O Lés-a-Lés Classic pretende levar a passear motos clássicas que marcaram gerações, convidando-as a sair das garagens e dos museus para que nos possam encantar novamente com todo o seu esplendor e estilos próprios, proporcionando-nos uma experiência multissensorial que não está ao alcance de museus.

Ao longo dos últimos anos tem-se assistido a uma necessidade cada vez maior de manter e preservar motos que deixaram um forte vínculo emocional nos sonhos e na vida de várias gerações de motociclistas. A evolução notável que as motos sofreram nas últimas décadas, em todas as suas vertentes, trouxe novas experiências mas acabou com outras não menos especiais. São precisamente essas experiências místicas, que desapareceram com a evolução tecnologica, que procuramos reviver nesta grande exibição dinâmica de motos clássicas que é o Portugal de Lés-a-Lés Classic.

2º Portugal de Lés-a-Lés Classic (2026)
Lamego - S. Pedro do Sul - Caramulo - Sangalhos
De 30 de Abril a 3 de Maio de 2026
REGULAMENTO

Os participantes do 2º Portugal de Lés-a-Lés Classic já podem consultar o seu horário e as informações indispensáveis à sua participação clicando em HORÁRIOS.

Honrando a dedicação à preservação e promoção da herança motociclística, o Lés-a-Lés Classic pretende levar a passear motos clássicas que marcaram gerações convidando-as a sair das garagens e dos museus para que nos possam encantar novamente com todo o seu esplendor e estilos próprios, proporcionando-nos uma experiência multissensorial que não está ao alcance de museus. O Lés-a-Lés Classic não é apenas uma exibição ou um passeio, mas sim um ponto de encontro que ganha vida na paixão pelas motas de outros tempos e no espírito de camaradagem que se unem no recordar de boas memórias e na liberdade que a moto e a estrada nos proporcionam.

Obrigado por tornarem possível o Lés-a-Lés Classic, contamos convosco na grande festa do mototurismo nacional clássico. Até já!

REPORTAGEM

Lamego ‘verificou’ participantes do 2.º Portugal de Lés-a-Lés Classic

O Lobo e a menina dos olhos verdes

Um tem milhares de quilómetros de experiência e muitas motos na garagem. A outra faz a estreia absoluta aos comandos de uma pequena Vespa 50S. Apesar dos curtos 40 quilómetros que separam Aveiro de Mozelos, Santa Maria da Feira, Jorge Lobo e Isabel Araújo nunca se haviam cruzado. Em boa verdade, ainda não se conhecem, mas vão, seguramente. encontrar-se ao longo do 2.º Portugal de Lés-a-Lés Classic. Ou não fosse esta a magia dos eventos organizados pela Federação de Motociclismo de Portugal, de conhecer pessoas muito diferentes que partilham o gosto pelas motos. O que já deu para perceber bem no centro de Lamego, com a enorme escadaria do santuário de Nossa Senhora dos Remédios em pano de fundo, local onde decorreram as Verificações Técnicas e Documentais às ‘velhas senhoras’ e respetivos condutores.

Motos todas elas fabricadas antes de 1996 e onde se destacava a BMW R50/2 de 1968 com ‘side-car’ de Jorge Lobo, participante assíduo nos Portugal de Lés-a-Lés de estrada tendo também descoberto o Classic no ano de estreia. “Só falta o Off-Road, mas a idade aconselha prudência” explica entre sorrisos de quem se diverte de forma genuína nestes eventos. “É uma questão de paixão que serve também para dar uso às 12 motos antigas que estão lá em casa a que se juntam mais umas quantas motorizadas de várias épocas, desde a Cucciolo à Kreidler K51, várias Sachs e Famel. Um museu? Nada disso, apenas umas motos na garagem…” esclarece este empresário aveirense que tem nos cavalos outra grande (enorme!) paixão. Além de criador, possui uma invejável coleção de carros puxados por cavalos, incluindo várias charretes antigas, usadas em corridas e patentes ao público no Museu de Atrelagem da Quinta de Lagoalva, na Golegã.

Logo atrás, na ordem de partida em Lamego, está Isabel Araújo acompanhada do namorado Vítor e de mais três amigos, o Paulo, o Gustavo e o Carlos, todos em Vespa 50S. Uma escolta que garante apoio e muita diversão a alguém que, garante a pés juntos, “faz a estreia absoluta a conduzir num passeio por pequeno que fosse. Normalmente passeava à pendura, mas fizeram tanta pressão que não resisti”. Pode ser mais uma motivação para “acabar de tirar a carta de moto” e quem sabe, fazer ainda mais passeatas. É que quem alinha num Lés-a-Lés fica apaixonado pelas descobertas proporcionadas e que, no caso do Classic, vão além das deslumbrantes paisagens e da boa gastronomia, prolongando-se em alguns dos mais interessantes museus de motos.

Será o caso da coleção de Damião Cardoso, a visitar no final da primeira etapa que liga Lamego a S. Pedro do Sul, reforçando os motivos de interesse para os adeptos das motos antigas e clássicas. Uma tirada com 150 km com passagem pelas míticas estradas nacionais N2 e N222 e vistas ímpares da margem esquerda do Douro, subindo depois em direção a Tabuaço onde haverá lugar a uma descoberta particularmente curiosa: ali está, em plena Loja Interativa de Turismo, a mais completa, complexa, exótica e insólita obra de relojoaria do Mundo.

A partir daí a paisagem vai ganhar maior intensidade serrana, levando a caravana à barragem de Vilar, próximo de Moimenta da Beira, antes de infletir para Oeste, em direção a Castro de Aire, e daí, atravessando conjunto montanhoso Arada/Montemuro, até S. Pedro do Sul. Onde todos poderão apreciar o vasto e rico acervo que reúne joias da BMW, Norton, Harley-Davidson, Indian, BSA, Ariel, Triumph, Zundapp, Ducati, Moto Guzzi, Rudge, Matchless, Sunbeam, Laverda, Vincent, Velocette, Bimota, Benelli ou Nimbus e que será uma ajuda excelente para fazer a digestão. É que, ao contrário de 2025, todo o percurso será feito durante a parte da manhã, permitindo depois visitar tranquilamente os vários museus e aproveitar para conversar sobre a paixão que une os mais de 150 participantes: as motos antigas e clássicas.

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

Um relógio que não dá horas marcou o ritmo da primeira etapa do Lés-a-Lés Classic

Campeão que adora motos e… complicações

Façamos uma adaptação motociclística do velho provérbio e teremos algo como ‘de génio e de piloto, todos temos um pouco’. Já de campeão… nem tanto! Mas quando se cruzam os dois e se junta um apaixonado pelas motos antigas, o resultado é uma etapa fenomenal, a primeira, do Portugal de Lés-a-Lés Classic 2026, num dia em que caravana despertou ao som dos bombos da Associação Cultural Recreativa Desportiva Etnográfica de Cambres com empenhados tocadores entre os 11 e os 56 anos. Mas vamos esclarecer, por ordem, os nomes dos principais protagonistas da ligação entre Lamego e São Pedro do Sul: Amândio José Ribeiro, Manuel João e Damião Cardoso.

Comecemos pelo primeiro, ‘descoberto’ por muitos dos participantes na paragem em Tabuaço, a primeira do dia depois de uma agradável passagem pela N222 junto ao Rio Douro, aproveitando uma manhã soberba para a ‘prática da modalidade’. Um homem genial, muito à frente no seu tempo, e que, apesar de ter ‘apenas’ a 4ª classe, criou, ao longo de 28 anos de dedicação e mais de 16 mil horas investidas, o “exemplar de relojoaria mais completo, complexo, exótico e insólito que se conhece”. Um relógio dividido em quatro partes interligadas e que funcionavam em uníssono, autênticos armários com mais de dois metros de altura e 150 kg de peso, 45 mostradores e que estava programado para funcionar durante 10 mil séculos, em ciclos de 6272 anos! Chama-se RIJOMAX, um acrónimo do nome do fundador que, pouco antes de falecer, aos 90 anos, o vendeu à Câmara Municipal de Tabuaço em 2002, atraindo anualmente milhares de visitantes à Loja Interativa de Turismo. E isto, note-se, sem sequer funcionar!

Tudo porque o segredo parece ter sido perdido quando o relógio, chamemos-lhe assim para simplificar, foi desligado para ser mudado de local. É que, apesar das muitas notas e informações deixadas pelo génio criador, nunca mais deu horas. Vieram os melhores especialistas e os mais renomados relojoeiros de todo o Mundo e nenhum conseguiu descortinar o segredo de tamanha complicação. “Genial”, disseram os suíços. “Vraiment unique”, acrescentaram os franceses. “Fabulous”, remataram os ingleses. Mas colocar o RIJOMAX de novo em funcionamento, isso era outra história.

E assim se quedou, mudo e quedo, o mais espetacular relógio do Mundo, deixando a léguas o condecorado Orloj, o Relógio Astronómico de Praga, ou o Zytglogge, a Torre do Relógio de Berna. Um aparato que, além das horas em Portugal e em todos os países do Mundo, indicava os movimentos do Sol e da Lua, o nascer e o pôr do sol, o dia e a noite (e a duração em horas e minutos de cada um ao longo do ano), os dias da semana, os meses, as estações, os signos, os semestres e trimestres e tanto, mas tanto mais que por aqui ficaríamos horas a falar deste invento único.

O espanto do campeão

Quem ficou rendido a esta complicação foi Manuel João, ex-campeão Nacional de Superbikes, em 1993, 94, 95, 97 e 98, além de resultados de destaque em provas do Mundial de TT, em Vila Real, ou no GP de Macau. Habituado a máquinas mais simples mas muito mais rápidas, regressou à estrada com uma imaculada Kawasaki Z900, “comprada em 1974, quando tinha 23 anos, por 80 contos” (mais de 24 ordenados mínimos à época!). A mesma moto com que, “depois de muitas loucuras, próprias de uma juventude irrequieta” foi o transporte eleito para a viagem de lua de mel, até Paris. “Foram 15 dias de uma viagem estupenda, com o regresso pelo sul de Espanha e com a Paula encostada a uma roda de mota comprada em França a pedido de um amigo”. A esposa, senhora de uma cumplicidade que dura há 47 anos, acenava que sim e recordava com detalhe a epopeia enquanto tiravam mais umas quantas fotografias junto ao lago da barragem de Vilar.

Conhecedor do Portugal de Lés-a-Lés de há longa data, descobriu este ano a versão Classic e ficou “encantado, não só pela possibilidade de apreciar motos clássicas como conversar com amigos de longa data e outros mais recentes”, aproximados pelo gosto por máquinas de outros tempos.

Joias como as que foi vendo na estrada, ao longo de cerca de 150 km da etapa, como também as que apreciou no museu particular de Damião Cardoso. Uma coleção começada há 44 anos, “aos 16 anos de idade ao recupera a minha primeira moto, uma CZ com que o pai de deslocava para namorar a mãe”, recorda o colecionador. Que, sempre simpático e solícito, foi repetindo a história e várias estórias aos entusiasmados visitantes, respondendo a todas as questões com um brilho especial nos olhos.

“Uma coleção iniciada do zero e que conta com cerca de duas centenas de máquinas, a maioria dos anos 1970 e 80, embora haja relíquias da década de 1940 espalhadas ao longo de cinco espaços, “alguns que eram antigas lojas de vacas da casa rural de família, sempre ligada à agricultura”. Mostrando dotes de bom comunicador e um grande entusiasmo, Damião Cardoso cativava os curiosos participantes no Portugal de Lés-a-Lés Classic que pareciam não quererem abandonar um espaço recheado de tantos sonhos.

Tanto mais que já estavam em São Pedro do Sul, término da segunda etapa num ano em que o figurino do evento levado a cabo pela Federação de Motociclismo de Portugal foi alterado, cumprindo mais quilómetros antes do almoço para depois fazer a digestão da magnífica sopa de peixe e da estupenda feijoada do mar confecionada pela equipa organizativa nos claustros do edifício dos Paços do Concelho, instalado desde 1842 no antigo Convento dos Franciscanos, edifício histórico fundado em 1751.

E do largo fronteiro à Câmara partirão para a segunda etapa, numa ligação de 140 km até ao Caramulo, com passagem pelas serras de Arada (com direito a uma impressionante subida ao alto de São Macário e à travessia do Portal do Inferno), mas também da Freita e do Caramulo.

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

Mau tempo não roubou sorrisos no 2.º dia do Portugal de Lés-a-Lés Classic

O nevoeiro que escondeu a descida ao Inferno

Se é verdade que nem sempre as etapas mais curtas são as mais fáceis, não menos verdade é que são os imponderáveis que tornam uma jornada inesquecível. Foram apenas 140 km entre S. Pedro do Sul e o Caramulo, mas pontilhados por subidas exigentes e descidas de respeito, pela passagem nas estreitas ruas empedradas de algumas aldeias e em estradas deixadas em muito mau estado pelas tempestades. Tudo num dia, o segundo do Portugal de Lés-a-Lés Classic, marcado por chuva a 2 Tempos. Ora assim-assim, ora bastante intensa! E sempre com bastante nevoeiro à mistura, que roubou em espetacularidade (no Alto de S. Macário ou no Portal do Inferno) o que devolveu em exigência e prazer de superação.

Uma etapa montanhosa, entre as serras da Arada, Freita e Caramulo que pôs à prova não só os motores das mais respeitáveis senhoras como acima de tudo, os travões. Cenário quase dantesco que não intimidou o experiente Hélder Alves, conhecedor das exigências do Portugal de Lés-a-Lés, com 15 presenças entre a versão de estrada e o Classic, sempre com a Jawa Perak 250 de 1950. “Uma moto que não dá problemas e resiste aos tratamentos mais duros sem queixas. Este ano nem uma vela isolada, nada!” garantia enquanto sacudia a muita água do fato de chuva.

Equipamento que vestiu logo de manhã, à saída de São Pedro do Sul, desfazendo as dúvidas existenciais que se multiplicavam numa manhã ameaçadora, com céu bem escuro e temperaturas muito mais frescas que na véspera. E se houve corajosos que acharam desnecessário vestir o impermeável, logo haveriam de se arrepender, obrigados a parar poucos quilómetros andados, ainda antes de uma pequena mas íngreme subida, em paralelo muito escorregadio. Dificuldade que ajudou a despertar aqueles que ainda estavam meio adormecidos, obrigando a atenção acrescida e alguma perícia para suprir a falta de modernos sistemas eletrónicos como o controlo de tração ou a ajuda ao arranque em subida.

Nada de verdadeiramente problemático embora o elevado peso de algumas ‘damas’ aconselhasse os condutores em dificuldades a pousarem as máquinas no chão com a maior suavidade possível, mesmo que não evitassem uma manete partida ou um espelho estalado. Mais complicadas foram mesmo as primeiras subidas à serra da Arada, testando o fôlego das ‘velhas senhoras’ por entre paisagens marcadas pelos violentos incêndios de 2024 e pelo ‘comboio de tempestades’ no início deste ano. Que também deixaram em muito mau estado a estrada rumo ao Alto de S Macário, com autênticas crateras que obrigavam os motociclistas (e alguns afoitos ciclistas indiferentes à intempérie…) a verdadeiras gincanas para não estragar rodas e pneus. Uma subida infrutífera em termos turísticos já que, de tão cerrado, o nevoeiro não deixava vislumbrar mais do que umas poucas dezenas de metros, escondendo uma paisagem deslumbrante, mas criando um misticismo ímpar.

A paragem obrigatória em Ponte de Telhe

Com subidas que faziam penar os motores das pequenas ‘cinquentinhas’ e descidas que a todos aconselhavam calma com os travões, foi quase imediata a passagem entre as serras da Arada e da Freita. Aliás muitos nem dariam pela passagem entre as duas não fosse a travessia do Portal do Inferno e paragem no Café Rochas, na pequena aldeia de Ponte de Telhe onde umas sandes de presunto e uns cafés serviram para confraternizar e para combater o frio. Temperaturas baixas que exponenciavam o desconforto da chuva e que fizeram questão de acompanhar a caravana durante todo o dia, lado a lado com o nevoeiro, garantindo um espetáculo que só as serranias podem oferecer.

Um show que encantou Daniel e Maria Teresa Fernandez, rendidos à brutalidade das paisagens e impressionados com a lenda do Portal do Inferno e Garra, onde o diabo está à espera de apanhar os mais incautos e onde “o morto matou o vivo”, aludindo a um acidente durante o transporte de uma urna fúnebre por aquele caminho. De olhos arregalados lá continuaram os espanhóis de Santander numa estreia abençoada (de tão molhada que foi…) no evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal aos comandos das Moto Guzzi V50 e Monza. “Encantados com o percurso, apesar do nevoeiro, e particularmente agradados com os pormenores organizativos” este casal do Moto Club Pistón elogiava a quantidade e qualidade das motos presentes com conhecimento de causa. É que ajudam a organizar, anualmente e desde há muito tempo, dois grandes eventos para motos clássicas. Um para máquinas anteriores a 1995, no primeiro fim de semana de junho, a XXVI Vuelta a Cantabria, e outro, bem maior, para motos fabricadas até 1980, de 20 a 27 de setembro, o Picos Tour & XXXIX Piston Rally, que costuma reunir mais de 600 participantes, oferecendo percursos diferentes todos os dias, entre a Cantábria e as Astúrias.

Tesouros para todos os gostos

Sem medo à chuva, zombando do mau tempo com sorrisos de genuína diversão, a caravana abordou a terceira serra do dia a caminho do destino final: o Caramulo, famoso pelas paisagens e pelo Museu frente ao qual terminaria a etapa, depois de um almoço servido no Caramulo Experience Center, com vistas sobre vários carros em fase de restauro.

Para ajudar à digestão do caldo verde e do saboroso frango com esparguete, nada como a visita ao Museu do Caramulo, criado pelos irmãos Abel e João de Lacerda em 1953, apreciando parte dos 500 objetos de arte que vão dos quadros de Pablo Picasso, Salvador Dali, Amadeo Souza Cardoso ou Maria Helena Vieira da Silva, até esculturas, mobiliário, cerâmica e tapeçarias, colecionados por Abel, a que se juntam os automóveis que apaixonaram o irmão João. Um espaço onde os ‘fórmulas’ de Emerson Fittipaldi rivalizaram em atenção com as pioneiras FN 2 ½ HP e a NSU Twin Roadster, ambas de 1911, e a mais recente, mas não menos icónica, Honda NR750 caracterizada pela exclusividade dos pistões ovais.

Oportunidade ímpar de visitar o Museu do Caramulo, motivo para continuar a conversa sobre motos antigas, e que deixou todos particularmente agradados, quase esquecendo a grande molha que obrigou a trabalhos acrescidos para secar os equipamentos. E assim recuperar a proteção e conforto necessário para a última tirada do Portugal de Lés-a-Lés Classic, com destino a Anadia e ao Museu 2 Rodas, instalado no Centro de Alto Rendimento, em Sangalhos.

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

O sol que cria o bom vinho da Bairrada saudou os resistentes do 2.º Portugal de Lés-a-Lés Classic

Meteorologia colocou ‘clássicas’ à prova

Foi um ‘dia de brincadeiras’, o terceiro e último do 2.º Portugal de Lés-a-Lés Classic, que levou centena e meia de motociclistas do Caramulo a Sangalhos, na Anadia, com a chuva a tentar apanhar os participantes enquanto o sol ia furando as nuvens para indicar o melhor caminho. Neste ‘jogo do apanha’ conseguiram quase todos fugir às grandes bátegas de água que, a espaços, caíam do céu plúmbeo, enquanto outros, mais azarados, iam desfrutando como podiam de um percurso trabalhoso, mas bonito e variado, e que começou de forma bem desportiva.

A saída, mesmo em frente ao Museu do Caramulo, deu-se pela famosa rampa que, todos os anos, atrai centenas de veículos históricos, de competição e não só, para um festival único no País. Asfalto lisinho numa estrada bem marcada que motivou algumas aceleradelas madrugadoras, mas apenas para os mais afoitos já que, pouco à frente, estava a saída para caminhos mais revirados. Sim, que isto não é uma corrida!

Se bem que, olhando para a lista de presenças, da rara Yamaha SDR200 à popular Suzuki GSX-R750 R, passando pela muito amada Yamaha RD350, pela esplêndida Suzuki RGV250 ou pela raríssima Yamaha RZV500 R, facilmente poderíamos compor uma bem recheada grelha de partida. Que também teve o contributo de Celso Mendes, alinhando para a derradeira etapa aos comandos de uma Honda CBR600F de 1994. Isto porque, com o evento da Federação de Motociclismo de Portugal a decorrer mais perto de casa, foi todos os dias a Santa Maria da Feira para trocar… de moto.

“No dia das Verificações, em Lamego, foi uma Honda VF1000 R de 1985, que foi substituída por uma Yamaha YZF 750 de 1994 para a primeira etapa e depois pela pequena, mas aguerrida, Honda NSR 125 de 1992”. Comentário divertido enquanto garantia que “a escolha não foi fácil até porque há mais 30 motos na garagem”, muitas delas cumprindo a exigência regulamentar de terem mais de 30 anos. “Em 2025 a opção foi ainda mais complicada porque apenas foram utilizadas duas máquinas, aproveitando este fantástico evento para fazer mais quilómetros com as clássicas lá de casa”.

No entanto, no Regulamento do Portugal de Lés-a-Lés Classic, há uma exceção no que toca ao ano de fabrico da moto. Que deve ser igual ou anterior a 1996, a menos que a soma das idades da moto e do condutor seja superior à centena. Pois bem, João Ferreira trouxe desde as Caldas da Rainha uma Harley-Davidson 883 cujo livrete diz que foi matriculada na viragem do milénio. Ou seja, com escassos 26 anos de estrada a que este entusiasta viajante juntou os seus 80 para ultrapassar a centenária marca exigida pelo parágrafo 3.1 das normas do evento.

Tão fiel quanto a esposa (que partilha a paixão!)

Apesar de até ter outras mais antigas em casa, esta Harley é muito especial e “apesar de algo pesada (mais de 250 kg), é uma companhia muito fiel. Com ela, a moto, e com a esposa, atravessou “mais de uma dúzia de países, de Portugal à Polónia, com passagem, entre outros pela Hungria, Eslováquia, Eslovénia ou Itália, fazendo 8283 quilómetros ao longo de três semanas bem animadas, na companhia da filha e do genro. Era com eles que gostava de ir até ao Cabo Norte, mas o genro não consegue ter um mês seguido de férias” vai dizendo enquanto o sempre bem-disposto sorriso parece desaparecer momentaneamente do rosto. Para logo regressar, ao olhar para o filho Nélson, que, depois de “ter gostado tanto de estar na primeira edição”, desafiou o pai para este Lés-a-Lés Classic.

“A maior dificuldade são as passagens pelos pisos empedrados no interior de algumas aldeias e sobretudo as paragens” conta o filho, para logo acrescentar que “depois de estar na estrada, não tem qualquer problema com os quilómetros ou a chuva. Afinal, toda a vida andou de moto e vai continuar a fazê-lo”. Vá lá que, ao longo desta terceira etapa, não foram muitas as passagens em paralelos irregulares e escorregadios, mas abundaram estradas municipais cheias de curvas por entre eucaliptais, sobretudo no concelho de Águeda, algumas com piso menos bom, com buracos a alternarem com a terra e folhas que a chuva vai trazendo para esconder o asfalto.

Bem mais interessante foi a passagem pela bela e divertida N16, onde todos desfrutaram da condução apesar da preocupação em tentar escapar por entre os pingos da chuva, olhando sempre com alguma apreensão para as nuvens mais escuras que iam assomando no horizonte. Que o digam António Pego e Fernando da Costa, dois figueirenses rendidos ao charme da Vespa. A trabalhar no Luxemburgo, “houve que aproveitar 15 dias de férias para meter as motos numa carrinha e vir até Portugal dar umas voltas”, contava o mais falador António, nada incomodado pelo facto de ter chegado à Anadia com a Vespa PX200 no reboque da organização.

Afinal, “um problema num retentor do motor a poucos quilómetros do final, já depois da passagem pela Ria de Aveiro e pelas tradicionais casas coloridas da Costa Nova, não podia estragar a festa”, nem fazer perder a visita ao Museu 2 Rodas, instalado no Centro de Alto Rendimento. “Espaço bonito e que mostra, de forma fácil de seguir, boa parte da história das motos em Portugal” e onde prometem trazer os amigos ‘luxemburgueses’. Que é como quem diz, portugueses, franceses e italianos a viver naquele Grão-Ducado.

E enquanto acabavam de saborear um muito bem conseguido chili e uma sopa de agrião, os elementos do Vespa Club Roude Léiw Lëtzbuerg preparavam-se para descer os degraus até ao Museu do Vinho Bairrada, prontos a descobrir os segredos do que acabavam de beber. Pelo meio iam garantindo que sim, que vão voltar em 2027, com mais amigos adeptos das Vespa clássicas e a certeza de que o Portugal de Lés-a-Lés Classic “é dos eventos do género mais bem organizados da Europa”. Ahhh… E o Lobo e a menina dos olhos verdes também chegaram, sem problemas, à Anadia e juraram que “para o ano há mais!”

O Gabinete de Imprensa

Portugal de Lés-a-Lés

1º Portugal de Lés-a-Lés Classic (2025)
Bragança - Chaves - Vila Nova de Famalicão - Lamego
De 8 a 11 de Maio de 2025
REGULAMENTO

A Primeira Grande Exibição Dinâmica de Motos Clássicas em Portugal

Ao longo dos últimos anos tem-se assistido a uma constante necessidade de manter e preservar motos que deixaram um forte vínculo emocional nos sonhos e na vida de várias gerações de motociclistas. A evolução notável que as motos sofreram nas últimas décadas, em todas as suas vertentes, trouxe novas experiências mas acabou com outras não menos especiais. São precisamente essas experiências místicas que desapareceram com a evolução dos tempos que procuramos reviver no Lés-a-Lés Classic.

O 1º Lés-a-Lés Classic pretende levar a passear motos clássicas que marcaram gerações convidando-as a sair das garagens e dos museus para que nos possam encantar novamente com todo o seu esplendor e estilos próprios, proporcionando-nos uma experiência multissensorial que não está ao alcance de museus.

REPORTAGEM

Festa do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic começou em Bragança

Aventuras mesmo antes do arranque… da aventura

Novidade absoluta no mundo das duas rodas, o Portugal de Lés-a-Lés Classic reuniu em Bragança mais de uma centena de motos antigas e clássicas para a edição de estreia da nova aventura criada pela Federação de Motociclismo de Portugal. Que, na primeira etapa do evento, vai levar uma caravana de motos fabricadas entre 1928, a mais antiga, e 1995, ano limite para as máquinas presentes, de Bragança até Chaves.

Reunindo motociclistas portugueses e muitos espanhóis entre os 18 e os 80 anos, Beatriz Mendes é a mais jovem entusiasta no pelotão do 1º Portugal de Lés-a-Lés Classic, estreando-se nestas andanças à pendura do pai Pedro, numa Honda NSR 125 de 1992. “Super contente com a presença e com grandes expetativas sobre tudo o que vai rodear este passeio”, Beatriz reconhece que não foi difícil convencer o pai. Que, por seu turno, confessa que só reparou que a filha “ia faltar à escola já depois de fazer a inscrição. Caso contrário… vinha à mesma, de tão entusiasmada que estava”.

Uma aventura com 177 quilómetros de extensão no primeiro dia que, saindo do Castelo de Bragança, de onde partiu o 1.º Lés-a-Lés, em 1999, e também o 1.º Lés-a-Lés Off-road, em 2015, atravessará o Parque Natural de Montesinho, sempre pela zona raiana até Rio de Onor, usufruindo de estradas desertas, bosques mágicos e aldeias perdidas no esquecimento. Daí a Moimenta será um saltinho para o almoço, servido ao ar livre num local de enorme carga histórica, bem próximo do marco que dividia os reinos de Portugal, Leão e Galiza. E sempre com muitas curvas em estradas de bom piso e belíssimo enquadramento paisagístico, vai o pelotão até à romana Aquae Flaviae, com direito a exposição das verdadeiras relíquias sobre rodas no Jardim das termas.

Ponto final de uma jornada que conta com algumas das máquinas que estiveram presentes na estreia da maratona mototurística criada pela FMP em 1999 e outras que repetem a experiência. Como a Indian Scout de 1928, que Luís Pinto tinha já levado a terras brigantinas “para a partida do 10.º Lés-a-Lés, em 2008, rumo a Sagres. Se na altura não teve qualquer problema, agora, a caminho de fazer um século, está ainda mais preparada para estas aventuras”.

Mas, aventura verdadeira, bem à moda antiga, viveu Daniel Paixão que demorou quase 8 horas para a viagem entre Coimbra e Bragança. “E a moto não teve culpa, bem pelo contrário, aguentou tudo e mais alguma coisa. O problema são as modernices como o GPS que teimava em indicar o caminho pela autoestrada e IP’s onde a Macal M70 não podia andar. O resultado é que, entre outros desvios, não houve hipótese de evitar a passagem pelo meio das vinhas na zona do Douro, em percursos todo-o-terreno”.

Algo que não estava previsto para a pequena cinquentinha fabricada em 1988. Que chegou sem problemas à partida para o 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic. E que estará, seguramente, à chegada a Lamego, no domingo, depois das passagens por Chaves e Vila Nova de Famalicão, naquela que é uma oportunidade única de fazer regressar à estrada motos antigas e clássicas e com uma envolvência bem diferente do habitual.

O Gabinete de Imprensa

1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic

Chuva não roubou brilho à estreia do Lés-a-Lés Classic!

Nordeste foi palco de ode ao mototurismo

Um céu carregado de nuvens negras onde o sol apenas conseguiu mostrar-se fugazmente e de forma tímida, alguns aguaceiros intimidatórios, nevoeiro q.b. e uma temperatura que desaconselhava retirar os agasalhos não roubaram o brilho à 1ª etapa do Portugal Lés-a-Lés Classic. Tão pouco impediram os sorrisos bem abertos no rosto dos participantes na chegada a Chaves, depois de 199 km do mais prazenteiro mototurismo desde Bragança. A torre de menagem de um dos castelos fundamentais na História Nacional serviu de excelente pano de fundo às motos clássicas e antigas que dali partiram para a mais recente aventura criada pela Federação de Motociclismo de Portugal.

Forma de reviver e honrar o arranque do 1.º Portugal de Lés-a-Lés no já longínquo ano de 1999, a estreante edição Classic começou bem no coração de Bragança, com os primeiros mototuristas a saírem para a estrada debaixo de um tempo invernoso, com chuva e um céu tão escuro que só os mais otimistas conseguiam vislumbrar sinais de melhorias climatéricas. Mesmo assim ninguém se acanhou, até porque os adeptos das motos com mais anos de vida são malta de rija têmpera. Que não ficaram nada atrapalhados quando, alguns, tiveram de começar o dia com sessões forçadas de mecânica…

Foi o caso de Luís Pinto, o dono da moto mais antiga do pelotão, a Indian Scout de 1928 que fez birra depois de passar a noite à chuva, obrigando a limpar o magneto que teimava em não dar sinais de vida mesmo antes da partida. Ou a Yamaha XT600 de Bernardo Rego com o motor a falhar depois da água isolar a vela daquela que, curiosamente, era a moto mais recente do grupo (1986). E que só voltou à estrada depois da intervenção do experiente e precavido Francisco Sanchez, que trazia toda a ferramenta necessária na sua Triumph 3T de 1948. Menos sorte (ou, pelo menos, mais trabalho) teve Jorge Teixeira que, graças a um problema no carreto de uma roda teve de deixar pelo caminho o side-car da Vespa Sprint V 150. Mas conseguiu seguir viagem ainda que apenas em duas rodas…

Mas se o nevoeiro e a chuva não deixaram desfrutar de uma natureza frondosa a verdade é que criaram um ambiente único, com misticismo que quase fazia adivinhar o aparecimento de um personagem medieval após cada curva. Também por isso, o percurso foi feito com cuidados acrescidos porque estas motos, fabricadas entre 1928 e 1995, são, na sua elegância histórica, quase todas desprovidas de ABS, controlo de tração ou outras ajudas eletrónicas à condução, normais nas máquinas mais recentes.

Algo sensível no empedrado à saída do castelo de Bragança, na ponte romana de Gimonde ou em algumas das 92 aldeias espalhadas pelos cerca de 75 mil hectares do Parque Natural de Montesinho. Da quase deserta Guadramil até Rio de Onor, aldeia dividida a meias entre o concelho de Bragança e o município espanhol de Pedralba de la Pradería, pertencente à província de Zamora. De onde, sublinhe-se, partiu o original Lés-a-Lés em 1999, e onde Ângelo Moura esteve presente com a mesma Yamaha TDM 850, de 1991, que alinha agora no Classic.

No verdadeiro santuário da natureza, com autênticos bosques encantados em plena Terra Fria Transmontana tempo para apreciar verdadeiros tesouros paisagísticos derivando para a parte final da EN 308, os mais belos quilómetros desta estrada que pode proporcionar uma entusiasmante viagem de mais de 300 quilómetros até Darque (Viana do Castelo). Com o grego Zeus, o romano Júpiter ou o nórdico Thor, deuses venerados pelas respetivas civilizações quando a questão é o clima, divertidos a brincar com os participantes, o tempo ia dando umas tréguas, para, a espaços, melhor desfrutar da envolvente paisagística das excelentes estradas como a municipal M501 até França ou da surpreendente N103-7 até Meixedo, e depois o regresso à N308, rumo a Moimenta, local do já aguardado almoço.

Antes, e entre as nuvens ameaçadoras no horizonte e alguns promissores raios de sol, paragem em Vilarinho, onde o apicultor Luís Correia carrega o fardo de revitalizar a aldeia, com boa ajuda das abelhas das suas 900 colmeias. O mel e outras delícias locais foram o mote para a paragem na Apimel, funcionando como um aperitivo para o repasto que seria servido uns quilómetros adiante. E que, por força da instabilidade do tempo, trocou o aprazível parque de merendas junto à histórica Fraga dos Três Reinos (que marcava os limites de Portugal, Galiza e Leão) pela sede da Associação Cultural e Recreativa de Moimenta da Beira, onde, com a ajuda dos prestáveis elementos junta de freguesia, se criou um ambiente mais acolhedor e menos… molhado.

A festa à espera em Chaves

Mas, contrariando o dito popular de “merenda comida, companhia desfeita”, continuou a caravana rumo à romana Aquae Flaviae, com o sol a permitir que, pelos menos alguns motociclistas, tirassem o melhor partido de um ambiente que pouco tem a ver com o Lés-a-Lés original. Ambiente bem mais sereno, com condutores maduros, mais interessados em desfrutar das paisagens e das próprias motos do que comerem quilómetros… só porque sim.

Por isso, nada melhor que aproveitar as curvas da larga e bem desenhada N103, atravessando os lugares de Salgueiros, Zido, Sobreiró de Baixo, Curopos, Rebordel, antes da travessia do curioso rio Rabaçal que não tem nascente nem foz. É criado pela união das águas de vários regatos galegos e, ao juntar-se ao Tuela, ganha o nome de de rio Tua. Travessia ainda de Lebução, Bolideira (que alguns aproveitaram para descobrir a curiosidade geológica com o nome do local, uma pedra de várias toneladas que é possível fazer balançar com um dedo apenas…), Águas Frias e Faiões antes chegada triunfal ao Jardim das Termas. Onde, depois da amizade do Moto Cruzeiro de Bragança, na véspera, foi a vez do Grupo Motard de Chaves fazer as honras da casa, com uma receção como só os transmontanos sabem proporcionar.

Tempo de confraternização (com o sol a agraciar todos os participantes do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic depois de um dia ‘temperamental’) com os ‘obrigatórios’ Pastéis de Chaves acompanhados por umas cervejas e conversas à volta as motos estacionadas na Alameda do Tabolado. De onde partirão, na manhã de sábado, para a segunda etapa, com 165 quilómetros de estradas entre o pitoresco dos carvalhais do Barroso e das aldeias de terras de Basto e a ponta final no industrializado do Vale do Ave. Pelo meio, duas visitas de sonho a coleções particulares de motos antigas, pontos altos de um dia que promete mais uma dose soberba de mototurismo.

O Gabinete de Imprensa

1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic

Chuva, museus e estradas fabulosas no Lés-a-Lés Classic!

Dia de grandes paixões clássicas

Se os motociclistas são pessoas especiais, aqueles que professam a paixão pelas motos clássicas e antigas são realmente únicos. Não fraquejam perante as mais inclementes condições climatéricas, tão pouco desistem quando surgem problemas mecânicos. E mais: andam sempre com um enorme sorriso no rosto! Mesmo perante chuva, saraiva, chuvinha, nevoeiro, aguaceiros ou granizo como o que caiu durante a ligação entre Chaves e Vila Nova de Famalicão, percurso da 2.ª etapa do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic.

E são muitos os testemunhos entre aqueles que saíram do flaviense Jardim das Caldas desafiando as ameaças de mau tempo, seguindo pela M507 em direção à fronteira luso-espanhola, com passagem por Soutelinho da Raia e Mexide, antes da visita a Vilar de Perdizes. Sempre por deliciosas estradinhas de forte pendor mototurístico, chegou a caravana a uma terra de fé e de crendices, de feitiços e feiticeiros, rodeada de gravuras rupestres e símbolos pagãos que ajudaram a cimentar o reconhecimento na História da Medicina Popular. Em boa parte, graças ao Padre Fontes, que todos os anos atrai milhares de visitantes a esta aldeia, completamente deserta à hora da passagem dos madrugadores aventureiros

Daí a Montalegre é, normalmente, um saltinho, pela agradável M508 passando por Meixedo, mas, desta vez, a viagem demorou bastante mais. A ‘culpa’ foi do apaixonado colecionador José Costa que abriu as portas do seu Armazém de Memórias aos participantes na aventura mototurística da Federação de Motociclismo de Portugal. Com um acervo que “conta com mais de 600 motos e motorizadas, metade em fase de restauro, espalhadas por Barcelos, Paços de Ferreira, Marco de Canavezes e outros locais” este antigo empresário da construção civil coleciona veículos de duas e quatro rodas, mas também relógios de parede, rádios, telefones e porcelanas, há mais de 40 anos. “Criar um museu? Com tanta burocracia necessária é mais fácil e gratificante ter um espaço aberto para aqueles que realmente gostam do tema”. Pragmatismo de quem ganhou o vício “ao recomprar o Peugeot 403 do pai, o que tem maior valor sentimental, tendo depois comprado outros automóveis, como o Buick de 8 cilindros em linha, aquele que é o mais entusiasmante, em que, se pudesse, andaria todos os dias”.

Mas são as motos que despertam maiores paixões “tendo cerca de 300 modelos em exposição nos 1300 metros quadrados, que serão reposicionados quando terminar o patamar superior com mais 650 m2. Reconhecendo que “é muito difícil escolher a moto mais significativa entre tantos e tão bonitos modelos”, José Costa garante que “a coleção vai continuar a crescer, procurando sempre as mais raras que foram fabricadas em Portugal”.

Joias que se vão juntar à Motobecane de 1919, a mais antiga em exposição (curiosamente do mesmo ano do Ford T que está do outro lado do grande pavilhão), e que têm o futuro garantido. É que os dois filhos e os quatro netos gostam do Armazém de Memórias, conhecendo bem a história de alguns modelos raros como uma Famel Victoria ou a Aprilia que não é… italiana. Chama-se Luxe Modelo e foi montada em território nacional na década de 60 do século passado, destacando-se pelos dois pares de amortecedores na traseira e um relógio montado de série!

Surpresa enorme para muitos dos participantes no 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic como foi o caso de Francisco Sande e Castro, ex-pilotos de motos e automóveis, espantando porque nunca pensou que “houvesse tantas marcas portuguesas de motorizadas”. Lamentando ter de seguir viagem “sem poder desfrutar de tantas máquinas bonitas, curiosas e muito bem recuperadas”, voltou aos comandos da Yamaha Ténéré que comprou há 35 anos e sempre manteve, para cumprir a estreia no Lés-a-Lés. Mesmo se reconhece que evita andar em grupo, “encontrando maior prazer em viajar a solo”, tendo mesmo dado já a volta ao mundo.

Com alguma dificuldade em deixar o ‘Armazém’ de José Costa, lá seguiu a caravana com a ajuda do chamariz que é sempre o almoço, confecionado pela equipa da Comissão de Mototurismo da FMP e servido em Salto, já em terras de Basto. Para trás ficaram troços mais rápidos sempre com paisagens verdejantes das nacionais 308 e 103, entremeados pelas passagens surpreendentes em algumas estradas municipais, bordejando a albufeira do Alto Rabagão até ao almoço e depois continuando por um dos mais bonitos momentos do dia. Instantes em que nem a chuva intensa diluiu um sentimento único ao passar pelos centenários bosques de Torrinheiras, Travassô, Moinhos de Rei, Bucos e Rossas, terminando na mais larga, mas não menos espetacular N205. Mais momentos de intenso prazer mototurístico, por entre carvalhos e robles, numa estrada protegido por rails de madeira.

Estrada mais ‘macia’ para o sofrimento da BMW R26 (1959) de João Paulo Dias, com o quadro partido na véspera fixo por reparação de fortuna, com um sistema “feito a partir de peças metálicas existentes em qualquer casa de ferragens” e que surpreenderia qualquer engenheiro. No entanto, a boa disposição, do condutor e de todos os amigos do grupo, continuou intacta, tal como a de Vasco Barbosa que voltou a contar com o side-car da Vespa 150 Sprint V que tivera de desmontar na véspera com problemas mecânicos, fazendo o resto da etapa apenas em duas rodas.

Com voltas e voltinhas para fugir ao trânsito e locais menos interessante graças à forte pressão habitacional e industrial do Vale do Ave, chegavam os mototuristas, ainda molhados mas felizes, a Vila Nova de Famalicão. E enquanto o Moto Clube Escorpiões se preparava para receber os visitantes bem no centro da cidade e já com contributo do sol, ainda havia outra paragem antes do palanque final. A coleção privada de José Artur Campos Costa, vice-presidente da Federação de Motociclismo de Portugal e apaixonado pelas motos de competição.

Uma coleção começada pelo tio, António Augusto Carvalho nos anos 1950, “considerado o primeiro verdadeiro colecionador de automóveis em Portugal, e que não ligava assim tanto a motos, mas que acabou por ficar com algumas que eram oferecidas quando comprava alguns carros”. Assim teve início o espólio que Campos Costa “começou a aumentar depois de regressar da Alemanha, na década de ’80, juntando por exemplo a primeira moto grande pessoal, a Honda CB750 de 1970, curiosamente também a primeira CB Four a ser matriculada em Portugal”. Máquina que partilha o espaço com uma FN Four de 1910, com motor de quatro cilindros em linha, a Indian Hendee Special, de 1914, com bloco V2 de 1000 cc e muitas motos de corrida.

Algumas curiosidades dos tesouros desta verdadeira gruta de Ali Babá: A Suzuki XR34, pilotada no Mundial de 500 cc em 1980 por Graziano Rossi, que deu o nome ao filho Valentino; a Yamaha OW F2 com que Wayne Rainey foi Campeão do Mundo de 500 cc em 1982; a Honda Fireblade com que Michael Rutter ganhou o Grande Prémio de Macau em 2012; ou a Suzuki GSX-R 750R da equipa portuguesa Suzuki/Shell vencedora das 24 Horas de Spa-Francorchamps em 1999.

Frutos de uma paixão intensa, pelas motos clássicas e de competição, que quase deixou o coração de Campos Costa dividido. “Se não fosse esta visita dos participantes do Portugal de Lés-a-Lés Classic, estaria no Grande Prémio de França, com a exposição do Spirit of Speed. Mas é um gosto tão especial mostrar estes modelos a verdadeiros aficionados que nem sequer houve dúvida…”.

Os participantes agradeceram o cuidado e, já com sol na chegada, começaram a pensar na terceira e última etapa do evento que, no domingo, levará a caravana de V.N. Famalicão a Lamego, ponto final de uma aventura que vai deixar saudades.

O Gabinete de Imprensa

1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic

Terminou em grande o 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic

O dia de todas as joias

Ponto final de um evento histórico, a festiva chegada a Lamego marcou o encerramento do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic, com muitos sorrisos na hora da despedida da aventura organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal. E que, ao longo de três dias e pouco mais de 500 quilómetros, levou uma caravana muito heterogénea de Bragança a Chaves, seguindo para Vila Nova de Famalicão de onde rumou à até ao centro da cidade lamecense, com o palanque montado em frente à escadaria da Senhora dos Remédios. Onde os condutores (e alguns passageiros) de motos fabricadas entre 1928 e 1995 chegaram felizes, ao fim de 159 quilómetros, esquecendo a intempérie que marcou presença constante e agradecendo a receção do Clube Automóvel de Lamego.

Chuva que parecia afastada do horizonte na saída de Famalicão por quelhos e veredas, por vezes com pisos bastante irregulares, mal necessário para fugir ou pelo menos minimizar a passagem por zonas de elevada densidade populacional e industrial. Quilómetros iniciais com passagem em Ceide, onde Camilo Castelo Branco viveu e morreu no ano em que são comemorados dois séculos do nascimento do genial escritor. Outro ponto de interessante paragem seria Roriz, onde o Mosteiro de São Bento de Singeverga alberga os monges beneditinos que possuem o segredo do famoso licor. Mas também ainda era cedo para beber pelo que o melhor mesmo foi arrepiar caminho.

Paisagens menos interessantes que, naturalmente, interferem com o bem-estar de qualquer condutor e que só melhoraram a partir de Paços de Ferreira e, sobretudo, da visita ao Museu da Mota Antiga de José Pereira. Onde mesmo os motociclistas com maior experiência de vida e até alguns colecionadores pareciam autênticos miúdos em loja de brinquedos. A descoberta desta verdadeira caverna de Ali Bábá criou enorme surpresa em quem nunca a tinha visitado e mesmo aqueles que conheciam esta exposição, voltaram a abrir a boca de espanto. Afinal é impossível, numa ou duas ou até em três visitas, conhecer minimamente um acervo de mais de 1500 motos, motorizadas, ciclomotores e scooters. Sempre bem enquadrados por toneladas de memorabilia, num museu que está, seguramente, ao nível dos melhores do Mundo, com coleção supercompleta de todas as montagens com motor Pachancho. Um simples exemplo a que se poderiam acrescentar muitas dezenas de modelos raros, como a Moto Guzzi Mulo Meccanico 3×3, um triciclo de três rodas motrizes e utilizou pela primeira vez o agora inconfundível motor V2 transversal. Ou exemplares de praticamente todas as Famel EFS produzidas na Borralha, em Águeda, bem como a francesa Griffon, de 1901, a mais antiga em exposição. Ponto alto do dia, que só por si, valeria bem a viagem!

Mais pérolas depois de almoço

Verdadeiro aperitivo antes do almoço servido em Celorico de Basto, onde esperava uma reconfortante jardineira, lembrando a célebre edição do Portugal de Lés-a-Lés de 2010. Repasto tanto mais apreciado por marcar o final do sofrimento causado pelo péssimo estado da estrada nacional 101-4, impedindo desfrutar de centenas de bem desenhadas curvas. E que antecipou uma sobremesa de luxo, servida sob a forma de intenso prazer de condução, subindo a paisagística N304 rumo à Campeã. Momentos deliciosos para todos, mesmo se alguns sentiram mais dificuldade em chegar ao topo da serra do Alvão. Que o diga Eduardo Leal que por pouco não precisou de empurrar a pequena Gilera Storm, “tal como havia acontecido logo no primeiro dia, na subida para Montalegre. Aqui subiu bem… a velocidades entre os 10 e os 20 km/h”. Teria sido bem mais fácil e confortável com a BMW K1600 que ficou em casa, mas o espírito é outro!

Depois do almoço, em Cabeceiras de Basto, surgiu todo um novo mundo para o mototurismo, com três das mais bonitas e procuradas estradas nacionais para os amantes do prazer de condução e paisagens incomparáveis. Depois da N304, seguiu-se um pouco da N15, da Campeã até parada de Cunhos, e daí até Lamego a Estrada Património N2, verdadeira joia da coroa. Mais curvas para todos os gostos, com o sol a ultrapassar alguma timidez para saudar os todos os rijos participantes. Incluindo o totalista de presenças no Portugal de Lés-a-Lés, Ângelo Moura que nem hesitou um segundo “ao saber da realização do Classic, mais uma excelente oportunidade de rever amigos, passear de moto e conhecer o País, com o bónus de poder apreciar um rol de motos que atravessa todo o século XX, que marcaram a vida da minha geração e que nos dizem muito”.

Aos comandos da mesma Yamaha TDM 850 com que em 1999 esteve à partida de Rio de Onor rumo a Sagres, o ex-presidente da Câmara Municipal de Lamego reconhece que “este evento superou as melhores expetativas, com um excelente ambiente e grande convívio, com uma organização sempre à altura dos acontecimentos e a que nem as agruras do clima roubaram brilho. E terminar em Lamego, em pleno Douro Vinhateiro, terra onde os motociclistas são sempre tão bem recebidos, tal como aconteceu, por exemplo, em 2018, quando aqui terminou a 2ª etapa do Lés-a-Lés é verdadeiramente a cereja no topo do bolo”.

Final em festa do 1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic, evento que colocou à prova as ‘velhas senhoras’ de duas rodas, mas também os motociclistas. O tempo frio e a chuva, por vezes muito intensa e até com granizo, podem ter limitado o ritmo na estrada, mas não impediram desfrutar totalmente da maratona turística levada a cabo pela Federação de Motociclismo de Portugal. Até porque, no final de cada dia, a animação das meninas do palanque, Lynn e Luísa; os cuidados mecânicos da equipa da Motoval; e a atenção às mazelas físicas por parte dos osteopatas Edgar e Miguel da OsteoMotus, ajudava a recuperar o ânimo para novo dia de aventuras. Venham as próximas aventuras porque esta… ponto final. Até 2026!

O Gabinete de Imprensa

1.º Portugal de Lés-a-Lés Classic