 101-4, impedindo desfrutar de centenas de bem desenhadas curvas. E que antecipou uma sobremesa de luxo, servida sob a forma de intenso prazer de condução, subindo a paisagística N304 rumo à Campeã. Momentos deliciosos para todos, mesmo se alguns sentiram mais dificuldade em chegar ao topo da serra do Alvão. Que o diga Eduardo Leal que por pouco não precisou de empurrar a pequena Gilera Storm, “tal como havia acontecido logo no primeiro dia, na subida para Montalegre. Aqui subiu bem… a velocidades entre os 10 e os 20 km/h”. Teria sido bem mais fácil e confortável com a BMW K1600 que ficou em casa, mas o espírito é outro!
Depois do almoço, em Cabeceiras de Basto, surgiu todo um novo mundo para o mototurismo, com três das mais bonitas e procuradas estradas nacionais para os amantes do prazer de condução e paisagens incomparáveis. Depois da N304, seguiu-se um pouco da N15, da Campeã até parada de Cunhos, e daí até Lamego a Estrada Património N2, verdadeira joia da coroa. Mais curvas para todos os gostos, com o sol a ultrapassar alguma timidez para saudar os todos os rijos participantes. Incluindo o totalista de presenças no Portugal de Lés-a-Lés, Ângelo Moura que nem hesitou um segundo “ao saber da realização do Classic, mais uma excelente oportunidade de rever amigos, passear de moto e conhecer o País, com o bónus de poder apreciar um rol de motos que atravessa todo o século XX, que marcaram a vida da minha geração e que nos dizem muito”.
Aos comandos da mesma Yamaha TDM 850 com que em 1999 esteve à partida de Rio de Onor rumo a Sagres, o ex-presidente da Câmara Municipal de Lamego reconhece que “este evento superou as melhores expetativas, com um excelente ambiente e grande convívio, com uma organização sempre à altura dos acontecimentos e a que nem as agruras do clima roubaram brilho. E terminar em Lamego, em pleno Douro Vinhateiro, terra onde os motociclistas são sempre tão bem recebidos, tal como aconteceu, por exemplo, em 2018, quando aqui terminou a 2ª etapa do Lés-a-Lés é verdadeiramente a cereja no topo do bolo”.
Final em festa do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic, evento que colocou à prova as ‘velhas senhoras’ de duas rodas, mas também os motociclistas. O tempo frio e a chuva, por vezes muito intensa e até com granizo, podem ter limitado o ritmo na estrada, mas não impediram desfrutar totalmente da maratona turística levada a cabo pela Federação de Motociclismo de Portugal. Até porque, no final de cada dia, a animação das meninas do palanque, Lynn e Luísa; os cuidados mecânicos da equipa da Motoval; e a atenção às mazelas físicas por parte dos osteopatas Edgar e Miguel da OsteoMotus, ajudava a recuperar o ânimo para novo dia de aventuras. Venham as próximas aventuras porque esta… ponto final. Até 2026!
O Gabinete de Imprensa
1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic




































































































































